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Cibertúlia

Dúvidas, inquietações, provocações, amores, afectos e risos.

Julho 25, 2009

Música à mesa

Miguel Marujo

Não se canta à mesa, bem me avisavam. Mas quando se juntam dois jornalistas irmãos de gostos e manias assim parecidos com uma pop star que não tem nada de star e tudo de pop, até a discutir Chesterton, ou o calvinismo ou o ecumenismo, numa sopa de histórias de músicas e concertos e o Reininho e os GNR e limões e redacções, a coisa definitivamente é música para qualquer ouvido. Venha o Apocalipse.

Julho 23, 2009

O deputado

Miguel Marujo

foto: Armando França/AP

 

 

O rio transbordou e o poeta da terra não teve voz meiga. À janela da sua casa, numa das principais ruas de Águeda, as águas quase tocavam a varanda. Manuel Alegre apontou o dedo à obra mal feita que ajudava as cheias. Ficou famosa a foto: ele sobranceiro às águas, o olhar de que ninguém o cala.

Ninguém o calou, fosse a intervir na vida da sua pequena cidade fosse no PS de que é fundador, mas contra o qual correu nas últimas eleições presidenciais, em 2006. O PS apoiava o regresso de Mário Soares, Manuel Alegre chegou em segundo, atrás de Cavaco. O capital de 1.125.077 votos foi o abono para uma intervenção crítica no PS de Sócrates.

Três anos depois, a ruptura é com a política do actual líder socialista – não com o partido: “Vou tomar posição pelo PS, mantendo todas as divergências e apesar de todas as diferenças sou do PS e manterei a minha posição pelo PS”, disse, depois de anunciar que não seria candidato.

Se não o calam, talvez a sua voz esmoreça a partir de hoje: Manuel Alegre despede-se da Assembleia da República, ao fim de 34 anos. Deputado na Constituinte, Alegre foi eleito sucessivamente nas dez legislaturas. Nas últimas três foi vice-presidente do Parlamento.

Agora promete andar por aí, “mais solto”. “As batalhas que é preciso travar eu costumo travá-las. Na altura se verá”, afirmou há um par de meses, quando questionado sobre uma eventual candidatura às presidenciais de 2011.

Em “quase um auto-retrato” – que disponibiliza no seu site – este amante de caça e pesca, que gosta tanto dos “grandes espaços”, do deserto e do Atlântico à ria de Aveiro, diz: “Aos vinte e poucos anos escrevi ‘meu poema rimou com a minha vida’. Era ainda muito cedo, não sei sequer se é verdade, embora muitas coisas me tivessem já acontecido: amores, partidas, guerra, revoltas, ‘prisões baixas’. O que mais tarde me levaria a dizer: ‘biografia a mais’.” Alegre ainda não acabou de escrever a sua história.

 

[texto publicado no 24Horas, hoje; dedicado à minha madrinha]

Julho 22, 2009

Eppur si muove

Miguel Marujo

«El terremoto de 7,8 grados en la escala de Richter ocurrido en el mar de Tasmania el pasado 16 de julio ha provocado que la distancia que separa a Australia y Nueva Zelanda disminuya 30 centímetros.» [El Mundo]

Julho 20, 2009

that tiny pea

Miguel Marujo

It suddenly struck me that that tiny pea, pretty and blue, was the Earth. I put up my thumb and shut one eye, and my thumb blotted out the planet Earth. I didn't feel like a giant. I felt very, very small. (Neil Armstrong)

Julho 20, 2009

Segunda-feira

Miguel Marujo

O Alentejo ficou para trás carregado de azuis, em dois dias de pasmanço, a cidade está a meio gás, há amigos que vão e vêm, encontrados por telemóveis obstinados. "Vai de férias?", não, não, ainda não, lá para a frente, e a inveja desaparece quando vamos imaginando a cidade só para nós. Ok. Quase.

Julho 17, 2009

Ah, a excelência do nosso empresariado

Miguel Marujo

«Os trabalhadores do jornal Público aceitaram reduzir os seus salários, tendo o acordo sido subscrito pelos 165 funcionários que a administração exigiu sob pena de recorrer a outros métodos, disse hoje à Lusa fonte daquele título. [...] A administração do jornal anunciou quarta-feira à redacção, através de e-mail, que a proposta de reduções salariais que tem sido rejeitada pelos jornalistas teria de ser aceite por 90 por cento dos trabalhadores até sexta-feira ao meio-dia sob pena de se recorrer a outros métodos que, segundo fontes do título, seriam o despedimento colectivo. Um número que o administrador Pedro Nunes Pedro disse quinta-feira acreditar que seria atingido hoje, rejeitando estar a ser feita qualquer pressão. [...]» [Lusa, sublinhados meus]