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Cibertúlia

Dúvidas, inquietações, provocações, amores, afectos e risos.

Junho 08, 2010

Canções de embalar

Miguel Marujo

Tom Waits escolheu as músicas para o CD que a Mojo distribui este mês. Selecção de primeira, que revela preciosidades. E uma surpresa: um excelente embalo cá em casa. A sequência de Bob Dylan e Gavin Bryars foi a pedra de toque.

Junho 07, 2010

Ter tempo

Miguel Marujo

Chegar a casa e despir o mundo de nós, ter tempo para este novo mundo. Deixem-me roubar a ideia: há bancos do tempo para darmos tempo a quem precisa (e bem). Mas, hoje, agora, por dois dias, dou tempo a um casulo tecido em cordão umbilical. O mundo não pode esperar - está é muito cansativo para que lhe dediquemos a atenção que aqui nos deleita os dias.

Junho 05, 2010

Barulhos

Miguel Marujo

Soraia, a mãe e a tia sentaram-se no restaurante ao meu lado. Pronúncia do Norte, pingo pedido, um galão de máquina traduz o homem, antecipam na cafeína a adrenalina do pic-nic gigante que se instalou no parque Eduardo VII, em Lisboa. Qual sardinhada gigante, qual feijoada da ponte, agora milhares juntam-se para fazerem um piquenique durante todo o dia com patrocínio de hipermercado e banda sonora terrível - da vuvuzela a Tony Carreira. Esta é a crise que é perigosa - a do gosto, a do folclore.

Junho 05, 2010

A casa que é a rua

Miguel Marujo

Ele é o sem-abrigo da Avenida da Liberdade. Sobe e desce a rua que é a sua casa, barba e cabelos longos, olhar quase curioso. Arrasta sacos e papelões, os seus bens, dorme nos jardins do passeio. Esta manhã penteava-se no reflexo do vidro de um mupi. Este homem já foi o rosto de uma campanha da Amnistia Internacional, com o rosto nos mupis que lhe servem de espelho pelas manhãs.

Junho 04, 2010

Do aplauso que se impõe

Miguel Marujo

 

Assunção Cristas, deputada do PP, à Pública de domingo, num excerto antecipado no online: “Eu seria favorável a um casamento [entre pessoas do mesmo sexo]. O que pode parecer uma posição estranha da minha parte. Muita gente me aborda achando que sou contra; mas não sou. Curiosamente, desagradei a toda a gente. Os que concordavam comigo reclamaram, mesmo com a declaração de voto, por acharem que isso não servia de nada. E reclamaram comigo os que achavam que eu devia ser radicalmente contra e, no final, tinha feito uma declaração de voto; então, que tivesse sido contra! Fiz o que podia fazer, de acordo com a minha consciência. Dou muito valor ao contrato com o eleitorado. É mau dizer-se uma coisa e fazer-se outra. Todos cedemos um bocadinho para que fique espelhada a sensibilidade maioritária. Tenho amigos próximos que me fazem ver as coisas de outra maneira. Fazem-me perceber que são pessoas iguais a nós, com tanto desejo e expectativa de ter uma vida feliz como nós. O que digo aos meus amigos que não entendem esta minha posição é que há um caminho de felicidade que não pode ser fechado, sobretudo quando os valores dessas pessoas não comprimem os nossos. Não acho que isto seja um ataque à família ‘tradicional’.” [sublinhados nossos]

Junho 03, 2010

corpo de deus

Miguel Marujo

encher o peito e soprar... parece que é moda, soa a muito barulho e cairá no esquecimento quase tão depressa como Santana Lopes a andar por aí. Haja fé.