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Cibertúlia

Dúvidas, inquietações, provocações, amores, afectos e risos.

Junho 30, 2009

Pacheco Pereira e os anúncios

Miguel Marujo

«Pacheco Pereira tem um novo programa, sobre opinião - Ponto Contra Ponto, na SIC Notícias. Um programa de "opinião, opinião, opinião." A minha opinião: nenhuma opinião vale mais, em Portugal, que a de PP. Alguém que lembra a importância da hesitação no discurso televisivo de Vitorino Nemésio (a quem PP dedicou o seu programa) deve ser escutado. É uma luta necessária, a de PP, contra o "demasiado espectáculo e a pouca razão" na Comunicação Social portuguesa. Mais uma razão para o criticar. No primeiro Ponto Contra Ponto, PP abriu as páginas de procura de emprego do Correio da Manhã, de 26/06/2009, para concluir sobre os maus tempos em que vivemos. Fui ver esse CM: havia 52 anúncios de procura de emprego. Há 15 anos, o CM de 27/06/94 (não escolhi o de 26 porque foi domingo) tinha 104 procuras de emprego. Julgo que seria pouco razoável - PP até diria mais: situacionista! - alguém dizer, à luz dos anúncios do CM, que ao fim de nove anos de Governos de Cavaco (1985-1994) havia o dobro de desemprego que temos hoje... Conclusão: em televisão, abanar as páginas de anúncios de um jornal é demasiado espectáculo. Nemésio hesitaria, pensava e não o faria.»

Ferreira Fernandes, in DN

Junho 29, 2009

Índice do situacionismo (abrupto)

Miguel Marujo

Pacheco Pereira escreve no Público, uma vez por semana; e mais umas vezes soltas que lhe pedem ao longo do ano. Pacheco Pereira escreve na Sábado, uma vez por semana. Pacheco Pereira tem um programa no Rádio Clube, que julgo ser aos dias úteis. Pacheco Pereira perora na Quadratura do Círculo, todas as semanas na SIC-N, às vezes com direito de apanhados para os noticiários da estação. Pacheco Pereira tem um blogue, Abrupto, e mais uns blogues-arquivos de coisas que lhe interessam. No entanto, Pacheco Pereira diz-nos todas as semanas e todos os dias que a liberdade de expressão neste país - onde tantos lhe pagam para ele falar - está em perigo. Feliz país que deixa um opositor falar tanto e tão livremente como o nosso, muito longe de uma Itália berlusconizada que no entanto preocupa pouco o partido de Pacheco Pereira. Coerências.

 

Mas Pacheco queixa-se, muito e sempre. Onde? Queixou-se de novo no arranque de mais um programa seu na SIC-N, onde (imagine-se) vai fazer crítica da comunicação social. (Não, não o calaram: deram-lhe mais um sítio para ele se queixar!)

 

«Não é ciência, nem jornalismo, não tem a preocupação de ser equilibrado, nem isento e não será muitas vezes justo.» Este é o aviso que ele deixa à navegação. Perante isto, Pacheco queixa-se de barriga cheia. Feliz um país como o nosso que dá tantos contrapontos a um "historiador" assim. Ele que experimente Itália.

Junho 28, 2009

Chegados de longe, vê-se de perto (2)

Miguel Marujo

Descubro nos blogues um manifesto de 51 economistas e cientistas sociais que (para o Público não é notícia) defende que só com emprego se pode reconstruir a economia. Tal qual: Leiam na íntegra, por favor.

 

[Assente a espuma dos dias: este manifesto é um contramanifesto a um texto de outros 28 que foi publicidade paga e manchete em vários jornais no dia 20. Nesse dia, de saída do país, tive ocasião de ler um texto que reúne vários responsáveis pelo estado a que chegámos, mas que agora deram todos numa de pilatos sábios: lavamos as mãos sobre o passado que não soubemos gerir, só falamos do futuro... Nota muito relevante, que não sei se foi apontada: em 28 signatários, apenas uma mulher.]

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