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Cibertúlia

Dúvidas, inquietações, provocações, amores, afectos e risos.

Novembro 04, 2011

Coisas óbvias (II)

Miguel Marujo

«[...] O referendo na Grécia justifica-se por várias razões. Em primeiro lugar, porque o remédio de austeridade cega que está a ser imposto altera de forma profunda a relação institucional da Grécia com a Europa. Até aqui o país já era um protectorado de Bruxelas e de Berlim – tal como Portugal –, mas em teoria o plano era de curto/médio prazo, durando até ao final do programa de ajustamento. Agora é diferente. Em troca de um corte de 50% da dívida grega – que, na verdade, assegura aos credores mais do que alguma vez veriam caso o país saísse do euro –, a Europa liderada pela Alemanha propõe uma dieta rigorosa aos gregos durante pelo menos o resto da década. Para garantirem que tudo corre como exigido, a troika instala-se definitivamente em Atenas, com uma equipa de controlo do governo grego liderada por um alemão. Isto é muito mais que a partilha de soberania que o euro implicava desde o início. [...]

 

Em Portugal o governo reagiu a medo à proposta grega. Presume-se que esse medo tenha a ver com o cumprimento das “metas”. Mas não é só isso. O governo tem de saber que, dependendo da situação social, dos contornos de um segundo pacote de resgate (que é uma certeza) e da reestruturação da dívida (outra certeza), Portugal poderá ter de fazer um referendo sobre o euro. Isso não tem de ser nenhuma desgraça, como nos vendem em tom de chantagem – antes pelo contrário. Seja qual for a decisão – e espero que seja um “sim” ao euro –, dará força a governos futuros e um real sentido de pertença à moeda única por parte dos portugueses.» Bruno Faria Lopes, no i