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Cibertúlia

Dúvidas, inquietações, provocações, amores, afectos e risos.

Março 17, 2009

O ministro e a cadeira

Miguel Marujo

Conto hoje no 24 a história do ministro que terá expulso uma jornalista do seu lugar. As versões dos dois são opostas, mas há duas coisas em que só tenho de concordar com Dina Soares, a jornalista: pela primeira vez, um ministro reagiu a um post e não foi por questões de Estado, foi de cadeirinhas; mesmo que o ministro tenha alguma razão não deixa de ser bizarro o anonimato cobarde da maior parte (ou da totalidade) dos seus defensores. Isso é mau. A cadeira do poder é efémera, devia saber Rui Pereira e seus anónimos rapazes.

Março 13, 2009

Fintar o mundo

Miguel Marujo

É sexta-feira 13. Preza-se nesta casa o desdém a crendices destas, a fé aqui é outra. Como porventura devia ser outro o olhar sobre o mundo: optimista, não carregar mais no que já é mau. Mas depois o mundo encarrega-se de nos atropelar. Ele é os bispos brasileiros acompanhados do Vaticano a serem inclementes com uma menina de 9 anos, quando com o negacionista Williamson abusaram da nossa paciência para a clemência sem sentido. Ele é mais um miúdo a massacrar colegas e professores, com os habituais defensores de armas a dizerem que o perigo não são as armas, mas quem as usa. Ele é o Governo a pairar sobre o desemprego que aumenta, sonhando agora com a nova árvore das patacas que é Angola, no país onde uns poucos roubam tudo aos que pouco têm. Ele é Santana Lopes a dizer-nos que Lisboa só faz sentido com ele, como se os buracos que deixou enxameados pela cidade não fossem mais do que breves dores de cabeça. Ele é o futebol português que se afunda na vergonha de falências e rejubila com dois empates. Ele é uma imprensa anestesiada que prefere desconfiar de quem arrisca e despedir. Ele é os homens que são louvados na hora da morte por aqueles que os atiraram para o subsídio social de desemprego.

 

A cólera já matou mais de 4000 no Zimbabué. Mas há quem insista que o situacionismo é outro. Há guerras na RD Congo, na República Centro-Africana, no Sudão, no Chade, no Sri Lanka, no Afeganistão, no Iraque. Mas a culpa é do árbitro, gatuno, gatuno. A ONU lembra todos os dias que serão os mais pobres, os que já estão na margem dos dejectos, a sofrerem mais com a crise. Mas entusiasmamo-nos com as perdas de 18 milhões do Bill Gates.

 

Da próxima vez que o mundo vos vier atropelar, fintem-no.