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Cibertúlia

Dúvidas, inquietações, provocações, amores, afectos e risos.

Setembro 22, 2010

Imobilizados

Miguel Marujo

Hoje é o chamado dia sem carros, habitual chacota dos empedernidos automobilistas que dizem sempre que a solução não é o folclore deste dia, mas outra coisa qualquer, que depois nunca aplicam nem defendem nos 365 dias do ano, em que tanto fazem 100 metros ou 300 quilómetros de carro. Não há alternativas, dizem, eles que nunca metem o rabinho num autocarro e só às vezes no metro. Dito isto, leio nos jornais que Aveiro, pioneira há dez anos do dia sem carros, deixou-se disso, porque o vereador diz que não vale o folclore. Lá está: numa câmara que tanto apaparicou o folclore, que faz pouco pelo transporte público, ataca-se o único dia que, de facto, pode pôr as pessoas a discutir a coisa, mesmo que com transtornos. Mais: esquecem-se as notícias do óbvio: esta iniciativa nasceu num executivo PS, com (no caso de Aveiro) uma câmara PS. Agora, morre com uma câmara - a tal do folclore e da imobilização do concelho de Aveiro - PSD/CDS. Há notícias que se explicam.

Setembro 21, 2010

Jogar à sueca

Miguel Marujo

Conhecemos mal quem lá vive, conhecemos mal as políticas de lá. Só aplaudimos um estado providência que funcionou com base numa redistribuição da riqueza efectiva (nota nórdica que muitos gostam de desdenhar). Agora que a extrema-direita chega ao parlamento, alguma direita blasfema e mal-formada parece rejubilar com o facto. Como aplaudiram Sarkozy na expulsão dos ciganos, como o regime de Vichy. No fundo pensam como o miúdo de 31 anos que lidera o partido racista: "mandem os estrangeiros para a casa deles" - só que têm vergonha em dizê-lo, refugiam-se no ataque portista ao "rendimento mínimo".

Setembro 20, 2010

Pluralismos

Miguel Marujo

«[...] Caro Mário Crespo, é tempo de dizer basta. Se não quer fazer um programa em que o pluralismo de análise económica e de políticas seja real - no que conta, José Silva Lopes é mais do mesmo embora com mais inteligência e sensibilidade social - então só nos resta apelar para a entidade reguladora da comunicação social. Porque quem percebe alguma coisa de economia não pode estar sujeito a ouvir da boca de Medina Carreira, com o silêncio conivente do Mário Crespo, que os economistas que dele discordam são uns “trafulhas”. [...]» Jorge Bateira, in Ladrões de Bicicletas

Setembro 17, 2010

[oração da noite]

Miguel Marujo

O sono chega: as mãos, as minhas mãos suspendem o olhar dela, as mãos, as pequeninas mãos procuram as minhas - e brincam. O sono aperta: olha fixamente, e vira a cara para o lado, e sorri - uma, duas, dez vezes.

Setembro 14, 2010

Patriarquices

Miguel Marujo

Um senhor bloguista, que foi levado aos píncaros por um suposto serviço público em coisas menores (sempre se omitindo a sua filiação partidária, para suposto louvor independente), vem agora conspirar umas tangas sobre a sucessão do patriarca de Lisboa, cogitando cenários tais, em que o actual patriarca aparece conivente com o poder e os supostos desmandos catastrofistas civilizacionais dos Governos socialistas.

Mistura-se tudo: uma Rádio Renascença que tem jornalistas "perigosos", uma Universidade Católica "socialista", bispos e padres maçónicos, patriarca de braço dado com o poder e, venha daí, um post fantástico a alertar o País para uma possível cabala que poderá manter a Igreja (melhor dito: o patriarcado) sob a pata dos socialistas, que como é sabido estão a conduzir-nos para o abismo de costumes, antes de tudo. Julgam que deliro? Vão ler por vós. Sabem o que é mais triste, ainda: este mesmo post foi recomendado pelo ex-director do Público. Diz muito do senhor, diz tudo da linha editorial que quase destruiu o jornal.

Setembro 12, 2010

11 de Setembro (mais um)

Miguel Marujo

Coincidências que não se explicam: este ano, dois amigos nossos (que não se conhecem) casaram com duas libanesas. Ontem, foi o Bruno. A data pode, depois de 2001, parecer absurda para uma festa, mas pensando bem, um português casar-se com uma árabe a 11 de Setembro é prova de que aqueles que idealizaram aquele tremendo ataque não ganharam. O bem vai vencendo o mal. Sobretudo na igreja sobre o mar de Cacela Velha, a terra do poeta Abû al-'Abdarî.