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Cibertúlia

Dúvidas, inquietações, provocações, amores, afectos e risos.

Novembro 30, 2010

Desde 1967, o mesmo pensamento...

Miguel Marujo

«A alínea 12 colocava uma questão directa: “Sua posição e actividades políticas”. Na linha de baixo, num momento em que António de Oliveira Salazar - então com 78 anos - cumpria o seu 35.º ano como líder da ditadura, Cavaco Silva escreveu: “Integrado no actual regime político”. Deixou mais uma linha e acrescentou: “Não exerço qualquer actividade política”. [...]

Os funcionários da PIDE recolheram informações sobre o “porte moral e político” do então professor e investigador, os homens indicados por Cavaco Silva foram contactados, e o agente Amorim concluiu que “moral e politicamente nada se conseguiu apurar em seu desabono”.»

 

 

[sublinhados nossos de um trabalho sempre inteligente do Pedro Jorge Castro, na Sábado]

Novembro 28, 2010

2.0

Miguel Marujo

Antes, quando se mostravam as fotos dos filhos, puxava-se da carteira. Hoje sacamos do telemóvel.

Novembro 26, 2010

A porta da rua é a serventia da casa

Miguel Marujo

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

«O ministro de Estado e das Finanças advertiu hoje que Portugal, a par do processo de consolidação orçamental, terá de "aprofundar" reformas no mercado de trabalho.» Já se adivinhava: este discurso castrador da inevitabilidade de um orçamento assim como solução única fazia desconfiar que viesse aí dose mais violenta. O que Teixeira dos Santos hoje disse é que as empresas devem poder despedir sem empecilhos. Preto no branco: aos incompetentes, mostra-se a porta da rua, não é necessário flexibilizar aquilo que já é tremendamente flexível (alguém conhece legislação mais liberal que a nossa, que evita que os jovens entrem a sério no mercado de trabalho?!). Mas o problema é não podermos aplicar a quem falha redondamente há três anos (2008, 2009 e 2010) as suas previsões e contas e cortes uma maior flexibilidade: a porta da rua para Teixeira dos Santos. Com ou sem remodelação, aí sim estaríamos a aprofundar a reforma do mercado de trabalho.

Novembro 24, 2010

Greve

Miguel Marujo

Com o Benfica derrotado sem apelo nem agravo, o Governo só pode retirar uma leitura: a greve foi retumbante. E o País afunda-se.

Novembro 24, 2010

A greve

Miguel Marujo

A greve é um exercício fundamental para qualquer sociedade. Diziam-me há dias que, sendo de esquerda, devia fazer. Ripostei - e mantenho - que, à direita, se o orçamento é tão mau a greve também é um acto consequente (give me a break: Passos Coelho que deu a mão a estas medidas draconianas e sonhava com mais cortes, compreende, mas não pode fazer greve). Adiante: a consequência será maior quanto maior for o número de serviços (mais até do que pessoas) a pararem.

Independentemente dos custos da greve, vejo pela primeira vez gente a fazer, que tinha dado ainda um último voto ao PS, que acreditava num projecto que não fosse mais do mesmo, e que não se dedicasse a dar cabo das valências sociais do Estado, a levar pela mão os grandes gestores, triturando ainda mais o funcionário público (óptimo bode expiatório) ou quem paga honestamente impostos sem poder escapar. Aderir a uma greve, ainda assim, sobretudo no sector privado, é mais complicado do que nos querem fazer crer. Por isso, apesar de entender e compreender muitos também não a farão. E não é ter medo, como simplisticamente se diz. É um futuro negro que se desenha e que não ajuda a perceber os caminhos ínvios por onde se mexem muitas empresas privadas. Até nisto, este Governo e esta democracia têm falhado. Este blogue faz greve (mesmo que não se confunda o blogue com a vida do autor). Greve de palavras. Porque é preciso resistir. E defender outra política, uma nova economia.

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