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Cibertúlia

Dúvidas, inquietações, provocações, amores, afectos e risos.

Junho 27, 2010

Leituras (férias, II)

Miguel Marujo

Cavaco disse que "todos os portugueses" conheciam a promessa feita à família de os levar aos Açores. Já percebi: há dois anos quando o Presidente interrompeu as férias de "todos os portugueses" para falar dos Açores foi isto que ele anunciou, certo?

Junho 27, 2010

Leituras (férias)

Miguel Marujo

Vasco Pulido Valente diz que até fervia a defender as scut, não por motivos económicos, mas para combater o isolamento do Interior, até descobrir que elas têm... custos para o país. A sério?! Ah, estas genialidades aduladas que acham que se combate o isolamento, a pobreza ou o atraso do país sem custos. Só sabem cortar, na única linguagem que conhecem. E não lhes cortam a língua.

Junho 20, 2010

Fetiches, católicos e a cama dos outros

Miguel Marujo

«[...] Portugal tem de facto uma legislação do trabalho comparativamente rígida (ainda que já não tanto como no passado), mas a rigidez formal coexiste com a enorme flexibilidade de facto. Não por acaso, os níveis de precariedade são superiores à média europeia e, mesmo com toda a rigidez, o ritmo de crescimento do desemprego não encontra paralelo na Europa. Hoje, aliás, mais de 80% dos novos vínculos laborais são a prazo, o que não é necessariamente um problema se evoluírem para relações de trabalho sem termo. Mas uma coisa é valorizar a flexibilidade na entrada no mercado de trabalho e outra, bem diferente, é pensar que a flexibilidade deve ser a regra ao longo da carreira ou, pior, que os níveis de regulação do trabalho devem ser mínimos. Tudo isto sugere que em Portugal, como na Europa, a crise está a tornar-se um cavalo de Tróia de uma agenda desregulamentadora. E, convém não esquecer, não foi a rigidez dos mercados de trabalho que fez deflagrar esta crise. Era bom que os nossos problemas se resolvessem, de algum modo, com maior flexibilidade na contratação ou combatendo armadilhas de inactividade, mas, com o desemprego a 10% e a economia deprimida, pensar que se combate o desemprego com uma agenda flexibilizadora não passa de um fetiche.» [Pedro Adão e Silva]

 

O Pedro tem toda a razão - e acrescento: em Portugal é fácil despedir. Muito fácil. Basta inventar um qualquer motivo para a coisa se arrastar em tribunal de trabalho, que a justiça deixa o trabalhador desempregar-se em lume brando. Estes são os combates deste tempo. Se os que andam para aí a dizerem-se católicos e com vontade de se empenharem na coisa pública quisessem resolver isto, estaríamos bem. Mas não: a eles só os preocupa a cama dos outros.

Junho 19, 2010

A morte de Caim

Miguel Marujo

 

De folga, absorvido noutros mundos, só à noite reparo na notícia: a morte de José Saramago, genial escritor, que nem sempre procurou as batalhas certas. Escrevi aqui de como o seu mundo às vezes se fechava numa casa de Lanzarote, sem ver mais além, amarrado a um deus que não queria seu, mas que tem pouco do Deus de tantos no mundo. A morte de Saramago é uma morte de Caim, o irmão zangado que procurou a vingança. O que nos vale é todo o génio da escrita, mesmo quando tropeçava nas páginas de uma ideia menor.

 

 

[foto daqui]

Junho 18, 2010

Vuvuzelaram-se

Miguel Marujo

«A característica mais saliente do campeonato mundial de futebol da África do Sul é o facto de todos os jogos decorrerem dentro do reactor de um avião que está no meio de um engarrafamento de camionetas com a panela do escape rota, camionetas essas que levam dois milhões de lenhadores, cada um deles munido de duas motosserras. O espectador que arrisca acompanhar as partidas tem a sensação de estar uma hora e meia com uma varejeira do tamanho de um caniche junto de cada ouvido. Sendo que essas varejeiras também estão munidas de motosserras.» [Ricardo Araújo Pereira]

 

 

 

[O meo agora cala as vuvuzelas! Quem não tem meo, não experimente fazer isso em casa.]

Junho 18, 2010

Católicos, mas pouco

Miguel Marujo

No "i" diz-se que uns (sublinhe-se: uns) católicos querem um presidente por causa de uma coisa que eles diziam menor porque o que lá está não serve e nenhum invoca questões sérias como a defesa da vida - dos mais pobres, dos sem emprego e sem casa, dos que sobrevivem no rendimento social e vêem todos os dias as coisas serem-lhes cortadas... Aliás, olhando bem para aqueles católicos "empenhados" irrita ver como o "i" se esquece de tantos outros (o único líder parlamentar que assume a sua condição de crente na arena partidária é José Manuel Pureza e é do Bloco de Esquerda). Compreende-se: são de esquerda e ficavam mal ali católicos de esquerda que obviamente querem um presidente que não Cavaco, mas nunca em tempo algum se revêem em Bagão.

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