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Cibertúlia

Dúvidas, inquietações, provocações, amores, afectos e risos.

Outubro 16, 2012

Sobre a justiça equitativa papagueada por Gaspar: os três salários mais elevados são os menos penalizados

Miguel Marujo

Variação no IRS do trabalhador face a 2012

 

 

 

 

   

Casos tipo

         
 

Valor a pagar de imposto*

   

Salário base mensal, em euros

2012

2013

Var.

   

Menor ou igual a 570

0

0

     

600

15,53

28,01

80%

 O mais penalizado

1000

88,29

122,73

39%

   

1500

210,79

285,23

35%

   

3000

720,1

868,28

21%

 O menos penalizado

5000

1390,43

1725,51

24%

   

10000

3320,83

4081,23

23%

   
           

* Ainda sem deduções à coleta

Outubro 16, 2012

Gaspar, político

Miguel Marujo

Desengane-se quem vê em Gaspar, Vítor Gaspar, o técnico que foi tomando gosto à política e, qual aprendiz, debita chavões ideológicos mal cosidos e escassamente alinhavados. Há no ministro das Finanças um reconhecimento técnico (público) alicerçado (por este público) em menos que nada: i) não se lhe conhecia uma ideia para o país e já percebemos que o currículo pode ser composto de nomes institucionais sonantes, sem que alguma vez o seu percurso seja questionado (e o exemplo de António Borges está aí escancarado para nos alertar para isto; ou noutro nível os de Vítor Constâncio e Durão Barroso); ii) todas as previsões técnicas pedidas a Gaspar caíram no imenso saco sem fundo de falhanços, retirando qualquer credibilidade a este "rapaz de Chicago".

Há nele, antes, um profundo jogo político disfarçado de suposta boa educação ou de ironia bem amanhada. Gaspar não dá ponta sem nó e é com indisfarçável gozo que desdenha de Krugman, manipulando Gaspar grosseiramente as conclusões do FMI e esquecendo de propósito as declarações de Lagarde e Blanchard, assim como é com toda a conta, peso e medida que se atira a Cavaco Silva, por interposto Krugman, para 25 minutos depois, "confessar com algum embaraço" que não leu nem ninguém lhe deu a ler as palavras do Presidente da República. O senhor que o convidou para o Conselho de Estado deve estar a esta hora a pensar que há precedentes que não se abrem - este, foi um deles.

 

 

PS: E não preciso de enumerar a forma autoritária como gosta de tratar a comunicação social, com ralhetes em público ou acabando abruptamente uma conferência de imprensa, como a de hoje, quando ainda estavam inscritos dois jornalistas e sobravam 5 minutos.