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Cibertúlia

Dúvidas, inquietações, provocações, amores, afectos e risos.

Fevereiro 06, 2004

Mais uma leitura, adiando o regresso à polémica

Miguel Marujo

Inês Serra Lopes*: «Todos diferentes...»

«O antigo ditador iraquiano foi preso há 56 dias, a 13 de Dezembro. Na comunidade internacional ninguém sabe onde está detido Saddam Hussein nem qual o tribunal que o irá julgar ou qual a lei que será aplicada no julgamento. O mundo foi informado de que Saddam está no Iraque e de que foi declarado prisioneiro de guerra a 10 de Janeiro.

Mas há muito pior. Há Guantánamo, a prisão especial que abriu as portas no início de 2002, quatro meses após o devastador 11 de Setembro. Ainda hoje estão em Guantánamo, entre civis e militares, 660 presos que não podem escolher advogado, não foram acusados de qualquer crime concreto e não têm ideia de como, onde e quando vão ser julgados – se alguma vez o forem (dados da organização Human Rights Watch). A indefinição é quase tão gritante como a indiferença internacional.

As vozes que se têm feito ouvir (pouco) no Ocidente sobre o abandono de toda e qualquer humanidade e igualdade no tratamento de pessoas que podem perfeitamente estar inocentes são de organizações de direitos humanos e de um ou outro partido sem vocação de poder e tendencialmente marginais nos sistemas políticos onde se enquadram – como

o nosso saudável Bloco de Esquerda.

É obrigação elementar de todos os que apoiaram os Estados Unidos exigir agora que seja feita justiça e que se acabe com a indefinição que leva a que centenas de pessoas possam estar presas em Cuba durante dois anos e meio sem qualquer direito, mesmo os mais básicos.

José Manuel Durão Barroso, a quem a Justiça é tão cara e que apoiou os americanos de modo tão "natural", não disse uma palavra sobre o tema.Tem boa companhia: a comunidade internacional tem calado o assunto de forma que é difícil de adjectivar.

Nos Estados Unidos e na Grã-Bretanha continuam a discutir-se os relatórios de inteligência e a sua fiabilidade.

Enquanto isto, a autoridade reguladora dos Estados Unidos vai investigar um seio e as aberturas dos telejornais repetem à exaustão as imagens do peito nu de Janet Jackson no "Super Bowl". A mesma cantora que esta semana, submissa, monopolizou as notícias e comoveu a América pedindo desculpa por ter mostrado o corpo.

Somos todos irremediavelmente iguais.
»



* - outra de quem sou insuspeito de gostar muito...