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A capitulação do mundo

por Miguel Marujo, em 18.07.05
Para que o vento não leve as palavras: «Os governos milionários declararam perdoar a dívida dos países mais pobres da África, mas, de facto, a tal amnistia é apenas de 16% dos 296 milhões da dívida africana.» [hoje aqui.]

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6 comentários

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De Pedro Dias a 18.07.2005 às 12:29

Será que acreditamos realmente que o G8 iria dar tão gigantesco passo? Uma medida como esta tem que render bastante mediatica, politica e economicamente, pelo que será tomada aos poucos.
Também é importante não desligar esta decisão do debate em torno da anulação (não gosto da aplicação do termo perdão, acho que é hipócrita) da dívida a países regimes corruptos.
Acho que pode mesmo ser contraproducente se não se garantir que os benificios da anulação da dívida chegarão realmente às populações.
Entretanto, no texto de Marcelo Barros encontramos notas interessantes, nomeadamente em termos dos números comparativos, mas tenho dúvidas quanto aos valores referidos para acabar com a fome no mundo - 13 milhões de dólares (será por dia, por semana?)parece-me uma verba demasiado baixa. Além disso julgo que se terá esquecido de um par de virgulas (ou parêntesis) na seguinte expressão: "...reacções indignadas e até violência de grande parte da sociedade civil ao encontro...".
Refiro-o porque muitas vezes a incorrecta (ou pouco clara) exposição dos argumentos dos activistas civis (embora também haja muitas vezes algum radicalismo) acabam por ser contraproducentes por não fazerem sentido para um cidadão normal, acabando por ser rebuçados para o pragmatismo político e económico.
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De MC a 18.07.2005 às 16:27

Caro Pedro, fui eu que assinei o texto que está a comentar, portanto algumas notas:
1º Independentemente do que seria desejável ser resolvido no encontro G8, o que eu procuro chamar a atenção é que os problemas da fome existem, são mais que prementes (estivéssemos nós de barriga vazia e logo veríamos quanto), as decisões tomadas ficaram aquém do que seria possível.
Por ex: segundo Jeffrey Sachs, na Pública de 10/7/2005 "Os países ricos prometeram aplicar 0,7% dos respectivos (PNB)em ajuda externa. Esta ajuda foi reafirmada em 2002. Mas não foi cumprida por mais do que cinco países (Suécia, Noruega, Dinamarca, Holanda e Luxemburgo). No caso dos Estados Unidos, por exemplo, isso significaria 70 cêntimos por cada 100 dólares de PNB. Mas o país dá apenas 15 cêntimos, o valor mais baixo entre todos os países ricos."
2ºQuanto ao valor necessário para resolver o problema, erro meu, ainda não consegui encontrar o mesmo. Mas não creio que seja o mais importante para este debate. Os números estão apurados, a FAO possui os mesmos, e nestas reuniões eles constam de certeza, não é por ignorãncia dos mesmos que não se tomam medidas.
Quanto à situação da anulação da dívida, também a desculpa, (ou não, ressalvo)deve ser devidamente enquadrada. Diz-nos também Jeffrey Sachs, que "existem 49 países na África subsariana e muitos deles não estão em guerra, são democracias abertas, multipartidárias e bem governadas." Só que nós, quando falamos de África temos a mania de meter tudo no "mesmo saco".
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De pedro dias a 18.07.2005 às 23:16

