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Cibertúlia

Dúvidas, inquietações, provocações, amores, afectos e risos.

Setembro 05, 2003

A outra Santa Engrácia

Miguel Marujo

Aquela que é hoje a Igreja de Santa Engrácia, tornada Panteão Nacional por decreto em 1916 e por obras acabadas em 1966, não é o templo primitivo. A primeira igreja foi erigida por desejo da infanta D. Maria, filha de Manuel I, destinando-se a igreja paroquial.



A sua construção terá sido iniciada em 1570, tendo sido concluída em inícios do século XVII. Em 1630, na noite de 15 para 16 de Janeiro, o templo foi profanado. De tal «sacrilégio» foi acusado um cristão-novo, Simão Sólis, que nessa noite estaria nas redondezas do Campo da Forca, hoje de Santa Clara.



O motivo dessa presença ali era outro, soube-se mais tarde com a confissão do verdadeiro criminoso. Simão cortejaria uma freira do convento vizinho - e condenado à morte levou consigo esse segredo. Como contou Graça Araújo, técnica do Serviço Educativo do Panteão, a religiosa ter-lhe-á enviado dois melões, um deles «calado». E recomendava a Simão: «O melhor é o calado». Mensagem recebida. Um ano depois, Simão Sólis foi supliciado e enforcado no Campo da Forca.



Reza a lenda que o condenado rogou uma praga. Que o templo não seria recuperado enquanto ele fosse vivo, e quando o fosse o responsável morreria um ano depois. Nada disto parece explicar os 400 anos que demorou a construção da Igreja, decidida em 1632 como desagravo à profanação. Iniciadas de imediato, as obras arrastaram-se indefinidamente, apesar de um grande impulso dado por João Antunes, arquitecto régio nomeado em 1699.



Falharam muitas tentativas para finalizar a construção (faltava a cúpula que encima o templo) - e que originaram a expressão popular de "obras de Santa Engrácia" para tudo o que se arrastava no tempo - e só na segunda metade do século XX avançam as obras que fecharão o edifício. Em 1966, pouco mais de um ano antes de Salazar cair da cadeira. Lendas.
[Miguel Marujo, in PortugalDiário].





Também não tem nada a ver com Aveiro... Mas ajuda a perceber a ironia do Rui Viegas (saravá!) sobre as obras em Aveiro... E é verdade, quando aí for quase não reconhecerei a cidade. Para melhor, digo eu, que acompanho ao longe uma obra séria - como a deste executivo camarário (e não estou a passar a mão ao Filipe!).

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