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Cibertúlia

Dúvidas, inquietações, provocações, amores, afectos e risos.

Maio 17, 2010

Cavaquinho

Miguel Marujo

Cavaco diz que a crise obriga a que não se perca tempo com outras coisas que não a resolução da própria crise e que, por isso, promulga o casamento gay. O Presidente da República acabou de uma penada por dizer que andámos uma semana a ser enganados, com a visita do Papa, que ele próprio entusiasticamente acolheu. Devíamos ter estado preocupados só com a crise, na visão tacanha e pequenina deste senhor.

 

 

[e uma outra leitura deliciosa da coisa...]

Maio 16, 2010

As culpas dos outros

Miguel Marujo

Durão ganhou as eleições em 2002 dizendo que lêssemos nos seus lábios: não haveria aumento de impostos. A primeira coisa que fez - e lembre-se: acolitado por Paulo Portas e Manuela Ferreira Leite, que agora virginais dizem o que nunca fizeram - aumentou o IVA de 19 para 21 por cento, culpando o défice guterrista. Sócrates, que baixou o IVA para 20 por cento, veio dizendo que impostos a subirem não eram com ele, mas subiu-os. Com a desculpa da crise, do PEC e do mundo todo. Agora é Passos Coelho que andou a dizer que se devia baixar os impostos, até ser eleito, porque a situação assim o exige. Nunca nenhum responsável político (pelo menos estes aqui citados) disse o óbvio: eles aumentam os impostos porque só sabem actuar assim. Não colocam a hipótese de reduzir onde devem reduzir - e não é nas prestações sociais, é nos submarinos, nos assessores, nos negócios estranhos, nos pareceres... ou no Mundial de 2018 que Portugal vergonhosamente quer realizar.

Maio 16, 2010

Papas

Miguel Marujo

Este blogue tem andado entre jesus salvadores, papas que hão-de vir* e papa a sério. Há mais vida para lá disto tudo. Mas não se chama PEC ou plano de austeridade, que aí é da morte que se fala, não da salvação do país. O remédio? Voltar às papas.

 

 

 

 

* - a cerelac ainda não anda cá... (pena, faltam meses, garantem-me fontes bem colocadas)

Maio 15, 2010

O que vai sobrar desta viagem está nas mãos dos católicos

Miguel Marujo

«[...] Foi pena que, no encontro das instituições de acção social da Igreja, as únicas palmas que se tenham escutado tenham sido para as alusões do Papa ao aborto e ao casamento. Provavelmente, os participantes escutaram mal - à semelhança do que aconteceu em alguns meios de comunicação: o Papa não fez uma enésima condenação do aborto, antes elogiou os que "procuram lutar contra os mecanismos socioeconómicos e culturais que levam ao aborto e que têm em vista a defesa da vida e a reconciliação e cura das pessoas feridas pelo drama do aborto". Se está implícita aqui a doutrina tradicional da Igreja sobre o tema, a frase diz muito mais que isso. E, nesta afirmação, cada palavra é importante. Nesse discurso, foi pena o Papa não ter feito uma referência mais circunstanciada à actual crise económica e à responsabilidade do sistema financeiro, na linha do que escreveu na sua última encíclica. [...]» [António Marujo, in Público]

Maio 14, 2010

Estados

Miguel Marujo

O Papa subiu as escadas do avião - e partiu. Muitos respiram de alívio porque achavam que o ar andava impestado. Ficarei atento a eventuais reacções dessas quando recebermos as visitas de senhores (por exemplo) do governo de Pequim ou de Caracas. Para avaliar estados de alma e convicções...

Maio 13, 2010

Na mouche

Miguel Marujo

«Se fosse combatida a fuga de capitais, nomeadamente os 17 mil milhões depositados em offshores, se esse dinheiro e os mais 19 mil milhões de euros anuais que andam pela economia paralela fossem taxados, há muito que não tínhamos um défice público significativo. Qual é a razão que leva os governos esquecerem-se disso e apenas cravarem os trabalhadores do costume? [...]» [Nuno Ramos de Almeida, in 5 Dias]

Maio 12, 2010

Ai os protestos pelos transtornos...

