Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Cibertúlia

Dúvidas, inquietações, provocações, amores, afectos e risos.

Maio 19, 2009

Se Portugal fosse um país sério,

Miguel Marujo

... não tinha opinadores, que ganham rios de dinheiro para o fazer uma vez por semana num jornal que se prepara para cortar dez por cento dos ordenados de quem lá trabalha a sério (e não, certamente, aos seus opinadores), dizia, se isto fosse uma país sério, riria dos dislates de Pacheco Pereira sobre a Igreja que diz que "o seu Reino não é cá da Terra, e a caridade com o bom e o mau ladrão faz parte da sua missão" (pasmai, tamanha ignorância sobre a Igreja), num texto torpe para justificar os seus supostos comentários politicamente incorrectos (quando alinham com a ortodoxia dominante) mas que, no fundo, se travestem de tiradas racistas. Como sou sério, num país que quero sério, gosto de chamar alguns bois pelos nomes, mesmo que o senhor debite faladura num jornal, numa revista, na rádio, num programa de tv, num blogue e se queixe todos os dias que há censura e falta de liberdade de expressão. Haja pachorra.

Maio 18, 2009

Mandem a tropa para a Bela Vista

Miguel Marujo

Era de desconfiar: Campos e Cunha foi bastante elogiado nos blogues de direita por causa de um texto no Público sobre a Bela Vista. Não li a coisa, no dia, só cheguei ao artigo hoje, onde o ex-ministro das Finanças ataca o fim do serviço militar obrigatório como causa (muito importante) para o que se vive(u) no bairro de Setúbal.

 

O drama mostrado pelo senhor da SEDES (essa magnífica instituição de banalidades) é desmontado brilhantemente por Vasco Barreto: «Na verdade, o SMO não parece ser a panaceia social que Campos e Cunha propagandeia, porque não funciona no Brasil  - que eu saiba, a Bela Vista ainda é mais segura do que muitas favelas. Acresce que o serviço militar obrigatório recrutava aos 18 anos e o crime tem inscrições abertas a partir de idades bem mais tenras. O que traria então o SMO aos bairros sociais? Nada. Ou então traria mais mortos. É que uma das particularidades dos tiroteios nos nossos bairros problemáticos é a gritante falta de pontaria. Com recruta e sessões nas carreiras de tiro, os nossos marginais voltariam ao bairro com valências acrescidas.»

 

Eu não precisava ir tão longe. Bastava recordar-me como eram as minhas viagens às sextas-feiras de comboio, no Interregional de preferência, para Aveiro: hordas de selvagens, vestidos de azul e verde, arrotavam cerveja e obscenidades e ululantes piropos. Mas está visto: estes senhores que opinam sobre tanta coisa não andam de transportes públicos e falam do que desconhecem.

Maio 17, 2009

Filhos de um deus menor

Miguel Marujo

À atenção do Público: no ano lectivo de 1989-1990, tive professores que me leram as instruções do Ministério da Educação para fazer a PGA e as específicas desse ano. Agora, só agora (como descobriu o muiliberal rapaz da moda), parece que ler instruções aos alunos (sem inventar ou omitir) é "salazarista" e é passar um "atestado de menoridade" (segundo o único professor ouvido na peça) aos setôres. Haja pachorra para tais indignações e... notícias.

Maio 16, 2009

Sonhos

Miguel Marujo

Cavaco Silva realiza      
sonho da mulher  
    

O Presidente da República      
terminou ontem a visita de      
Estado à Turquia com uma vi-     
sita à região da Capadócia.      
“Era desde há muito tempo      
um sonho da minha mulher      
e, depois de ler alguns livros      
sobre a Capadócia, eu pró-     
prio comecei a sentir-me      
atraído por uma visita a esta      
parte da Turquia”.      
 

Esta é notícia da primeira página do semanário Expresso de hoje.  Espero urgentemente uma tomada de posição do PSD, com Ferreira Leite e Rangel a reclamarem com o facto do Estado servir para pagar viagens de sonho da mulher de um Presidente. (Para já não falar da habitual encomenda artística de Cavaco.)

Maio 16, 2009

Jornalismo de referência

Miguel Marujo

«Hugo Monteiro, que só deve voltar a Portugal no Natal, disse ao jornal que ficou com a impressão de que Sócrates conhecia Smith e Pedro. "Eu acho que eles tiveram uma reunião juntos. Pelo menos foi o que o meu pai me transmitiu".

Uma vez num café, Hugo Monteiro tentou contar ao primo Sócrates que ia utilizar o grau de parentesco para fechar um negócio mas não lhe pediu autorização para o fazer. "O meu primo não me autorizou e provavelmente não me autorizaria se eu lhe pedisse", contou ao "Expresso".
»

 

Título do artigo? Freeport: Primo garante que José Sócrates conhecia Charles Smith.

 


O título do Público é muito diferente do do Expresso, que é quem dá a notícia original.

[o título da notícia foi alterado às 19h, nove horas depois]

Maio 15, 2009

Ocos

Miguel Marujo

Aposto que dos muitos comentadores sábios e iluminados e cheios de soluções sobre a Bela Vista quase nenhum pôs os pés no bairro, muito poucos ouviram alguma vez as palavras e os sonhos de quem ali vive. Mas para fracas sentenças estão aí prontos, ao virar da esquina.