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Cibertúlia

Dúvidas, inquietações, provocações, amores, afectos e risos.

Agosto 11, 2009

Angolisboa restaurada

Miguel Marujo

 

Daqui posto de comando do Movimento da Cova da Onça:

 

Durante a madrugada de hoje, e apesar da forte vigilância policial, elementos da Cova da Onça (Kromos Di Ghetto) subiram heroicamente até à varanda dos Paços do Concelho e hastearam a bandeira vermelha e preta.

 

Há dois dias, um punhado de rapazolas, contra a vontade da maioria dos portugueses, tinha feito a mesmíssima coisa proclamando assim uma brincadeira de pios senhores que acham que têm direito a não sei o quê não mexendo uma palhinha. O resto do país ficou a saber pela blogosfera, pelo twitter e pelo facebook.

 

Hoje, aproveitando as férias de verão e numa arrojada acção de guerrilha ideológica, foi restaurada a legitimidade da colónia de Angolisboa. Somos menos que eles, é? Podem permanecer calmos nas vossas casas: foi restaurada a interculturalidade.

 

É o contributo da Cibertúlia para perceber que se a brincadeira fosse esta, muitos pios galos cantariam de outro modo.

 

 

[post que teve a ajuda do Nuno - ©fotomontagem, obrigado; o texto é uma adaptação deste]

Agosto 11, 2009

Os greenpeaces do rei

Miguel Marujo

Uns rapazes em busca de audiências para o blogue cometeram um acto muito corajoso, idiota, revolucionário, divertido, terrorista, o que for, depende do ponto de vista de quem o vê (achei divertido, inconsequente, claro, porque na verdade nem eles querem Duarte Pio para mandar nisto). A coisa pode dar prisão, diz a lei, mas já há quem (que gosta pouco da democracia que temos) ache que se houver multa ou punição é coisa de "velha azeda". A República, claro. Se esta mesma República assobiasse para o ar com um outro qualquer acto idêntico - por exemplo, um grupo de negros proclamar da mesma maneira a instauração da colónia de Angolisboa - logo haveria muita gente a clamar a sua indignação contra o estado deste Estado.

 

 

[actualize-se: reparo entretanto que o Daniel fez um exercício engraçado com palavras indignadas dos camaradas do 31; para não falar do candidato a deputado que se marimba para a República pela qual é candidato.]

Agosto 10, 2009

Da boçalidade

Miguel Marujo

Esta não é de facto a primeira vez que há uma campanha extremista e boçal nas ruas. Já tinha havido em tempos, com este mesmo partido CDS, então acho que era só PP (mas eles mudam muito de nome e quase nada de ideias), a clamar por prisão para muitos e por muitos bons anos e, já em 1999, era o senhor Portas líder da coisa apontava ele o dedo ao "cigano do rendimento mínimo" (ah, o sr. Portas continua a chamar-lhe assim, apesar de ele próprio lhe ter mudado o nome para RSI, e não ter acabado com ele nos anos em que foi Governo, mas isso a memória é fraca e não dá jeito). Deve ser a opção preferencial pelos pobres que Portas deita para fora mas da qual desconhece qualquer sentido prático e cristão. Como se vê na boçal campanha actual.

Agosto 10, 2009

Moniziados

Miguel Marujo

Agora a oposição não abre a boca, o Presidente não estranha o negócio, nem os senhores do costume apontam o dedo. Moniz saiu da TVI para a vice-presidência da Ongoing, que quer comprar a TVI e já quis a SIC. Pelos vistos, neste país, de acordo com a doutrina pachecopereiriana, só se faz pressãozinha do lado governamental. Estes doutrinadores nunca se olharam ao espelho.

Agosto 09, 2009

Livros

Miguel Marujo

Que a cozinha seja experiência literária dos sentidos, em Como Água para Chocolate, compreende-se. Que Italo Calvino se apresente com As Formigas, logo pela manhã, já é dispensável.

Agosto 08, 2009

Quando eu morrer batam em latas

Miguel Marujo

«Uma frase perdida: “A vida é sempre em volta”. A pergunta metafísica: “Que fazer do homem que não gasta o destino”. Uma dúvida de fé: “Se Deus existe, porque nunca veio ver o meu espectáculo?”. Epitáfio proposto: “Agora já é tarde”. E aí está o Raul feito e medido. Do Solnado eu nem falo.»

Millôr Fernandes, Rio de Janeiro, Outubro de 1990, in “A Vida não se Perdeu”, Leonor Xavier, Lisboa, 1991, Difusão Cultural