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Cibertúlia

Dúvidas, inquietações, provocações, amores, afectos e risos.

Janeiro 31, 2007

O feto

Miguel Marujo

Aguiar Branco disse-o, titubeante, no debate do Prós & Contras: o feto (ou o embrião ou uma criança) de uma mulher grávida por violação não é igual a um feto (ou um embrião ou uma criança) de uma mulher grávida. Não percebi. Dir-me-ão que a esta excepção prevista na lei corresponderá uma enorme fragilidade física e psíquica e emocional de uma mulher violada. É verdade. Mas esse feto é igual ao de uma mulher que engravidou sem ser violada. Uma outra qualquer gravidez poderá, para essa mulher, acarretar uma outra violência física e psíquica e emocional. Não consigo ajuizar, não consigo entrar no íntimo de cada uma, para conhecer a fundo as razões que a levarão ao aborto. Apenas sei que devo confiar nela, na mulher. Ajudando-a, aconselhando-a. Mas respeitando-a. Mais do que isto, estarei a violar a sua consciência. Eu prefiro confiar na vontade da mulher. O aborto não é feito levianamente, sem uma grande dor. No seu íntimo, a causa será justificada e dolorosa. Violar a sua consciência é obrigá-la a recorrer à clandestinidade, que é o que acontece hoje, que é o que acontecerá se o não ganhar.

[publicado originalmente no Sim no Referendo]

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