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Cibertúlia

Dúvidas, inquietações, provocações, amores, afectos e risos.

Dezembro 28, 2012

Vasco Pulido Valente ao espelho

Miguel Marujo

«Os jornais vêm cheios de artigos de "opinião", assinados pelas mais fantásticas criaturas: pelo director disto, pelo presidente daquilo, pelo dono daqueloutro. A substância e o estilo são sempre de amadores, que resolveram comunicar à Pátria (e quem sabe se ao mundo) a sua irresistível receita para nos salvar. A prosa em si própria não passa de uma variação ou de um puro plágio do que por aí anda escrito. Escrito e dito na rádio e na televisão por políticos de vária pinta - o que aprenderam de cor e despejam por cima de nós, sem a menor espécie de escrúpulo. Os "moderadores", com um arzinho submisso e acolhedor, não abrem a boca, mesmo quando lhes passam à frente do nariz monstruosidades que qualquer adolescente identificaria a dormir. [...]» Vasco Pulido Valente, hoje no Público.

Dezembro 20, 2012

Números ignorados: "exportar a democracia"

Miguel Marujo

O Iraque, que mantém a pena de morte para um grande número de crimes, executou 70 pessoas nos primeiros seis meses deste ano, em comparação com os 67 na totalidade do ano de 2011 e de 18 em 2010, de acordo com o relatório de 46 páginas, produzido pela Missão da ONU no país.

Dezembro 19, 2012

"Éramos quatro", Portugal 2012

Miguel Marujo

 

‎"No próximo dia 10 de janeiro pelas 11h serei julgada no Tribunal de Pequena Instância Criminal de Lisboa por, no passado dia 6 de março ter distribuído panfletos e tentado efectuar uma inscrição colectiva no Centro de Emprego do Conde de Redondo em Lisboa. Fui constituída arguida e acusada de organizar uma manifestação não autorizada. Éramos quatro."

Dezembro 17, 2012

Ensaio sobre as esquerdas

Miguel Marujo



O modelo paritário-bicéfalo de liderança do BE dá os primeiros e, por vezes, titubeantes passos - também contra Passos. À procura de um tom, de um estilo, de uma forma, de um registo, distintos do tom, do estilo, da forma, do registo de Francisco Louçã. Na política, não há absolutos (e os totalitarismos não são para aqui chamados), mas esta experiência pode resultar num modo diferente de fazer política. Melhor ou pior, é a incógnita. Estas palavras não encerram nenhum elogio ou crítica, ficam suspensas no tempo até que o tempo deixe perceber melhor o que esta foto esconde ou desvela.

Dezembro 16, 2012

Trinta anos de fantasmas

Miguel Marujo

 

É impossível fazer a lista definitiva do ano que agora acaba. Não ouvimos todos os discos que queríamos; há muitas canções que ainda ressoam no ar à espera de outro tempo para a escuta, há discos que porventura só tropeçaremos daqui a muito tempo, a destempo de quaisquer listas. Recordamos este 2012 naquilo que nos interessa, nas coisas e pessoas que merecem ser citadas. Já se sabe: os afetos não se explicam. Como neste caso, em que a nossa escolha é afinal uma compilação que percorre 30 anos de música – até 2012. Não que o ano não tenha sido fértil em possíveis álbuns do ano, de Andrew Bird a Cat Power, de Fiona Apple a Beach House, de Leonard Cohen a Paul Buchanan. Mas os afetos também se explicam: A Victim of Stars (1982-2012), de David Sylvian, resume 30 anos de carreira a solo do antigo vocalista dos Japan e sintetiza um caminho invulgar da história da pop.

Há um fantasma que abre este duplo álbum: Ghost, que vem dos Japan, a sua banda de origem, aqui numa remistura de 2000, de uma anterior compilação, Everything and Nothing, edição luxuriante, mas menos atenta ao detalhe temporal e histórico desta A Victim of Stars. Mas Ghost não é o fantasma dos Japan, antecipa antes o que mais tarde David Sylvian nos dará a descobrir. O registo cronológico permite estas descobertas e leituras. A cada álbum, o britânico baralhou-nos os sentidos, no experimentalismo sonoro ou no lirismo musical, cruzados em perfeita sintonia, sintonizados na voz deste artesão. Mas há detalhes, timbres e vibrações que percorrem estes 30 anos como marca do artífice – mesmo quando em colaboração com outros. E os outros têm também espaço e tempo aqui.

Depois o primeiro CD viaja por Bamboo Houses e Bamboo Music, single de 1982, cartão de visita da carreira a solo que parece (insistimos) revisitar os 30 anos que se seguem. E Forbidden Colours, com Ryuichi Sakamoto, é um pequeno monumento pop que plana até Heartbeat, outro fresco que nos chega da obra do pianista e compositor japonês.

A narrativa das colaborações de Sylvian marca aliás este álbum, que não deixa de fora nenhum dos seus trabalhos vocais (os álbuns instrumentais, muitas vezes longos, minimais, intraduzíveis, ficam à porta desta coletânea). Além de Sakamoto, há Robert Fripp, Mark Isham, Jon Hassel, Evan Parker, Holger Czukay. E há lugar para quatro temas que David Sylvian nos trouxe nas experiências coletivas de Rain Tree Crow e Nine Horses. Registe-se a ausência do dueto com Virginia Astley, Some Small Hope, que nasceu à sombra de Secrets of the Beehive, opus maior da pop de Sylvian. Álbum de culto, esta obra de 1987 vive aqui com três temas – Let the Happiness In, Orpheus, Waterfront – que nos conduzem até Pop Song, uma "antipopsong" que vive desta aparente contradição. Como toda a obra de Sylvian: a sua música é pop de primeira água – mesmo que hoje se aventure por terrenos onde pede a atenção, toda a atenção e disponibilidade aos ouvidos de quem ouve. Para que escutem, sem pressas, sem concessões.

Desde Blemish (2003) que David Sylvian acentua esse lado experimental em sucessivos álbuns de originais, de canções ou instrumentais, ou entregando as suas criações à recriação e linguagem de outros. E esta compilação traduz esses resultados, rematados no inédito Where’s Your Gravity?, síntese perfeita da matéria dada e revista deste duplo álbum. De fantasmas.

David Sylvian
A Victim of Stars (1982-2012)
Virgin/EMI Music

 

[texto publicado no QI, suplemento de cultura do DN de ontem, numa escolha pessoal do álbum do ano.]

Dezembro 14, 2012

A América

Miguel Marujo



Um rapaz de 20 anos nos EUA não tem autorização para beber álcool. Mas pode ter licença de porte de arma. Hoje um rapaz de 20 anos* matou pelo menos 27 pessoas, incluindo 14 ou 18 crianças, conforme as fontes. [foto Michelle McLoughlin/Reuters/Público]

* - o post foi escrito com a indicação desta idade [20], mais tarde corrigida pela polícia para 24. Mas o ponto do post permanece pertinente: a facilidade com que se compra e se possui armas nos EUA explica esta "síndrome" violenta. [nova adenda: a polícia voltou a identificar o atirador como tendo 20 anos.]

Dezembro 13, 2012

Sem pestanejar

Miguel Marujo

Que uma senhora lance a suspeita sobre todo um conjunto de pessoas, não nomeando nem apresentando provas, é algo que só pode ser condenado. Mas como vem de quem vem, há uma complacência obscena. Não importa: lance-se a ignomínia, um dia saberemos que foi assim, ou não, mas não interessa. Cheira mal, tudo isto - e vem de longe, neste caso.

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