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Cibertúlia

Dúvidas, inquietações, provocações, amores, afectos e risos.

Janeiro 04, 2010

A morte, malvada, só não nos tira a música

Miguel Marujo

Janeiro 03, 2010

A trincheira relativa

Miguel Marujo

Em 1960, o Governo de Salazar tinha poder. Em 2009, em inúmeros sentidos o Governo de Sócrates detém ainda mais poder. Não prende, mas tem muitas formas de silenciar. Não mata, mas se quiser persegue. O que tem para distribuir arbitrariamente pelos seus "amigos políticos" são recursos que o paroquial Salazar desconhecia.

 

Pedro Lomba salta com agilidade 50 anos para apostar numa ideia: a de que Sócrates, subrepticiamente, é mais perigoso que Salazar. O homem de Santa Comba Dão seria paroquial junto da teia urdida pelo homem que será culpado de assinar casas de mau gosto, ter pedido a um professor que lhe desse uma nota a um domingo e ter um primo que ninguém escolheu para familiar. Relendo o parágrafo fui transportado para o livro Salazar e os Milionários, editado recentemente, da autoria de Pedro Jorge Castro, que minuciosamente detalha a vida e as relações do ditador com os "milionários" deste país.

 

A principal conclusão desse livro: a promiscuidade de negócios, o jeitinho e o abuso de poder eram norma, regra de um Estado que saciava patrões para estes manterem a ordem nas empresas - e a paz social no país. Mais: lida a documentação que acompanha o livro e o relato das relações com Ricardo Espírito Santo que, mais do que qualquer ministro, era verdadeiramente o segundo homem do Governo do país, na sombra, sem escrutínio. Perguntar como pergunta Pedro Lomba, a rematar, Como é que nos libertámos dum Estado obscuro e governamentalizado e fomos gerando outro, em certos aspectos, mais obscuro e governamentalizado? - é má-fé: uma ditadura é sempre mais obscura e governamentalizada e, no caso, o Estado confundia-se com os patrões para, em conluio, domesticarem um povo. Hoje, em 2010, Pedro Lomba pode escrever o que nunca poderia dizer em 1960, sem ser preso e, talvez, torturado. Hoje, em 2010, o relativismo faz escola.

 

Interessante é perceber que os mesmos que o fazem são aqueles que atacaram a esquerda por supostamente ser relativista no tratamento dado às alegadas armas de destruição maciça e Saddam. Percebe-se: a trincheira mudou.

Janeiro 02, 2010

[Poesia distribuída ao domicílio]

Miguel Marujo

«Santa Clara de Assis

Eis aquela que parou em frente
Das altas noites puras e suspensas.

Eis aquela que soube na paisagem
Adivinhar a unidade prometida:
Coração atento ao rosto das imagens,
Face erguida,
Vontade transparente
Inteira onde os outros se dividem.»

(Sophia de Mello Breyner Andresen, de No Tempo Dividido, 1954)

 

uma prenda do Rui, à Clara

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