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Cibertúlia

Dúvidas, inquietações, provocações, amores, afectos e risos.

Março 12, 2011

Sim, eu fui

Miguel Marujo

 

 

 

... e a M. e a miúda também.

 

Os cínicos agora assobiam ou comentam o acessório, como Pacheco a dizer que o jornalismo regressou ao PREC ou Mega Ferreira a pegar-se por um dos promotores ser bolseiro. Eles não entenderam nada do dia de hoje, não percebem que muitos estão cansados - não da política, mas destas políticas. Os muitos que hoje desceram a Avenida e entupiram o Rossio, que inundaram os Aliados, e saíram à rua noutras cidades, disseram que é preciso contar com eles, não para dizer mal da política, mas sim para mudar de políticas. No fim, os pachecos e os megas desta vida e Sócrates e Passos e Durão talvez percebam que esta política não é inevitável. Inevitável é a tua tia, dizia um cartaz. Tal qual.

 

 

(foto Público, no Rossio)

Março 12, 2011

hoje

Miguel Marujo

Manifesto

 

Nós, desempregados, “quinhentoseuristas” e outros mal remunerados, escravos disfarçados, subcontratados, contratados a prazo, falsos trabalhadores independentes, trabalhadores intermitentes, estagiários, bolseiros, trabalhadores-estudantes, estudantes, mães, pais e filhos de Portugal.

Nós, que até agora compactuámos com esta condição, estamos aqui, hoje, para dar o nosso contributo no sentido de desencadear uma mudança qualitativa do país. Estamos aqui, hoje, porque não podemos continuar a aceitar a situação precária para a qual fomos arrastados. Estamos aqui, hoje, porque nos esforçamos diariamente para merecer um futuro digno, com estabilidade e segurança em todas as áreas da nossa vida.

Protestamos para que todos os responsáveis pela nossa actual situação de incerteza – políticos, empregadores e nós mesmos – actuem em conjunto para uma alteração rápida desta realidade, que se tornou insustentável.

Caso contrário:

a) Defrauda-se o presente, por não termos a oportunidade de concretizar o nosso potencial, bloqueando a melhoria das condições económicas e sociais do país. Desperdiçam-se as aspirações de toda uma geração, que não pode prosperar.

b) Insulta-se o passado, porque as gerações anteriores trabalharam pelo nosso acesso à educação, pela nossa segurança, pelos nossos direitos laborais e pela nossa liberdade. Desperdiçam-se décadas de esforço, investimento e dedicação.

c) Hipoteca-se o futuro, que se vislumbra sem educação de qualidade para todos e sem reformas justas para aqueles que trabalham toda a vida. Desperdiçam-se os recursos e competências que poderiam levar o país ao sucesso económico.

Somos a geração com o maior nível de formação na história do país. Por isso, não nos deixamos abater pelo cansaço, nem pela frustração, nem pela falta de perspectivas. Acreditamos que temos os recursos e as ferramentas para dar um futuro melhor a nós mesmos e a Portugal.

Não protestamos contra as outras gerações. Apenas não estamos, nem queremos estar à espera que os problemas se resolvam. Protestamos por uma solução e queremos ser parte dela.

 

Manifesto da Geração À Rasca (pdf)