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Cibertúlia

Dúvidas, inquietações, provocações, amores, afectos e risos.

Dezembro 18, 2003

Assim de repente que tenho que sair...

Miguel Marujo

Pois é, pois é... o Aborto outra vez.

Significa apenas que enquanto esta questão não for convenientemente discutida pela sociedade portuguesa tenderá sempre a renascer das cinzas. Pergunta-se: Se no referendo sobre o assunto o "Não" ganhou porque é que se volta à questão? Pois precisamente porque os "Sim"'s não ficaram convencidos. Mas fiquem certos de uma coisa: se, em novo referendo, o "Sim" ganhar, o "Não" voltará periodicamente à carga até levar a sua avante... e assim sucessivamente.



Eu pessoalmente...

... sou, para já, contra a liberalização do aborto. Lá que "des-criminalizem" tudo bem. Mas "des-penalizar" é que não. Isto porque sou bastante céptico em relação às situações que foram propostas para se permitir legalmente o aborto. Acreditem que tenho um terror absoluto que o aborto se torne um método contraceptivo "à-posteriori", uma espécie de pilula do mês seguinte.



Dizem-me:

"Uma mulher não aborta assim tão levianamente. Abortar é um trauma demasiado grande para isso.". Não sei se será assim. Já vi muitas entrevistas em telejornais a mulheres que abortaram porque "já tinham x filhos, o marido abandonou-me, e eu não tinha condições para ter outro.". Ora parece-me que nestas condições é que não. Se não tem condições entrega para adopção. Se o sistema de adopções em Portugal é incompetente, injusto, moroso então vamos todos lutar por um sistema melhor. Não optemos pela solução mais simples.



Parece-me que muitas das situações que levam ao aborto têm origem na má Segurança Social que temos, no deficiente acompanhamento a jovens mães, a mulheres violadas, a mulheres toxicodependentes. Acuso também as mentalidades retrógadas da nossa sociedade que ainda hojem condenam mães solteiras. Acuso a mentalidade dos que fazem juizos de felicidade, à priori, baseados na perfeição do filho por nascer. Acuso a sociedade por apoiar tão pouco os deficientes, discriminá-los mesmo, que leva muitos pais a pensarem que o filho nunca terá hipoteses de "ser alguém".



Reli o que escrevi e se calhar não era bem isto que queria dizer, ou poderia ter dito por outras palavras, ou se calhar estou a ser injusto. Provavelmente o que estou a precisar é de uma discussão séria sobre o assunto, sem lirismos, nem radicalismos. Talvez ficasse mais convencido...



Deixo aqui também a última frase do João:

"Não deixa de ser irónico, que este tema apareça por altura do Natal."

Pois precisamente quando se celebra o um nascimento...



Nota:

Sobre "des-criminalizar" ou "des-penalizar" não me puxa muito para a discussão. Eu não acho que a mulher que aborta é criminosa. Acho que quando alguém aborta a sociedade falhou por não dar alternativas. Dar a opção de aborto a alguém parece-me muito menos solidário.



Tenho que sair(!!!!!)...

... para ir buscar a minha filha, a inês, à creche e não tenho tempo para rever melhor o texto de algumas ideias... portantos vai mesmo assim. Se calhar não devia Postar um assunto tão melindroso... olha, azar. O que vale é que pela net ninguém me bate. E sempre posso voltar ao tema mais tarde... ou não.