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Cibertúlia

Dúvidas, inquietações, provocações, amores, afectos e risos.

Janeiro 29, 2014

Privados tratam-nos da saúde

Miguel Marujo



O Jornal de Negócios tem hoje um trabalho muito interessante sobre a entrada na bolsa da ES Saúde, a empresa do grupo Espírito Santo para a saúde (Hospital da Luz ou a PPP que é o hospital de Loures). O título explica muito - "Estado garante 53,8% das receitas da ES Saúde" - aquilo que há dias um jornalista do Negócios, Manuel Esteves, já avançava sobre a ADSE, cujo fim a troika inscreveu no memorando mas nunca aconteceu: «Quem teria perdido com o corte nos benefícios da ADSE? Sem dúvida os funcionários. Mas não foi isso que demoveu um Governo que nem sequer pestanejou quando cortou a eito nos salários, aumentou o horário de trabalho (sem compensação pecuniária) e reduziu de forma abrupta as pensões actuais e futuras da Função Pública. O que levou o Governo, sempre tão diligente no cumprimento do memorando da troika, a evitar cortes nos benefícios prestados pela ADSE não foi a saúde dos funcionários, mas sim a saúde financeira dos grupos privados de saúde.»

Hoje, preto no branco, lê-se que os "subsistemas públicos de saúde, parceria público-privada Beatriz Ângelo e outras verbas provenientes do Estado garantem à empresa liderada por Isabel Vaz mais de metade das receitas, mas comportam riscos".

Embrulhe-se tudo com outros dois dados: Isabel Vaz foi a primeira pessoa a anunciar publicamente o fecho da Maternidade Alfredo da Costa, numa entrevista ao Expresso. Ou se "Isabel Vaz for afastada da administração da Espírito Santo Saúde terá direito a receber uma compensação de 850 mil euros". Que é como quem diz: o contribuinte paga mais de metade desta indemnização.