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Cibertúlia

Dúvidas, inquietações, provocações, amores, afectos e risos.

Fevereiro 14, 2011

Mau tempo

Miguel Marujo

Chuvas, ventos fortes, frio. São dois de folga, dois dias em casa a ver as janelas fustigadas. Não faz mal: são dois dias de gracinhas.

Fevereiro 13, 2011

Gestos

Miguel Marujo

Não se gatinha, dá-se saltinhos para o lado e assim se descobre o espaço em volta. Diz-se olá, mesmo que a saudação seja imprevista. Faz-se adeus a quem sai ou pffff à fralda que se sabe cheirosa. As gracinhas, dizem, deixam os pais embevecidos. Qual quê: estes pequenos gestos quotidianos deixam qualquer um embevecido.

Fevereiro 12, 2011

Mudar. Mais

Miguel Marujo

No Egipto, mudou em duas semanas o que três décadas não conseguiram. Em Portugal, bastou um dia. A comparação pode parecer gratuita, mas não é. Teme-se, já o escrevi, que o fundamentalismo tome conta do futuro egípcio - como se a ditadura de Mubarak fosse melhor. Teme-se que os islamistas tomem o poder, como se por cá não tivéssemos tido (também nós) uma longa jornada para a democracia. Conquistada na manhã clara de 25 de Abril, cumpriu-se sucessivamente nos meses seguintes: a 1 de Maio, na grande manif da Alameda, por exemplo; nas eleições da Constituinte; no 25 de Novembro, sim; nas primeiras eleições legislativas; e nas primeiras presidenciais. E por aí fora. Pedir ao Egipto que tenha uma democracia pronta ao virar da esquina é esquecer a história das democracias ocidentais, é pedir o que nunca nos exigimos.

Fevereiro 12, 2011

Mudar

Miguel Marujo

O mundo há tempos mudou tanto em 15 dias que o primeiro-ministro deste país fez disso prova de vida. Agora o Bloco de Esquerda mudou o que acha sobre censurar o Executivo em 5 dias. É escusado lembrar como Passos Coelho tem mudado de opinião sobre assinar o orçamento com o Governo e criticar as medidas que constam desse orçamento. Ou como Paulo Portas desenvolve a longa pirueta de ter ajudado a enterrar o cavaquismo enquanto se atrela a Cavaco. A coerência mora no PCP, dir-me-ão, imutável no seu mutismo, mas mesmo esse muda a opinião, quando os seus deputados zurzem nas redes sociais o BE por causa da moção que terão de aprovar. Estas mudanças fazem o jogo político, rasgar as vestes por causa do gesto bloquista é tolice. Porque esconde uma hipocrisia: queriam mandar o Governo abaixo? É esta a oportunidade. Qualquer outra decisão é dizer que o Governo governa mal, mas só o mandamos abaixo quando as sondagens ajudarem.

Fevereiro 04, 2011

Perguntas parvas

Miguel Marujo

A nova canção dos Deolinda, Parva que sou, é obviamente o hino de uma geração a quem roubam quase tudo - o emprego, o escasso ordenado que ganham... E que o Governo insiste em maltratar. Hoje, José Manuel Fernandes (JMF), antigo director do Público, pega nesta canção para dizer, na sua coluna de opinião no Público, "tudo o que espoliámos à 'geração sem remuneração'" - e acabar no ataque óbvio aos "direitos adquiridos" e na necessidade de mudar o sistema de pensões (as nossas, nunca a dele ou a dos presidentes que acumulam reformas). Também escreve JMF que "pagam-lhes [aos jovens] contra recibos verdes" ou (citando os Deolinda) "Já é uma sorte eu poder estagiar..."

 

Apetece apontar o dedo. Para lá do plural majestático do espoliámos, o acto de contrição de JMF é muito colectivo, nada individual. O registo típico dos Campos-e-Cunha-Medinas-Carreira-Vítores-Bento deste país.

 

E pergunta-se: nos longos anos em que JMF foi director do Público (com lugar na administração do jornal) quantos estagiários não remunerados empregou ele? Quantos jornalistas manteve ele a recibos verdes? Quantos jornalistas estagiários foram chutados ao fim de meses para voltar a empregar mais alguns sem remuneração? São perguntas parvas, já se vê. Mas a culpa é dele. Podia ter mudado alguma coisa, nunca o fez.