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Cibertúlia

Dúvidas, inquietações, provocações, amores, afectos e risos.

Outubro 31, 2010

Elogiar a crise, olharmo-nos ao espelho

Miguel Marujo

«[...] Habituámo-nos a que personagens como Valentim Loureiro ou Alberto João Jardim fossem tidas como figuras cómicas em vez de desastres para a nação. Cruzámos os braços. Não fomos votar no referendo do aborto. Comprámos, por fim, a casa. Crescemos entre a abundância parola dos centros comerciais e o medo do risco, esse legado de uma ditadura tão insuficiente como pacóvia, que se agarra a nós como um polvo durante o cio. Portugal: o país de rabo entre as pernas, pobre, mas que se comporta como novo-rico. Tivemos professores obsoletos que anunciavam que nunca dariam mais de doze valores num exame, deixámos de acreditar que o mérito abre caminho, passámos a vida a empurrar elefantes na areia para chegar a algum lado. Num conciso exercício de clarividência, o presidente da Liga de Futebol descreveu-nos: “Somos muito resistentes à mudança.” – o país num cartão postal: futebol e pasmaceira. [...]» (Hugo Gonçalves)

Outubro 30, 2010

Chuvas

Miguel Marujo

Era ler ontem os blogues à direita. Todos entusiasmados porque Costa teria sido arrastado na enxurrada de Lisboa, esquecendo que ontem «na cidade, entre as 10 e as 11.00 da manhã, caíram 39 litros de água por metro quadrado, número não muito distante dos 50 litros que caíram na Madeira em Março, também só numa hora». Se com a tragédia da Madeira, não se podia fazer politiquice, com as inundações de Lisboa já não faz mal.

Outubro 28, 2010

Coisas más

Miguel Marujo

As coisas más não as queremos. Desde pequeninos que nos ensinam - fugir dos maus. E nós fugimos. Às vezes, é impossível. Sobretudo quando caminhamos na idade e nos aparecem coisas más que não controlamos. A única excepção, sabemo-lo, é poder dizer que as raparigas boas vão para o céu, as más para toda a parte. Agora: o que não se entende é que nos queiram impingir um Orçamento do Estado mau, dizendo-o incontornável, necessário, decisivo, histórico, sem alternativa e o diabo a quatro.

 

Invoque-se o diabo: aquilo é mau, demasiado mau, vindo de quem não controla as contas, mas a solução não é a solução do PSD, que apenas quer fazer de conta que alivia a carga de um lado, para pesar no outro. A solução é outra, uma em que o défice não nos amarre e asfixie, uma em que as pessoas verdadeiramente contem. Dirão que é de utopia que aqui se defende. Não, não é: é de alternativas políticas que falamos, porque aquilo que nos querem mostrar como inevitável é o mesmo de sempre, que é ensaiado desde os anos de Cavaco e que ruiu estrondosamente com os ratings, as sachs e os borges deste mundo.

 

Por isto, prefiro duodécimos a uma coisa má. Ao menos, com os tostões, ninguém se atreverá a gastar o que é de todos, para depois vir passar a factura a alguns, os de sempre. Mas, já o disse: não quer chumbar uma coisa má, por birrinhas de 200 milhões catroguianas. Quero chumbar por milhões de anos que nos roubam, em impostos e desemprego e deduções. Chumbado o orçamento teremos um ano para discutir o País, defender um Estado social a sério que nunca nos deram, pagar impostos para esse Estado e não para consultores e empresas sanguessugas do Estado. No fim desse ano, vote-se novo orçamento. Se não houver quem o faça, que se chamem eleições. Ganharão estes ou os outros que andam às turras, mas pelo menos os que pagam a factura podem discutir o que defendem para o País. Chamem-me utópico. Não sou. Não quero é coisas más.

Outubro 28, 2010

Frei Tomás

Miguel Marujo

«[...] uma das primeiras grandes obras que se socrreu deste tipo de financiamento - e uma das mais ruinosas -, foi feita quando? A concessão foi dada em Abril de 1994 e a construção começou em Fevereiro de 1995. Tratava-se da segunda travessia do Tejo. Deu e continua a dar muito a ganhar à Lusoponte e muito a perder aos cofres do Estado. Era então o ministro das Obras Públicas Joaquim Ferreira do Amaral. As condições foram as que se conhecem. O mesmo Ferreira do Amaral acabou à frente da empresa que ganhou com o negócio. Quem era então o ministro das Finanças? Nada mais nada menos do que Eduardo Catroga (entre Dezembro de 1993 e Outubro de 1995).» (Daniel Oliveira)

Outubro 27, 2010

Orçamentados

Miguel Marujo

Esqueçam o alto comentário, a estratosférica reflexão: convoquem antes o José Mário Branco e rufem os tambores:

o FMI é só um pretexto vosso seus cabrões,
o FMI não existe,
o FMI nunca aterrou na Portela coisa nenhuma,
o FMI é uma finta vossa para virem para aqui com esse paleio,
rua!
desandem daqui para fora!
a culpa é vossa!

Outubro 26, 2010

Cavacos

Miguel Marujo

« [...] Quando Cavaco chegou ao primeiro governo em que participou eu tinha 11 anos. Quando chegou a primeiro-ministro eu tinha 16. Quando saiu eu já tinha 26. Quando foi eleito Presidente eu tinha 36. Se for reeleito, terei 46 quando ele finalmente abandonar a vida política. Que este homem, que foi o politico profissional com mais tempo no activo para a minha geração, continue a fingir que nada tem a ver com o estado em que estamos e se continue a apresentar com alguém que está acima da politica é coisa que não deixa de me espantar. Ele é a política em tudo que ela falhou. É o símbolo mais evidente de tantos anos perdidos.» (Daniel Oliveira)

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