Caro Marcelo, Antes de mais queria deixar claro que o meu comentário, mais que qualquer outra coisa, revela aquilo que é a expressão da minha frustração, quando falamos de cooperação ou ajuda ao desenvolvimento.
O meu sentimento é que as organizações da sociedade civil, nomeadamente as que trabalham as referidas questões, não demonstram o pragmatismo necessário quando defendem as suas posições. E que fique claro que quando refiro a necessidade de pragmatismo refiro-me mais ao discurso do que às causas e ideais.
Parece-me claro que para conseguir o compromisso dos governos, ié dos políticos, há que saber usar as mesmas armas e uma destas armas é a opinião pública. Se não se conseguir um discurso perceptível, coerente e sensibilizador de forma a ganhar a opinião pública dificilmente se conseguirá resultados palpáveis.
Um exemplo: podemos constatar que os Governos da UE não são capazes de cumprir os objectivos por si definidos na Declaração de Lisboa, orientados para o desenvolvimento económico e social dos seus próprios países. Será que poderemos acreditar que irão cumprir ou contribuir verdadeiramente para o cumprimento dos Millennium Development Goals?
Na minha opinião não, a não ser que a sua sobrevivência política esteja em causa (sim, é verdade, já me custa a crer no idealismo puro e duro dos governantes) e para isso muito trabalho há a fazer, nomeadamente na educação para o desenvolvimento.
Posso estar a ser demasiado crítico, mas penso que das manifestações da sociedade civil paralelas às reuniões do G8, o que fica na retina da opinião pública são os distúrbios que por vezes ocorrem, mais do que qualquer mensagem que as OSC tentem passar, até porque muitas vezes com o que deparamos é com uma guerra de galos pelo mesmo poleiro...
Pegando como exemplo a referência ao 0.7%, o que podemos ver são os Governos a “brincarem” connosco (e pior, com os povos dos PMD) relativamente às ajudas ao desenvolvimento. Não só não se atinge o compromisso dos 0,7% como se tenta rechear a percentagem com apoios ligados a contrapartidas comerciais (e os EUA são peritos nisto) que não devem ser considerados como verdadeiras ajudas. E ainda por cima vendem-nos um pequeno aumento na percentagem da contribuição como uma grande vitória (apesar de tudo não é o que estão todos habituados a fazer aquando das eleições, pregar vitórias imaginárias?!).
Ou ainda pegando noutro exemplo: porquê insistirem no termo perdão da dívida? Não foi essa dívida já paga por juros elevados e/ou por contrapartidas comerciais associadas à atribuição dos empréstimos? Então estão a perdoar o quê?
Pegando agora na questão das condições necessárias para a anulação da dívida. Naturalmente não meto todos no mesmo saco, mas penso que executar esse perdão sem garantias de que as verbas da amortização serão realocadas para a garantia de condições básicas de vida numa primeira fase (alimentação, saúde) e para motores de desenvolvimento numa segunda (educação, apoio social, investimento) é contraproducente, servindo apenas para alimentar a teia da corrupção, fortalecendo-a. Mas acredito também que entre os países com elevados níveis de corrupção é importante distinguir entre aqueles em que o Governo tenta combater a lógica de corrupção daqueles em que o Governo é o topo dessa mesma rede de corrupção.
Finalmente, e brincando com coisas sérias, penso que devemos apostar num “idealismo pragmático”. Não basta conseguirmos que os nossos Governos prometam aos povos dos PMD um futuro, é preciso que sejamos capazes de os fazer cumprir a promessa! Compreendermos como o podemos conseguir é que é o grande problema...
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De MC a 19.07.2005 às 10:34

Pedro, entendi perfeitamente, os seus pontos de vista. Concordo com eles.
Faço uma pequena correcção; eu sou a M. Conceição que assina o texto na Terra de Alegria. Servi-me de um texto de Marcelo Barros, que está devidamente assinalado entre aspas.
Agora, quanto às manifestações, à volta destes encontros, também penso que elas não servem a causa que defendemos.
É necessário, de facto, chamar a atenção da opinião pública, para estas causas. Aí os mais atentos, devem por todos os meios, manifestar-se.
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De MC a 19.07.2005 às 10:38

Ops, saiu repetido.
Miguel, peço desculpa.
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De Miguel Marujo a 19.07.2005 às 11:52

Maria da Conceição, não há problema nenhum com o comentário repetido (que, no entanto, "removi"). O mais importante é o debate inteligente aqui mantido. Obrigado - e obrigado ao Pedro!

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