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Cibertúlia

Dúvidas, inquietações, provocações, amores, afectos e risos.

Março 14, 2011

Nuclear

Miguel Marujo

A ameaça nuclear que paira sobre o Japão faz-nos lembrar o óbvio: nuclear, não obrigado. E é ver os senhores que há uns tempos andavam por cá a defender as centrais nucleares caladinhos...

Março 12, 2011

Sim, eu fui

Miguel Marujo

 

 

 

... e a M. e a miúda também.

 

Os cínicos agora assobiam ou comentam o acessório, como Pacheco a dizer que o jornalismo regressou ao PREC ou Mega Ferreira a pegar-se por um dos promotores ser bolseiro. Eles não entenderam nada do dia de hoje, não percebem que muitos estão cansados - não da política, mas destas políticas. Os muitos que hoje desceram a Avenida e entupiram o Rossio, que inundaram os Aliados, e saíram à rua noutras cidades, disseram que é preciso contar com eles, não para dizer mal da política, mas sim para mudar de políticas. No fim, os pachecos e os megas desta vida e Sócrates e Passos e Durão talvez percebam que esta política não é inevitável. Inevitável é a tua tia, dizia um cartaz. Tal qual.

 

 

(foto Público, no Rossio)

Março 12, 2011

hoje

Miguel Marujo

Manifesto

 

Nós, desempregados, “quinhentoseuristas” e outros mal remunerados, escravos disfarçados, subcontratados, contratados a prazo, falsos trabalhadores independentes, trabalhadores intermitentes, estagiários, bolseiros, trabalhadores-estudantes, estudantes, mães, pais e filhos de Portugal.

Nós, que até agora compactuámos com esta condição, estamos aqui, hoje, para dar o nosso contributo no sentido de desencadear uma mudança qualitativa do país. Estamos aqui, hoje, porque não podemos continuar a aceitar a situação precária para a qual fomos arrastados. Estamos aqui, hoje, porque nos esforçamos diariamente para merecer um futuro digno, com estabilidade e segurança em todas as áreas da nossa vida.

Protestamos para que todos os responsáveis pela nossa actual situação de incerteza – políticos, empregadores e nós mesmos – actuem em conjunto para uma alteração rápida desta realidade, que se tornou insustentável.

Caso contrário:

a) Defrauda-se o presente, por não termos a oportunidade de concretizar o nosso potencial, bloqueando a melhoria das condições económicas e sociais do país. Desperdiçam-se as aspirações de toda uma geração, que não pode prosperar.

b) Insulta-se o passado, porque as gerações anteriores trabalharam pelo nosso acesso à educação, pela nossa segurança, pelos nossos direitos laborais e pela nossa liberdade. Desperdiçam-se décadas de esforço, investimento e dedicação.

c) Hipoteca-se o futuro, que se vislumbra sem educação de qualidade para todos e sem reformas justas para aqueles que trabalham toda a vida. Desperdiçam-se os recursos e competências que poderiam levar o país ao sucesso económico.

Somos a geração com o maior nível de formação na história do país. Por isso, não nos deixamos abater pelo cansaço, nem pela frustração, nem pela falta de perspectivas. Acreditamos que temos os recursos e as ferramentas para dar um futuro melhor a nós mesmos e a Portugal.

Não protestamos contra as outras gerações. Apenas não estamos, nem queremos estar à espera que os problemas se resolvam. Protestamos por uma solução e queremos ser parte dela.

 

Manifesto da Geração À Rasca (pdf)

Março 11, 2011

Porreiro, pá

Miguel Marujo

(foto Reuters)

 

Depois de Teixeira dos Santos ter anunciado mais medidas de austeridade, José Sócrates encontrou-se com os seus pares. Com motivos para sorrir, foi louvado pelo Presidente de direita francês Sarkozy e pela chanceler de direita alemã Merkel. Elucidativo.

