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Cibertúlia

Dúvidas, inquietações, provocações, amores, afectos e risos.

Fevereiro 21, 2006

O Sindicato

Miguel Marujo

1. Sou sindicalizado. No único Sindicato que os jornalistas têm: 1 por cento do meu ordenado é descontado para um sindicato que me representa - liricamente, insisto na possibilidade de contar com apoio jurídico em tempos aziagos para os trabalhadores, face aos poderes das empresas do meio; realmente, pouco ganho, nem a revista a que supostamente tenho direito (insistem que a enviam em "resma" para a TVI e que se perderá algures entre os corredores da redacção colorida da estação e do forno que é a do Metro).
2. No Sindicato que me representa, participei mais activamente no arranque de um suposto núcleo de jornalistas online. Na altura, propunha-nos o Sindicato de Jornalistas um estatuto do jornalista deste meio novo, em que se pretendia vigiar a actividade dos profissionais, para evitar que qualquer site fosse jornal. Escusado será dizer que de intenções estão os documentos cheios: a proposta era suficientemente inadequada às realidades e, no quadro apresentado, eu teria de ser "estagiário" uns dois anos (e as empresas esfregariam as mãos de contente). Hoje, fora do meio online, afastei-me: pago a quota, não recebo a revista e confiro no e-mail a newsletter diária.
3. Do Sindicato, não espero um debate aprofundado sobre a profissão, pelo que expus acima - como em muitas profissões, as direcções sindicais defendem privilégios adquiridos por uma geração (a "de Abril") e esquecem, sempre, as gerações mais novas, aquelas que sofrem na pele a precariedade na imprensa, aquelas que aguentam jornais, em estágios contínuos não remunerados ou contratos a termo mal pagos (a geração "500 euros").
4. Mais: do Sindicato continuo a desconfiar de uma direcção politicamente marcada. Sobre isto, mantive escassa polémica com Oscar Mascarenhas, nas páginas do Público (eu tive de editar um texto longo, o então "senhor deontologia" arrasou-me em resposta mais alongada), por causa das autárquicas de 2001 e da candidatura de Alfredo Maia pelas listas da CDU a um órgão autárquico. Mantenho o que escrevi, nem uma linha de Mascarenhas me demoveu do que escrevi.
5. Quatro anos depois, o Sindicato e o seu Conselho Deontológico tem uma posição vergonhosa e atrasada sobre o caso Lusa. Muito próprio de quem se afastou da realidade noticiosa. Facto sacrossanto: as jornalistas não terão ouvido as duas partes. Diz isto, o mesmo CD que não cuidou de ouvir as partes envolvidas.
6. Vou continuar sindicalizado. A ver se o sindicato me passa a representar também a mim. E não quero uma Ordem. Basta olhar para as ordens corporativas que existem para perceber o que elas fazem: metem na ordem direitos estabelecidos da geração que manda, esquecem os novos.

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