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Cibertúlia

Dúvidas, inquietações, provocações, amores, afectos e risos.

Março 05, 2012

Sem pudor

Miguel Marujo

Fui dirigente associativo juvenil (no MCE), organização que vivia com as quotas dos seus militantes e apoios do Estado e da Igreja. (Já aqui o disse, várias vezes.) Uma vez por ano, o MCE realiza(va) o seu Conselho Nacional, e na sua preparação procurávamos apoios para o fazer (para além da inscrição que todos pagavam) - que normalmente se traduziam num banco a disponibilizar umas pastas e blocos e esferográficas. Nada mais.

 

Depois de ter visto (hoje) que o Congresso dos Magistrados do Ministério Público foi patrocinado por quatro bancos, uma seguradora, e outras quatro empresas (ver imagem em baixo), pergunto-me se todas deram pastinhas. Não, claro que não. (E há ainda media partners que é uma coisa bizarra, mas que mostra bem como o jornalismo de secretária, hoje, é substituído pelo jornalismo patrocinado.) Segundo reportagem da SIC, estes apoios fizeram com que o preço de inscrição não fosse tão caro como seria.

 

Perguntas para queijo: quando um magistrado destes acusar um médico de ir a um congresso pago por uma farmacêutica fá-lo com que legitimidade? Quais as expectativas das empresas que patrocinaram a coisa? Estes magistrados pedirão escusa se tiverem de julgar alguma destas empresas?

 

Pergunta antiga: porque têm magistrados um sindicato? Não são os magistrados um orgão de soberania?

 

Com magistrados destes, podemos esperar um país melhor? Não. Pois não.