Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Cibertúlia

Dúvidas, inquietações, provocações, amores, afectos e risos.

Agosto 10, 2012

Sobre o rigor das palavras

Miguel Marujo

A propósito do artigo que hoje escrevo no DN, sobre "espionagem" alegadamente feita pelo PCP (é o termo), fui acusado (sou um dos dois jornalistas que hoje escreveu na imprensa sobre o tema) por um historiador de "manipular" as afirmações de Zita Seabra. Deixei este comentário no mural (facebook) de Rui Bebiano - o historiador em causa - perante o que para mim é uma interpretação muito pouco rigorosa sobre as afirmações da antiga dirigente comunista:
"Caro Rui, eu ouvi e transcrevi palavra a palavra a conversa de Mário Crespo e Zita Seabra. Sou um dos dois jornalistas que hoje escreveu sobre o tema e não acho que tenha posto na boca de Zita palavras e ideias a entrevista (que ela não refuta). Como jornalista, sinto-me ofendido que um historiador que prezo diga que manipulei as palavras de Zita e que é uma "versão falsa". Lamento, mas posso devolver-lhe essa do "vale tudo".
Transcrevo Zita:
«A [empresa] do ar condicionado era uma empresa particularmente simpática do ponto de vista da guerra fria, do ponto de vista do PCP porque os ares condicionados entravam em tudo o que eram gabinetes...» (e ri-se, sendo interrompida por Crespo); e acrescenta: «Era muito frequente brincar-se: "em que gabinete estará aquele ar condicionado". Do Ministério da Defesa, ...» E é de novo interrompida por Crespo.
Mais à frente, perante a questão se «faria sentido a colocação de equipamento de escutas integrado em...», Zita Seabra acrescenta sem o deixar acabar: «Em tudo o que eram ministérios, sítios nevrálgicos e órgãos de poder. Eu não posso afirmar que tive conhecimento que estavam microfones em tudo o que era ares condicionados, mas posso dizer que era uma empresa obviamente estratégica para o PCP e para a RDA.»"

Agosto 10, 2012

A espionagem que veio com o frio

Miguel Marujo

«A antiga dirigente do PCP Zita Seabra sugeriu que os comunistas usavam os aparelhos de ar condicionado para espiar "tudo o que eram ministérios, sítios nevrálgicos e órgãos de poder", instalados nos anos 1980 pela FNAC - Fábrica Nacional de Ar Condicionado. A empresa era propriedade de Alexandre Alves, conhecido por "barão vermelho" por ser comunista e benfiquista, e que voltou a ser notícia esta semana por o Governo ter rompido o contrato com o empresário para a construção de fábricas de painéis solares em Abrantes.»