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Cibertúlia

Dúvidas, inquietações, provocações, amores, afectos e risos.

Fevereiro 04, 2012

Não vem daí grande mal ao mundo. Não faz mal a ninguém

Miguel Marujo

«A propósito do Acordo Ortográfico, Miguel Sousa Tavares diz que “o Brasil é o único país que recebeu a língua de fora e que impõe uma revisão da língua ao país matriz”. Sinceramente, não vem daí grande mal ao mundo. Portugal maltratou a sua língua durante anos e anos, desinteressando-se da sua gramática, do seu ensino e da sua correção – além de pensar que se tratava de uma espécie de “doação” concessionada ao resto do mundo. Não é. A língua (ortografia incluída) é de quem a fala, de quem a usa e de quem a transforma diariamente. Se o Brasil tomou a dianteira, pergunte-se o que Portugal fez em prol da Língua, que agora parece ser “um bem estratégico”. E os escritores? Não lhes cabe defender acordos ortográficos, evidentemente. Cabe-lhes escrever – bem, se possível.» (22.9.2009)

 

«O governo decidiu ontem que, em Portugal, a aplicação do acordo ortográfico nas escolas começará no próximo ano letivo – e a administração pública tê-lo-á a partir de janeiro de 2012. É uma corrida contra o tempo e o Brasil está à frente. Portugal esperou que Angola e Moçambique assinassem o protocolo mas não percebeu que, mal o acordo entrasse em vigor no Brasil, nada havia a fazer e que daqui a uns anos haverá apenas uma versão de ‘português’ na internet. Cada um escreverá literatura como quiser, e não haverá coimas, perseguições e castigos públicos; mas a existência de uma norma ortográfica não faz mal a ninguém. A língua é uma máquina flutuante e o Português não nos pertence por inteiro. Na verdade, não são as musas que choram; são as consoantes mudas, sobretudo.» (10.12.2010)

 

Francisco José Viegas, secretário de Estado da Cultura, desde Julho de 2011, que já escrevia em 2009 de acordo com a nova ortografia

Fevereiro 02, 2012

Da greve

Miguel Marujo

Tendo a concordar com Augusto Santos Silva (no seu Facebook) sobre mais esta greve de transportes de que «não há (...) quem perceba isto - e tire as devidas conclusões, isto é, que se deve lutar, sim, mas mantendo o apoio popular à luta, o que entre outras coisas significa usar toda a paleta de ações de luta ao nosso dispor e ir para a greve não como rotina mas sim como ato de último recurso?»

 


O tiro ao alvo (que não cito) é o PCP. Mas também não deixo de notar que os maquinistas da CP hoje apresentaram-se quase todos ao trabalho, ao contrário da greve singular bem mais espatafúrdia que foi a do Natal. For the record.

Fevereiro 01, 2012

A mulher no autocarro e o telefone dela

Miguel Marujo

«É o que te digo, ela pousa de uma maneira, lindaaaaaaaaa, faaantástica, faz a imaginação voar, é o que te digo, tem um corpo lindo, lindo. É. Mas não é magra, não, nada, é bem roliça, mesmo, cheia até. É. Mas pousa de uma maneiraaaaaa. É a Tatão.»

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