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Cibertúlia

Dúvidas, inquietações, provocações, amores, afectos e risos.

Junho 21, 2011

Nobre*, exemplo

Miguel Marujo

Mário Soares foi candidato ao Parlamento Europeu depois de ter sido Presidente da República. Prometia-se a presidência do PE para acomodar um ex-Chefe de Estado, que tinha uma história que falava por si. Não falou, e não ajudou ter chamado dona de casa à que sairia vencedora, Nicole Fontaine. Soares foi derrotado, mas exerceu o seu lugar de deputado (contrariando o que insistentemente repetia Pacheco Pereira, cabeça-de-lista no PSD, na campanha eleitoral, que Soares abandonaria o barco à primeira oportunidade). Ontem, Nobre perdeu e tratou de dizer que assume o lugar de deputado (é o que é suposto, dizemos nós), mas logo acrescentou enquanto entender que "é útil ao país". Será rápido, apostamos.

 

 

 

* - Mário Alberto Nobre Lopes Soares

Junho 21, 2011

Nobre, salsicha

Miguel Marujo

O nobre povo representado na câmara deu um tiro no nobre: caiu ao segundo disparo, sem alcançar os 116 votos necessários, nem mesmo os 108 votos que só os seus pares garantiam. O nobre caído não é um independente que foi sacrificado por isso. Pelo contrário: era um independente que se vestiu de camisa de varas para pedir uma única coisa, a cadeira que ontem lhe negaram. E não foi ontem que o nobre outrora dito independente a perdeu, foi numa serena manhã de um sábado quando disse que só concorria à procura do lugar.

 

Junho 16, 2011

Luas

Miguel Marujo

 

Há tempos a lua inchou. Esta noite eclipsou-se. Quer-me parecer que a senhora é dada a comentar a política portuguesa.


Junho 15, 2011

Da aprendizagem da impunidade

Miguel Marujo

Da Lusa: «Um copianço generalizado num teste do curso de auditores de Justiça do Centro de Estudos Judiciários (CEJ) levou à anulação do teste, mas a direção decidiu atribuir nota positiva (10) a todos os futuros magistrados. Num despacho datado de 01 de junho e assinado pela diretora do CEJ, a desembargadora Ana Luísa Geraldes, a que a agência Lusa teve acesso, é referido que na correção do teste de Investigação Criminal e Gestão do Inquérito (ICGI) "verificou-se a existência de respostas coincidentes em vários grupos" de alunos da mesma sala.»

Junho 14, 2011

Grã-Cruz da Ordem de Cristo (reflexo)

Miguel Marujo

«O Portugal de Cavaco deixou nessas terras esquecidas o bilhete postal que hoje se exibe: pobreza, miséria e abandono. E é preciso ter uma grande lata para vir agora falar nestas gentes entregues à sua sorte e dizer que a «frugalidade e o seu espírito de sacrifício são modelos que devemos seguir». A narrativa sobre o País rural e honrado, pobrezinho e remediado, vem de longe. É uma narrativa velha e relha, com autores conhecidos, agora reciclada para efeitos de austeridade e remedeio.» (Miguel Carvalho)

Junho 14, 2011

Grã-Cruz da Ordem de Cristo

Miguel Marujo

(concedida por destacados serviços prestados no exercício das funções da Administração Pública)

 

«para salvar Portugal de um procedimento comunitário por défices excessivos em 2003, o Governo de Durão Barroso titularizou dívidas fiscais, para receber do Citigroup, de uma só vez, a quantia de 1760 milhões de euros. Mas a ministra das Finanças Manuela Ferreira Leite nunca especificou qual seria o "preço" a pagar pelo Estado. A auditoria do Tribunal de Contas (TC) à operação de titularização, ontem divulgada, refere que, só até Fevereiro de 2010, o custo em juros e despesas de operação foi de 300 milhões de euros».

Junho 14, 2011

Regressar

Miguel Marujo

Aqui estou de regresso. Em Estocolmo, eram escassos os ecos de um país em transição, agrilhoado entre um empréstimo de juros irresponsáveis e umas eleições que abrem a porta a muitas soluções que vão doer ainda mais. Muito mais. Mas ficámos todos mais sossegados com uma Grã-Cruz da Ordem de Cristo para Ferreira Leite e um discurso de António Barreto agora investido de uma moral intocável sabe-se lá porquê. Cinco dias longe de quase tudo ajuda a respirar. Mas no conforto de outros países também nos confrontamos com as nossas supostas fragilidades, para "descobrirmos" que Portugal não é tão mau como o pintam estes barretos do restelo, nem o mundo dito primeiro é exemplo em tudo. Uma nota, pois (sem presunção): fôssemos todos mais viajados, não vivêssemos tão acantonados e o nosso país seria melhor, muito melhor.