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Cibertúlia

Dúvidas, inquietações, provocações, amores, afectos e risos.

Agosto 07, 2022

As praias que pedem paciência

Miguel Marujo

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As praias da minha infância pedem paciência, pedem que sejamos pacientes, não se consomem facilmente, pedem tempo, que nos demoremos nelas.

A Barra e a Costa Nova, mas também São Jacinto, Torreira, Vagueira, Areão e Mira, vivem-se sem pressas: há nevoeiro pela manhã, mesmo que já não haja a ronca do farol a dizê-lo, mas sabemos que vai abrir mais tarde, e abre; há ondas altas e um mar bravo de bandeira amarela ou vermelha, faz-se o passadiço ao longo das dunas e a Barra promete águas mais calmas (e se não, vai-se até junto da Meia Laranja, na Praia Velha); a água está mais fria, mas os ossos sabem que tudo se suporta — e ser paciente é ir entrando no mar dentro devagarinho. Nem sempre é assim, sim, mas nas outras praias também nem sempre é assim.

As praias da minha infância são pacientes, e é sempre um gosto mergulhar nelas, nas suas areias, no mar que as faz, nas pessoas que as habitam. Já tenho saudades.

 

[a fotografia, captada com uma grande angular, foi tirada na zona da antiga Rua 5, à entrada da Barra, a meio caminho entre a Costa e o Farol, no dia 24 de julho de 2022, pelas 18h10 — © Miguel Marujo]

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