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Por uma União (federal) Ibérica

por Miguel Marujo, em 03.02.14

O Diogo Pinto é amigo de há muitos anos e dedica-se todos os dias a esta coisa da Europa. Coisa palpável, de gentes e políticas, não a mixórdia acéfala de merkéis e hollandes que nos querem impor. Aqui avanço com um texto seu que, no mínimo, serve para o debate. Comentários na caixa respetiva, pf.

 

«É do conhecimento geral que sou um federalista europeu. Acredito que, por várias razões que poderei explicar noutra altura, a União Europeia deveria evoluir no sentido de uma verdadeira união política, com uma verdadeira democracia europeia, um verdadeiro Parlamento Europeu e um Governo Europeu legítimo. Estou convencido de que esta é a única maneira de garantir a sobrevivência cultural, económica e política da Europa num mundo cada vez mais globalizado e, mesmo, de permitir que os Europeus recuperem a sua soberania - entretanto perdida para os "mercados" e outros poderes ilegítimos - assente nos valores que são os seus. Ao contrário do que por aí se diz, o federalismo não significa centralizar poder em Bruxelas ou permitir aos burocratas europeus que decidam sobre todos os assuntos, impondo a sua vontade a todos os níveis, sem ter em conta nem as especificidades culturais nem as vontades diversas dos cidadãos; pelo contrário, o federalismo é a forma de governo que se inspira e melhor permite a implementação do princípio da subsidariedade, assegurando a tomada de decisões ao nível mais próximo possível dos cidadãos, mediante a verificação constante de que as ações são empreendidas ao nível - local, regional, nacional ou europeu - em que fazem mais sentido e são mais eficazes.
Estou consciente de que o projeto de federação europeia não é para amanhã, e que, como muitas outras conquistas históricas, se trata de um processo longo e difícil. Mas isso não significa que devamos manter-nos à espera que algo aconteça; pelo contrário: há que trabalhar no dia-a-dia com uma perspetiva de longo prazo, promovendo a ideia, mostrando ambição e dando pequenos passos no sentido certo.
Apesar de Portugal e a Espanha, por razões históricas que em nada têm a ver com a vontade dos seus cidadãos, terem chegado com um atraso de 30 anos ao processo de construção europeia, têm hoje a oportunidade de se colocarem na vanguarda do projeto. Portugal e a Espanha partilham séculos de história comum, tradições e valores culturais similares e problemas e desafios semelhantes. Partilham também uma geografia complementar, e uma posição de ponte cultural entre a Europa, o Mediterrâneo, a África e as Américas, que não pode ser ignorada. A constituição de uma União Ibérica tem sido o sonho e o projeto de muitos, ao longo de séculos; hoje, seria um passo decisivo no sentido de uma União Europeia federal.
O que proponho não é a integração de Portugal em Espanha (sosseguem os nacionalistas); o que proponho é a extinção voluntária dos estados espanhol e português, e a sua substituição por uma União (federal) Ibérica, assente na representação democrática e soberana dos povos que habitam a península (portugueses, castelhanos, galegos, bascos, catalães, etc.). Nesta União, todos teriam o direito a manter e promover a sua especificidade cultural, e a decidir independentemente em todas as matérias que lhes digam respeito; mas acrescentariam as possibilidades e as capacidades que a criação de um nível federal (ibérico) ofereceria.
Para já, não se trata senão de uma ideia que quero testar junto dos meus amigos "ibéricos". Havendo interesse da vossa parte e apoio a esta "ideia perigosa", trabalharemos juntos na elaboração mais cuidadosa de argumentos sérios e de uma mensagem que possa ser partilhada com com quem de direito. Obrigado!»

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2 comentários

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De Rui Pedro Oliveira a 03.02.2014 às 17:00

Concordo que não devem ser os mercados a governar a Europa e que a mesma deve ser solidária para se tornar mais forte.

Discordo da opção ibérica apresentada, se entre eles não se conseguem entender, quanto mais com um outsider.

E por muito herança comum que partilhamos aos longos dos tempos, este fim de semana via uma exposição fotográfica, no Centro Português de Fotografia, uma antologia de Gervasio Sanchez, onde incluía algumas fotos de valas comuns, referentes à guerra civil espanhola, mas escavadas ainda este século. Espanha tem feridas ainda por sarar... feridas que Portugal, felizmente, não partilha...

Mais uma vez, concordo com uma União Europeia de cariz Económico com primazia do Social, mas com todos, pois escolhermos Espanha será mais uma vez, uma escolha económica.

Rui Pedro Oliveira
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De FILIPE BORGES a 09.12.2015 às 12:13

CONCORDO QUE ESTA IDEIA DE UNIR ESPANHA E PORTUGAL POSSA TER BASTANTES MOTIVOS DE INTRESSE.
E NECESSARIO QUE NAO HAJA A TENDENCIA DE ESPANHA PENSAR EM DOMINAR PORTUGAL MAS EM CONCLUIR QUE OS 2 PAISES TEEM MUITO A GANHAR COM ESTA UNIAO .
PERANTE A UE SERA MUITO MAIS FORTE, PASSARA A SER O QUINTO MAIOR PAIS EUROPEU E O PIB SERA MAIOR , BEM COMO OS 2 PAISES UNIDOS PODERAO CONSTITUIR SE COMO UMA PEQUENA POTENCIA NA UE.
JA NAO TEMOS IMPERIO COLONIAL SO NOS RESTA A EUROPA ,SOMOS AMBOS DEMOCRATICOS PORQUE NAO PELO MENOS ESTUDARMOS E APROFUNDARMOS ESTA IDEIA. OBRIGADO







FILIPE BORGES

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