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Cibertúlia

Dúvidas, inquietações, provocações, amores, afectos e risos.

Setembro 15, 2015

A Europa refugiou-se na omissão

Miguel Marujo

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A foto desta segunda-feira escolhida pela Economist, no mesmo dia em que a extrema-direita que governa a Hungria impediu a Europa de um entendimento sobre a única opção possível no caso dos refugiados: acolher todos. Agora, a Europa adia qualquer decisão para 8 de outubro. A urgência desta Europa esgota-se em como esmifrar os gregos. 

"A Syrian refugee holding a baby in a life tube swims towards the shore after their dinghy deflated 100m away from the Greek island of Lesbos, September 13th 2015. According to the International Organisation for Migration over 400,000 refugees and migrants have made the journey across the Mediterranean to Europe so far this year." The Economist. Crédito: Reuters/Alkis Konstantinidis

Setembro 14, 2015

Os blocos à esquerda

Miguel Marujo

 

Se António Costa lhe telefonar na manhã de 5 de outubro a pedir para governar com ele, que resposta lhe dará?

Catarina Martins (BE): Não há cheques em branco. O que é preciso discutir é, no cenário da Assembleia da República que tivermos, quais são as ideias que têm força para fazer um governo e e como é que elas se podem articular para fazer um governo. O programa do PS é muito diferente do programa do BE e, como digo, nunca há cheques em branco e o BE não abdicará do que é o essencial do seu programa.

[...] O BE nunca faltará a um governo que tenha essas duas opções essenciais: travar a saída de riqueza do país e travar o empobrecimento do seu trabalho e equilibrar o jogo.

[no DN desta segunda-feira, entrevista de Miguel Marujo, fotografia/vídeo de Gerardo Santos]

Setembro 03, 2015

A onda de indignação

Miguel Marujo

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Durante anos, Timor-Leste era a luta de uns guerrilheiros nas montanhas, de timorenses no estrangeiro e de alguns movimentos e pessoas que, sobretudo em Portugal, mantinham acesa a chama pela autodeterminação e independência deste povo. Durante anos, tudo parecia falhar para mobilizar a opinião pública, até que a prova de mais um crime indonésio rompeu o isolamento internacional a que estava votado Timor-Leste e o massacre de Santa Cruz tornou-se a imagem que faltava para despertar consciências. Estes dois rapazes filmados por entre sons confusos de sirenes, gritos e tiros, ajudaram a que uma onda de indignação agitasse as sociedades civis e, finalmente, os governantes um pouco por todo o mundo que tinham como inevitável a ocupação indonésia começaram a questioná-la. A história é conhecida: em 1999, os timorenses foram por fim chamados a decidir do seu destino, votaram esmagadoramente pela independência.

Se tivéssemos desdenhado do poder destas imagens - porque só ao fim de 20 e poucos anos o mundo acordava para a causa timorense, com imagens que retratavam algo que se passava há anos e anos e que toda a gente parecia ter descoberto então - e não tivéssemos cavalgado essa onda de indignação, Timor-Leste talvez ainda fosse (como ainda é o Sara Ocidental) um território ocupado.

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