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Cibertúlia

Dúvidas, inquietações, provocações, amores, afectos e risos.

Maio 10, 2011

O equívoco de Luís

Miguel Marujo

Luís, longe de mim ter a verdade. Não tenho uma verdade conveniente. Menos ainda beata, apesar de perceber o tirocínio que tentas fazer por não esconder a minha fé e por dela fazer acção cívica e política. Santinhos, beatices e imaculadas deixo-as para quem invoca a senhora de Fátima em luta contra o Prestige. Mas bastaria saberes de que se cose a minha fé e as palavras que leio e que me guiam, para não ires por aí.

 

Não detenho a verdade, mas ao contrário do que dizes não acho que a minha verdade só é boa se for de acordo com o meu voto, ou se só ganhar a minha cor. Acho sempre que o povo (peço desculpa pela linguagem esquerdalha) tem razão mesmo quando vota em Cavaco, e sabe deus como eu não gosto de Cavaco. Não lhe chamo estúpido, ao povo, claro, só porque votou assim. Mas isto sou eu. A verdade, lá está, não a tenho, já o teu post é um despejar de palavras contra, sem argumentos. Os meus estão lá bem escritos. A 6 de Junho, veremos que argumentos terão razão.

Maio 09, 2011

Romper o calor

Miguel Marujo

«O Departamento Central de Investigação e Acção Penal (DCIAP) decidiu abrir um inquérito contra três agências de "rating" internacionais, depois das queixas apresentadas por quatro economistas, confirmou a Procuradoria-Geral da República (PGR). No início de Abril, os economistas José Reis e José Manuel Pureza, da Universidade de Coimbra, e Manuel Brandão e Maria Manuela Silva, do Instituto Superior de Economia e Gestão (ISEG), pediram a abertura de um inquérito contra as agências, alegando que estão a cometer crime de manipulação do mercado.» (da Lusa)

 

 

Há um detalhe nesta notícia, que escapa a muitos, porventura a 99% dos seus leitores: pelo menos, três destes quatro economistas são católicos, que se assumem como tal e que fazem dessa condição parte activa da sua intervenção cívica e política. E rompe com aquela estranha ideia que os católicos se reconhecem apenas numa Escola de Gestão da Católica, que até é escolhida pelo Financial Times como uma das 50 melhores do mundo - sim, na difusão de uma ideologia que espezinha o próximo.

Maio 09, 2011

Este Verão que se antecipa

Miguel Marujo

Não é um Verão quente, daqueles que uns e outros louvam ou desprezam, conforme a sua ideologia se adeque ou não a 1975. É o Verão quente que se instalou nestes dias estranhos de Abril e Maio, com chuvas que lavam a terra quente, dias de sol que se apagam num vento fresco. E neste quotidiano instala-se o calor de palavras supostamente duras, mas em que lendo bem nas entrelinhas apenas se vai formatando a ideia de um centrão salvífico (com pendor para a direita), e que fora dele não há nada. Há. É preciso é saber não nos afogarmos na ideia única. Romper o calor.

Maio 06, 2011

A solução do problema

Miguel Marujo

Ao contrário de Teixeira dos Santos, falso ministro de um governo dito socialista, o eleitor do PS gosta de acreditar que há soluções governativas de esquerda. No actual quadro, em que as sondagens dão um bloqueio a qualquer solução de direita e um empate técnico que obrigará qualquer vencedor (PS ou PSD) a entender-se com outros, talvez valesse a pena à esquerda ensaiar pontes que até aqui têm sido impossíveis. Um PS sem Sócrates não é solução para um entendimento com PSD e CDS, como sonhou no Verão passado Paulo Portas; deve antes ser um PS que procure o BE e o PCP para soluções de um arco de governação à esquerda. Como Lisboa já teve, com tão bons resultados.

Maio 06, 2011

A parte do problema: bloco central de ódio

Miguel Marujo

A cegueira lusitana transparece entre corporativos incapazes de aceitarem uma crítica e reconhecerem um erro, delapidando o que diziam ontem com os factos de hoje e atacando supostas e fantasiosas secções laranjas de jornais porque, no fundo, apenas desejam um jornalismo acéfalo que não questione e que seja pé de microfone das suas ideias e líderes. E porque apenas desejam manter um estado de coisas que seja o dos seus. Do outro lado, há alberguistas que derramam raiva a uma só pessoa, como se os seus não tivessem pactuado e assinado de cruz todos os documentos que insistem em atacar, escondendo que os passos a dar são a destruição do que vai restando de um certo estado social, para os entregar a uma agenda ainda mais neoliberal. Depois ficam muito admirados com as sondagens.

 

O engraçado disto vai ser ver estes dois grupos arregimentados num bloco central de governação depois de 5 de Junho, obrigados a entenderem-se, roídos de ódios. E querem que se aceite isto como inevitável.

Maio 06, 2011

A parte do problema: o ministro mentiroso

Miguel Marujo

Teixeira dos Santos veio ontem saudar o facto de PS, PSD e CDS serem "parte da solução". O ministro mentiroso (mentiu no PEC I, PEC II, PEC III e no PEC IV) que abriu portas a uma morte lenta do Estado Social, que tornou cada exercício de contas numa mera retórica ilusória, de um governo dito socialista, veio saudar a solução do PSD e CDS, que aplaudem com indisfarçável vigor a liberalização excessiva de sectores da economia e da sociedade que os portugueses não votaram em 2009. E Teixeira dos Santos ataca o BE e o PCP por serem "parte do problema", mantendo o País "num PREC permanente", quando o natural seria um ministro dito socialista tentasse governar à esquerda, com quem está à esquerda.

 

O problema é que mais uma vez Teixeira dos Santos mente. Com os dentes todos, a parte do problema é ele - e as suas políticas mentirosas. Os sacrifícios que ele pede (mais uma vez) aos portugueses são aos mesmos de sempre, a quem é fácil obrigar a pagar a factura. O ministro que é o problema devia ter vergonha na cara e pedir desculpa.

 

Bater com a porta é desnecessário, apesar de agora ter montado uma campanha do ministro bom face ao primeiro-ministro mau e de andar a deixar escapar que está em colisão com Sócrates. Não: Teixeira dos Santos é um ministro péssimo que está em rota de colisão com o País.