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Cibertúlia

Dúvidas, inquietações, provocações, amores, afectos e risos.

Outubro 30, 2011

A hora mudou

Miguel Marujo

Paulo Portas anda pela Venezuela para negociar com Chávez, um governo pária para a direita quando o governo era (o) outro. Na hora certa, a realpolitik fecha os olhos e muda os ponteiros. Para a hora de Inverno. Eles chamam-lhe diplomacia económica.

Outubro 29, 2011

Novo mundo

Miguel Marujo

Cavaco Silva descobre pasmado um novo mundo: «O Presidente da República, Cavaco Silva, defendeu hoje que a insuficiência de regulação e de transparência está a colocar mesmo as economias mais desenvolvidas "à mercê da volatilidade dos mercados" e apelou à concertação internacional.»

 

«O primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, afirmou hoje na Cimeira Ibero-Americana que o Governo português está a promover "uma ampla concertação social" em apoio a reformas estruturais para "estimular a actividade económica" e "modernizar os serviços do Estado".»

Outubro 28, 2011

No 738

Miguel Marujo

No autocarro, o olhar dela fixava-se na lista de números do telemóvel. Do outro lado ele atende, conversa inaudível no amarelo da Carris. Quando desliga nem se apercebe da fatalidade que se inscreve no visor do telemóvel: "Amor. Chamada terminada."

Outubro 28, 2011

Acabar com o Estado

Miguel Marujo

O Governo quer dar cabo das funções sociais do Estado e da presença do Estado - diz que não, argumenta com a defesa desse mesmo Estado, mas depois pela calada actua como se não quisesse deixar pedra sobre pedra nas fundações básicas do País. Exemplos ao acaso: a destruição lenta do Serviço Nacional de Saúde, para garantir a saúde dos privados e seguradoras, como se percebe no vergonhoso movimento para fechar a Maternidade Alfredo da Costa; o grosseiro aumento dos transportes públicos penalizando uma concepção ambiental de cidade e quem menos tem; e agora a ideia peregrina de fechar o metropolitano de Lisboa às 23h00, e nalguns casos às 21h00 - nas linhas entre o Campo Grande e Odivelas e entre o Colégio Militar e a Amadora, ou seja no serviço para os arredores, numa versão que volta a beneficiar o uso do transporte privado.

Outubro 26, 2011

Incomoda-me, pronto

Miguel Marujo

«Com toda a certeza por falha minha, não percebo a pergunta. Durão? Guterres? Para o assunto em análise não me parece que seja minimamente relevante, nem me incomodo a pensar, um segundo que seja, nisso.

Digo-te o que me incomoda. Incomoda-me gente que reputo de honesta atribuir toda a culpa da nossa situação actual ao anterior Governo. Gente essa que sabe ou devia saber que isso é uma redonda mentira  e mesmo assim repete essa lenga-lenga. Incomoda-me que as pessoas ignorem a maior crise económica e financeira dos últimos cem anos e as suas consequências numa economia pequena e periférica como a nossa. Incomoda-me que tenham descoberto os problemas da Europa e do Euro há meia dúzia de semanas. Incomoda-me que se ignore olimpicamente que antes da crise a nossa dívida pública estava na média europeia. Incomoda-me a conversa criminosa do “viver acima das nossas possibilidades” quando dois milhões de portugueses vivem na pobreza e uma larga maioria dos portugueses sobrevivem com menos de 750 euros mensais que um tipo que ganha 3000 euros seja considerado rico. Incomoda-me que me tenham dito que com cortes nas gorduras e nos gastos intermédios se iam solucionar todos os problemas. Incomoda-me que se tivesse jurado a pés juntos que não se iam subir impostos e depois foi o que foi. Incomoda-me ver um PM dizer que a solução é o empobrecimento. Incomoda-me o estado da justiça, das empresas, dos sindicatos, e, sobretudo, de sentir que estamos numa descida muito íngreme e que vamos espetar-nos definitivamente sem que ninguém faça nada contra isso. Incomoda-me o tiro ao alvo aos políticos e incomodam-me os políticos que dão azo a que isso aconteça. Incomodam-me muitas mais coisas, mas não chegavam mil posts para as dizer todas.

Mas, mais que tudo, chateia-me estar sempre a repetir que achei o anterior governo  péssimo como se tivesse necessidade de arranjar uma desculpa para poder criticar este. Pior, chateia-me começar a sentir que este é capaz de se tornar ainda pior que o anterior.»



Pedro Marques Lopes

Outubro 25, 2011

[Livro de Receitas em tempos de crise]

Miguel Marujo

«Sardinhas de escabeche à moda do Gaspar

Ingredientes (para 8 pessoas)

1 sardinha de Sesimbra
3 colheres de sopa de azeite marca Herdade Senhor dos Aflitos
3 colheres de vinagre marca Quinta da Roubalheira - OE2012
1 c(h)alote

Para o acompanhamento
O discurso televisivo do Gaspar de apresentação do OE2012

Este prato, muito económico, é uma recriação da famosa e tradicional receita portuguesa de antanho conhecida como “uma sardinha dava para três”; mas, claro está, devidamente adaptada aos tempos que correm e aos preceitos da “nouvelle cuisine”. É ideal para festas com amigos e reuniões familiares.

Frite a sardinha numa colher de azeite. Escorra. Use a declaração de impostos do ano passado para retirar o excesso de gordura. Refogue o c(h)alote usando mais uma colher de azeite. Corte a sardinha em 14 partes. Retire duas e meta-as ao bolso. Retire mais cerca de 5% a 8% dos lombos e meta-os ao bolso. Deite o c(h)alote refogado por cima das espinhas, do rabo e da cabeça sobrantes e tempere com o resto do azeite e o vinagre. Reserve. No momento de servir ponha o Gaspar a falar na televisão (ou no computador) da sala de jantar. Entre indisposições, súbitas faltas de apetite e adormecimentos vai sobrar-lhe comida para a refeição seguinte.« [roubado ao Filipe Reis, no seu facebook]

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