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Cibertúlia

Dúvidas, inquietações, provocações, amores, afectos e risos.

Janeiro 04, 2013

Agarrado

Miguel Marujo


«Um bebé agarrou o dedo do médico assim que nasceu. A criança estava ainda dentro do útero da mãe quando agarrou o dedo do médico que estava a realizar a cirurgia. O momento aconteceu em Phoenix, nos Estados Unidos. "O médico chamou-me e disse: "Veja, ela está a agarrar o meu dedo!", contou Randy Atkins, pai de Nevaeh, a protagonista da história.» [jornal i]

Janeiro 04, 2013

Ricochete

Miguel Marujo

 

Lembram-se das promessas de Passos, a 8 de julho de 2011, acabadinho de tomar posse? «Ministros deixam de ter direito a carro para uso pessoal ou fora da agenda oficial, acabam os cartões de crédito para despesas de representação e passa a haver limites salariais para os requisitados. Passos Coelho decidiu acabar com as regalias nos ministérios. O primeiro-ministro (PM) quer que seja o Governo a dar o exemplo e vai cortar a eito nas despesas dos vários gabinetes. Assim, proibiu os ministros e todos os membros do Governo de usarem viaturas oficiais ao fim-de-semana ou nas deslocações pessoais – aliás, o próprio chefe do Governo compromete-se a usar o seu carro pessoal sempre que não estejam em causa deslocações no âmbito do cumprimento da sua agenda oficial de primeiro-ministro.» E soprou-se para os jornais outros limites, no uso de carros e avençados e telefones e tudo o que fosse gordura.

O que veio dizer o Tribunal de Contas, agora mesmo, entre várias críticas? «No atual dispositivo legal, à semelhança do anterior, não constam critérios sobre a atribuição de regalias como o cartão de crédito, uso de viatura e despesas de telefone.»

 

Não era preciso esperar muito pelo TC. Basta estar num qualquer evento político público, como esta quinta-feira no Seminário Diplomático, para ver a plêiade de ministros, secretários de Estado, assessores, funcionários de organismos, todos com viatura. Basta saber que Nuno Crato, ministro da Educação, foi a um evento do PSD em Viana do Castelo em viatura oficial. E será que Passos Coelho deixa de lado o carro de primeiro-ministro e pega no do PSD sempre que vai para um encontro social-democrata? Pois, pois. O populismo costuma dar nisto: ricochete.

Janeiro 02, 2013

A loja do senhor Joaquim

Miguel Marujo

Hoje o senhor Joaquim já não abriu a porta. A C. não mais poderá parar à porta da pequena drogaria-onde-se-encontrava-tudo-o-que-precisávamos para dizer olá à mulher do senhor Joaquim. Os velhotes do bairro deixam-no com calotes, sim, mas o senhor Joaquim estava ali há cinquenta e tal anos, "desde os 17 anos", e gostava, disse-me ele na véspera de ano novo, quando lá fui comprar o tubo de supercola. "Já não volto a abrir", anunciou-me. E hoje, de facto, a loja estava fechada. Fez contas e achou que não valia a pena nos seus quase 72 anos investir uns 3000 euros na nova máquina registadora que Vítor Gaspar mandou comprar, sem cuidar de que há negócios pequenos que não têm essa capacidade de investimento. "Fui ao registo comercial, saber como dava baixa da atividade, estavam lá uns 20, 30 como eu." O senhor Joaquim contava histórias, tinha a porta aberta para se ocupar e tinha tudo o que se precisava, quando mais precisávamos. A 100 metros da loja do senhor Joaquim, mais acima na rua, fica a Presidência do Conselho de Ministros. Uns senhores que nunca pararam à sua porta, nem conhecem lojas como as do senhor Joaquim.

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