Miguel Marujo

«A partir da próxima segunda-feira, dia 17, e até ao dia 28 de Maio e nos dias 3 e 4 de Junho de 2010, vão realizar-se obras na rede de abastecimento de gás na Av. Afonso Costa. Assim, junto à entrada, saída e laterais do túnel da Av. João XXI haverá condicionamentos no trânsito com estreitamento de filas em ambos os sentidos.» [anúncio da CM Lisboa]

Maio 12, 2010

A tolerância, pá!

Miguel Marujo

 

Nos tempos do Conselho da Revolução, 13 de Maio de 1982 foi "feriado". Lembro-me nos meus 10 anos achar fabuloso ter dois dias feriados de seguida (em Aveiro, o 12 - hoje - é feriado municipal). Não consta que a esquerda revolucionária tenha vociferado contra o perigo que o Estado corria na sua laicidade, nem se viu a produtividade diminuída nesses tempos de crise. Hoje, o País mudou, gritam muitos, para atacar as tolerâncias de ponto e as ruas cortadas, a recolha de lixo que não é feita (tão zelosos cidadãos que não devem atirar uma beata que seja ao chão), já não vivemos debaixo das saias de padres que ainda tresandam a inquisições e estados novos (dizem eles, é ler os comentários na blogosfera animada). Descobrem a apostasia, acham-se violentados por terem sido baptizados aos 2, 3 meses, mesmo que não questionem a violência que foi os pais os terem colocado numa escola pública em vez de uma privada, que estas é que são boas, é ver os rankings. Indignam-se com as pedofilias, mesmo que ignorem todas as palavras ditas e reditas por este Papa desde que os primeiros casos explodiram nos EUA (não, não é de agora), e mesmo que banalizem com a generalização o que não é generalizável. Devíamos era chamar a malta do Conselho da Revolução, pá!

 

Maio 12, 2010

Para memória futura

Miguel Marujo

«O sofrimento da Igreja vem do interior da Igreja, dos pecados que existem na Igreja. Considero isso algo verdadeiramente aterrador. A maior perseguição à Igreja não vem dos inimigos do exterior mas nasce, sim, dos pecados da Igreja. Existe a grande necessidade de se cumprir a penitência, de aceitar a purificação, de forma a procurar o perdão mas também a justiça. O perdão não exclui a justiça.» - Bento XVI, a caminho de Portugal.

Maio 11, 2010

A tolerância para Bento XVI

Miguel Marujo

«[...] Achar ser dever do Estado não dar tolerância de ponto nestes dias de visita do Papa é... um sinal de intolerância. É a intolerância contra, por acaso, a maioria dos portugueses, católicos, ou mais ou menos católicos, que pensa e sente o mundo de forma diferente de nós, os portugueses ateus ou mais ou menos ateus. E toda a intolerância é intolerável. Toleremos. Este é o ponto.» [Pedro Tadeu, in DN]

Maio 11, 2010

O direito à festa e as novas inquisições

Miguel Marujo

«Houve festa no domingo, era previsível, por causa do futebol. Voltará a haver hoje, por causa do Papa. Ainda bem: a festa é uma dimensão importante da existência. Mesmo se um certo discurso dominante quer negar, pelo menos a quem faz a festa em nome da sua fé, esse direito. Há um novo discurso inquisitorial que, hoje, se volta muitas vezes contra quem crê.

 

Muita gente se manifestou indignada por causa da tolerância de ponto concedida pelo Governo a propósito da viagem do Papa. Outros contestam os custos da visita. E argumentam com o país em crise ou com dinheiros que deveriam ser utilizados na ajuda aos pobres.

Não sou favorável à concessão de tolerância de ponto para dia 13. Quem pretende ir a Fátima, organiza normalmente a sua vida para isso. Desta vez, não teria que ser diferente. Já as tolerâncias de Lisboa e Porto são uma questão de bom senso: as duas cidades serão perturbadas, trata-se de facilitar a vida às pessoas.