Março 11, 2011

À rasca

Miguel Marujo

Hoje Teixeira dos Santos fez o último apelo à participação na manifestação de muitas gerações à rasca. E voltou a confirmar aquilo que já sabíamos: de cada vez que ele nega que virá pior, mente com os dentes todos. E depois percebe-se porque não percebem políticos e opinadores a manif de amanhã.

Março 10, 2011

Precários

Miguel Marujo

Os deputados descobriram-se precários, com a perspectiva de uma legislatura interrompida. Da direita, Portas avisa que mais vale um emprego precário na mão, do que o desemprego. Trata-se do grau zero da política: apostar no mínimo denominador comum. Mas nenhum deputado será precário como os precários de facto. O que uns e outros ganham, faz a diferença, e qualquer precário trocaria com Portas. Ele e' que nao.

Março 10, 2011

Da memória: palavras tardias

Miguel Marujo

«[...] Apelar a medidas conjunturais de combate ao desemprego não custa se não se disser quais. Apelar aos jovens e a um sobressalto cívico depois de ter enxameado o país de universidades de vão de escada quando foi primeiro-ministro, instituindo a cultura do salve-se quem puder e se puder tente salvar-se à sombra de um partido com um diploma obtido sabe-se lá como, não é bonito. Falar em reformas depois de ter estado mais de uma década no poder como primeiro-ministro e após cinco anos em Belém, falhando as reformas de que o país nessa altura, como hoje, carecia, deixando-o envolto em sombras, escândalos e entregue aos BMW do bloco central dos interesses que geraram os BPN e BPP da nossa desgraça recente, para vir agora fazer um discurso como o que produziu, deixa antever o pior. Ignorar o que aconteceu em Wall Street, na Irlanda ou na Grécia, revela a existência de uma agenda própria. E falar em transparência do Estado e das instituições é de quem já se esqueceu do caso das escutas, da protecção aos amigos e da falta de esclarecimentos sobre os negócios em que andou metido com Oliveira e Costa e o clã da Coelha. Pagar impostos todos pagamos, mas nem todos o conseguem fazer pelas razões que ele o fez, mesmo que o quisessem. [...]» (Sérgio de Almeida Correia)

Março 09, 2011

A memória das barricadas

Miguel Marujo

Vale a pena a memória. No início dos 90, a polícia de Dias Loureiro, nos tempos de Cavaco-primeiro-ministro e Ferreira Leite-ministra foi à bastonada correr com a geração rasca. Esta ganhou o nome de um artigo tonto de Vicente Jorge Silva que pegou em excessos de meia dúzia para caracterizar quem sentia na pele o destrambelhamento da política educativa de Cavaco (anos depois confirmada e atestada: o desastre da política das propinas é a evidência máxima). O PS, antes de Sócrates, indignou-se, fez suas algumas bandeiras daquela geração que, já então, Ivan Nunes caracterizava como à rasca (em resposta a VJS). Que aprenderam os políticos de então? Pouco, nada. Cavaco continua a usar os jovens como verbo de encher. E o PS de hoje acusa o toque corporativo e reage como o PSD de Cavaco, num mimetismo triste.

Vale sempre a pena lembrar. O Cavaco de hoje muito contristado com o país e os jovens e a década perdida foi aquele que desperdiçou uma década de dinheiros a jorro, hipotecando o ensino superior numa lei do financiamento que só serviu para atar propinas a quem anda nas universidades, protelando a educação numa reforma inconsequente enquanto apostava em auto-estradas e betão e na venda de pescas e agricultura. Relatório longo que se traduz na frase lapidar de hoje de que "os portugueses não são estatísticas abstractas" dita pelo "homem que nos tratou a todos como números" (como escreveu alguém avisado no facebook). Ou que apela aos jovens a sobressaltarem-se, ele que respondeu com boca cheia de bolo-rei às críticas.

A memória de cada barricada dá nisto: triste imagem de quem nos manda.