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Cibertúlia

Dúvidas, inquietações, provocações, amores, afectos e risos.

Novembro 10, 2016

Um americano em Lisboa

Miguel Marujo

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Sozinho em palco, com um violino que soava a ukelélé ou cavaquinho e guitarra elétrica (e outras vezes era só violino), com uma guitarra elétrica que ia afinando entre acordes, uma voz irrepreensível e um assobio feito instrumento sem falhas, as luzes a sublinharem o equilíbrio de uns pés que regiam uma orquestra, somando camadas às camadas dos sons, e as mãos que resgatavam das cordas uma paleta de tons.

Andrew Bird disse da sua vergonha na manhã de Lisboa perante as notícias que lhe chegaram dos seus Estados Unidos e que caminhou para a raiva de quem descobre que hoje, no estrangeiro, são cantores e músicos de rock que representam a dignidade de uma nação. E atualizou uma canção que escreveu na reeleição de George Bush, agora que Trump ganhou o que parecia impensável, Sic of Elephants. E arrepiou quando nos deu Estranha Forma de Vida, o fado imortalizado por Amália que entre o violino-que-também-parecia-guitarra-portuguesa e o seu belo assobio ganhou outro corpo.

Não espanta o aplauso, não admira como Andrew gosta de Portugal — e como até seria uma boa opção para viver nestes tempos. "Mas devemos ficar e resistir." Como a magia que se soltou em palco no CCB.

 

 [foto Rui Pinheiro/TSF]

ARQUIVO de outros textos (no DN) de concertos:
Rodrigo Leão & Scott Matthew | Lloyd Cole | Caetano Veloso e Teresa Cristina

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