Claro que poderíamos não ter cá o Papa para evitar estes aborrecimentos. Mas quantos acontecimentos extraordinários já nos perturbaram a vida? Cimeiras, um campeonato de futebol, visitas de estadistas, festejos de vencedores...

Quanto à crise: na sociedade contemporânea, o trabalho é um deus. Séculos atrás, quem não trabalhava é que estava do lado certo. Algures no meio estará a virtude? Um acontecimento como a visita do Papa, mesmo em tempos de crise, pode fazer-nos recordar que não somos feitos, como pessoas, apenas para trabalhar. Aliás, a crise e a produtividade de que o país precisa poderia levar-nos a outras conversas. Como a da incapacidade dos Governos em controlar poderes financeiros que ninguém escolheu e que são, esses sim, responsáveis pela crise que vivemos.

E sejamos justos sobre a conversa dos pobres: são muitos os católicos e as instituições da Igreja que estão onde o Estado e tantos outros críticos não estão. E é curioso ouvir o pedido de contenção de custos no país europeu que menos poupou em 2009, como soubemos na semana passada.

 

Finalmente: do que conheço do cristianismo, a multidão não é o que melhor concretiza a experiência da fé. Mas reconheço a legitimidade das pessoas poderem dar uma dimensão festiva a elementos essenciais da sua existência. Para alguns, isso não deveria acontecer. Prefiro respeitar quem o quer viver dessa forma.» [António Marujo, in Público]

Maio 10, 2010

Papados

Miguel Marujo

De um lado, os mais conservadores da Igreja que aproveitam a visita do Papa para uma papalidolatria e para fazer crer que só há uma igreja, a sua, e não várias, feitas de muitos carismas, como na realidade é. Do outro lado, uma militância antipapal que não abre espaço a qualquer diálogo porque, como os primeiros, acha que a igreja é só um rosto e não vários, esquecendo por ignorância ou omissão o papel dessas igrejas. No meio, não está a virtude, estão os papados - pelas duas extremidades. Está a vontade de que esta visita não fosse um Benfica-Porto, entre católicos e ateus, mas antes um momento único, católico e universal, de inclusão e debate franco.

Maio 06, 2010

Isto não é utopia

Miguel Marujo

Entre cá e lá, entre a casa em que se experimentam todos os dias novidades e afectos, entre o mundo que quase fica à porta, descubro que este país pode ser melhor do que é. Se não embarco no discurso dos políticos todos iguais (ou ladrões ou corruptos) ou da culpa do rendimento mínimo, como fazem o taxista e o líder do PP, também não me posso rever na prática actual em que o défice é tornado central atropelando as pessoas. Quero lá saber das agências de rating e da Grécia e do défice que Barroso impõe. Quero é que o país responda (e acabe) com os 600/700 mil desempregados, com uma pobreza que atinge cerca de 18 por cento dos portugueses e as desigualdades gritantes entre quem recebe salários (quase) mínimos e gestores de pacotilha pagos a peso de ouro. O país que a minha filha terá não se decide na comissão da TVI nem com o TGV até Madrid, mas decide-se naqueles aspectos que deviam ser o centro do debate político português.

Maio 06, 2010

Canalhice

Miguel Marujo

O Governo quer poupar milhões com tostões, atacando quem mais precisa. Repare-se: «os cortes no subsídio de desemprego que o Governo se prepara para aprovar já afectarão os beneficiários que recebem subsídios próximos dos 516 euros». Que é que isto significa? Quase nada: «a imposição de um limite para o subsíodio desemprego igual a 75 por cento da remuneração líquida fará poupar ao Estado cerca de 40 milhões de euros em 2010, ou seja, menos de 2 por cento da verba orçada para 2010». Isto é o quê? Uma canalhice, travestida de consolidação orçamental, mas cujo verdadeiro nome é um ataque neoliberal indigno de um governo PS.