Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Cibertúlia

Dúvidas, inquietações, provocações, amores, afectos e risos.

Novembro 27, 2009

Livros (breves apontamentos*, II)

Miguel Marujo

 

Cabul, Kandahar ou Jalalabad são nomes familiares que se traduzem simplisticamente em notícias que nos falam de atentados, talibãs, explosões, burqas, guerra. Em “Caderno Afegão”, a jornalista Alexandra Lucas Coelho traduz as rosas no caos das ruas de Cabul, os rostos que as mulheres desvelam nas suas casas, os corpos mutilados pela guerra, levando-nos para um país que dizíamos conhecer mas de que, afinal, não sabemos nada. O Afeganistão ganha muitas cores, nestas páginas. E nós vivemos nelas.

Caderno Afegão, Alexandra Lucas Coelho, Tinta-da-China, 2009.

 

O livro da famosa série da BBC transporta-nos para os dias antes da queda do Muro, documentando o “quotidiano do outro lado da cortina de ferro”. Agora que se festejam os 20 anos do fim do comunismo, Peter Molloy conta-nos na primeira pessoa – com a história oral de quem viveu esses dias nos países de Leste, de figuras do poder a cidadãos comuns – como era a vida no partido, na saúde ou no sexo.

O Mundo Perdido do Comunismo, Peter Molloy, Bertrand Editora, 2009. 

 

“O Dia Antes da Felicidade” é um regresso à Nápoles natal do autor, no pós-Guerra de uma Europa reduzida a cinzas. Erri De Luca tem um percurso que parece retratado pelo título deste seu último livro traduzido em português: foi operário fabril e pedreiro, motorista em comboios humanitários na Bósnia, hoje é escritor e tradutor. De Luca identificou, na sua passagem no último mês por Portugal, o amor como “possibilidade de felicidade”. Com um alerta: “A felicidade é sempre um perigo, não é um passeio.” Este livro é uma fábula sobre essa relação.

O Dia Antes da Felicidade, Erri De Luca, Bertrand Editora, 2009.

 

Resistência, amor e coragem: é assim que se apresenta esta história de um grupo de adolescentes que na França ocupada da Segunda Guerra Mundial resiste às forças nazis e aos colaboracionistas do regime fantoche de Vichy. Marc Levy é o autor francês mais lido, mas este romance é uma comovente homenagem a um homem que fez parte de uma brigada de resistência – o pai do autor, que respondia pelo nome de código “Jeannot”. Levy é um dos “filhos da liberdade”.

Os Filhos da Liberdade, Marc Levy, Contraponto, 2009.

 

Sucesso por todo o mundo, chega a Portugal o best-seller “As Suspeitas do Sr. Whicher”, de Kate Summerscale, que nos traz o relato do crime macabro que se desvela na casa de campo de uma família respeitável britânica. A autora situa a obra em 1860 com o caso a ficar nas mãos do mais brilhante detective desses tempos, Jack Whicher. É ele que vai encontrar as chaves para resolver o crime, num livro que o mestre John Le Carré classificou como “um clássico”. Está tudo dito.

As Suspeitas do Sr. Whicher, Kate Summerscale, Bertrand Editora, 2009.

 

[* - escritos para 24horas, nem todos publicados]

Novembro 26, 2009

Estranho mundo este

Miguel Marujo

«É um dos casos judiciais mais bizarros do ano. Um norte-americano acusa os criadores do videojogo World of Warcraft de serem responsáveis pelo seu isolamento e tristeza. E resolveu chamar Martin Gore, na qualidade de especialista sobre o assunto.» [in Sol]

Novembro 25, 2009

Ameaças

Miguel Marujo

Celebra-se hoje o 25 de Novembro, festeje-se essa festa, mas não façamos de conta, como a direita-PP que hoje se prepara para comemorar a "data que nos livrou da ameaça da ditadura do comunismo" e se esquece de celebrar o 25 de Abril como a data que acabou com a ditadura fascista. Esta não era uma ameaça, já existia, mas a direita-PP prefere festejar "a liberdade contra ameaças" e não "a liberdade contra o que já era real".

Novembro 25, 2009

O segundo parágrafo (revisitado)

Miguel Marujo

"Foi no dia em que dois aviões destruí­ram as Torres Gémeas de Nova Iorque que eu descobri que era de direita. Para ser exacto, não foi precisamente nesse dia: as minhas convicções políticas foram-se formando a partir da acumulação das opiniões publicadas sobre o 11 de Setembro, e em larga medida por reacção aos textos, quase todos eles vindos da esquerda, em que o segundo parágrafo começava por 'mas'." (João Miguel Tavares, O segundo parágrafo, DN, 2/9/2003)

 

Hoje, é a direita que gosta de escrever o seu segundo parágrafo. Se começa invariavelmente com a crença na presunção de inocência e que todos têm direito ao seu bom nome, acaba no segundo parágrafo por pedir que o primeiro-ministro revele as suas conversas privadas, que foram captadas irregularmente. Quer-me parecer que o segundo parágrafo dá jeito a opinadores. Mas ninguém se poderá queixar daqui a uns tempos se forem apanhados numa conversa privada escarrapachada nos jornais. E ainda me falam da liberdade a ser cerceada todos os dias. Parece que têm razão: eles alimentam o seu discurso com estas práticas.

Pág. 1/6