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Cibertúlia

Dúvidas, inquietações, provocações, amores, afectos e risos.

Novembro 10, 2008

Resistências

Miguel Marujo

Há uma árvore aqui junto às janelas largas da sala que resiste ao Outono. Já há folhas caídas, mas muitas mais resistem, como se ainda não fosse tempo de se deixarem amolecer no chão.

Novembro 10, 2008

Os criminosos

Miguel Marujo

Sim, podemos continuar a bater em Vitor Constâncio, ele que vai amanhã ao Parlamento. Mas, muito importante nesta história, não podemos esquecer que os principais responsáveis são os senhores que passaram impunes no BPN desde há muitos anos. Esses sim, cometeram crimes. O polícia só não foi a tempo do assalto.

Novembro 09, 2008

Santana Lopes, hoje na Pública: "Odeio que digam que faço de Calimero"

Miguel Marujo

Calimero, Calimero, Calimero, Calimero, Calimero, Calimero, Calimero, Calimero, Calimero, Calimero, Calimero, Calimero, Calimero, Calimero, Calimero, Calimero, Calimero, Calimero, Calimero, Calimero, Calimero, Calimero, Calimero, Calimero, Calimero, Calimero, Calimero, Calimero, Calimero, Calimero, Calimero, Calimero, Calimero, Calimero, Calimero, Calimero, Calimero, Calimero, Calimero, Calimero, Calimero, Calimero, Calimero, Calimero, Calimero, Calimero, Calimero, Calimero, Calimero, Calimero, Calimero, Calimero, Calimero, Calimero, Calimero, Calimero, Calimero, Calimero, Calimero, Calimero, Calimero, Calimero, Calimero, Calimero, Calimero, Calimero, Calimero, Calimero, Calimero, Calimero, Calimero, Calimero, Calimero, Calimero, Calimero, Calimero, Calimero, Calimero, Calimero, Calimero, Calimero, Calimero...

 

[modesto contributo para ver se o tipo se enxerga - ainda que o Calimero, o verdadeiro Calimero, não tenha culpa nenhuma...]

Novembro 08, 2008

Avenidas de Liberdade

Miguel Marujo

Não se viam todos, nem uma pequena parte, o autocarro passou depressa num Marquês de Pombal prestes a engravidar de gente por todos os poros: vinha lá a manif dos professores, 100 mil, 120 mil, pouco importa. Nestas coisas das classes profissionais podemos desconfiar de corporativismos, mas quando estes saltam para a rua assim desta forma é algo mais que está lá. Insistir, como insiste a ministra, em que para a frente é caminho, é não perceber que na coisa pública o melhor às vezes é parar e repensar as coisas todas, mudar de novo, se for preciso. É dar o braço a torcer, é fraquejar? Que importa, se os dividendos futuros forem maiores?!

Novembro 08, 2008

Woman in red

Miguel Marujo

Que as autoridades da província iraniana de Kerman tenham proibido às mulheres o uso do branco, do vermelho e do amarelo, por se tratarem de cores excitantes, não me admira; fossem outros os tons, eventualmente mais pardacentos, e o conselho local do Ministério da Cultura e da Orientação Islâmica faria igual juízo, se vestissem formas excitantes.

 

A mulher de vermelho talvez seja mito cinéfilo (e coisa maltratada com o hino lânguido-lamechas do Chris de Burgh), mas há momentos que nos obrigam a parar, respirar e aceitar: há qualquer coisa com ela – ia a escrever "qualquer ela", mas talvez seja melhor não abusar – vestida de vermelho. Jessica Rabbit ou Cameron Diaz em "A Máscara" ou, muito importante pesquisar no Google, Scarlett Johansson na cerimónia dos Globos de Ouro de Janeiro de 2006: está tudo resumido nas fotos desse dia e nós perdemo-nos na tradução. Ainda assim, vale a pena lembrar que, sim, o vermelho é (palavra de Wikipedia) uma cor vibrante, associada à paixão, que significa "força, virilidade, feminilidade, dinamismo". Ou "exaltante e até enervante", que se impõe "sem discrição" e "essencialmente quente". Por isto, mesmo que ache que uma mulher nos pode cativar por tudo e vestida de outra cor, talvez o vermelho nos puxe mais à contemplação, até que a vista nos doa.

 

Deste meu canto de observação, não altero, ainda assim, o meu comportamento em função da cor do vestido de uma mulher. Basta-me se é bonita. Numa festa ou num encontro, a vertigem pode ser o próprio vestido, como esclarece e bem Scarlett. Mas a memória repete uma frase batida: o que me faz virar a cabeça não é igual em situação alguma. Podem ser os olhos, ou as formas. No dia em que vi os olhos mais bonitos, descobri-os uns anos depois como os da minha mulher – e são azuis.

 

 

[depoimento para um inquérito do jornal Público sobre se os homens gostam delas vestidas de vermelho, publicado no P2 desta sexta-feira]

Novembro 06, 2008

As expectativas (recuperar palavras antes da vitória)

Miguel Marujo

«Tudo começou há 11 meses, quando dei por mim a ver a CNN às tantas da madrugada e a assistir ao discurso de Barack Obama após a sua vitória no caucus do Iowa, primeira etapa das primárias democratas no caminho para a Casa Branca. Eu já tinha lido alguns textos sobre Obama em 2007, sobre o seu nome surpreendente, a sua cor de pele e o seu talento político, mas estávamos numa época em que ninguém acreditava que ele pudesse bater a máquina Clinton. Obama era uma boa história, muito mais do que um bom candidato. Só que o frio Iowa, com a sua população esmagadoramente branca e um método de eleição que beneficiava as campanhas mais empenhadas e fervorosas, veio mudar tudo. Para a América, com certeza. Mas, em parte, também para mim.

Ler sobre Barack Obama nos jornais é uma coisa. Ouvi-lo discursar em directo é outra muito diferente. E eu jamais esquecerei a sensação de deslumbramento com que o escutei pela primeira vez na madrugada de 4 de Janeiro de 2008. Lembro-me de ter pensado "uau, mas quem é este tipo?", e num arroubo de romantismo político (coisa que nunca pensei existir) ir buscar a minha mulher para partilhar comigo aquele momento. Quatro dias depois publicava no DN um texto intitulado "Convém fixar uma nova palavra: obamamania", que começava assim: "Se no mundo desencantado em que vivemos ainda houver espaço para acreditar em homens providenciais, então eu quero acreditar neste." E de seguida apostava na sua vitória nas primárias de New Hampshire - uma asneira de todo o tamanho, já que as famosas lágrimas de Hillary Clinton acabaram por o derrotar. Ainda assim, foi sua a festa. O seu discurso no New Hampshire, depois condensado no vídeo de will.i.am e Jesse Dylan Yes We Can - que ainda hoje me maravilha quando o vejo -, é certamente um dos mais espantosos discursos de derrota dos tempos modernos.

Eu sei que no mundo em que vivemos, e nos jornais em que escrevemos, estas palavras parecem ingénuas. Sei também que dificilmente Obama estará à altura das expectativas que criou para si próprio. Não importa. Não o vejo - nem nunca o vi - como um Messias que revolucionará a forma de fazer política. Isso não existe. Mas é de facto um enorme prazer, ao fim de 35 anos de vida, pela primeira vez olhar para um político e poder dizer: "Eu realmente acredito neste homem." Não por ser imune ao erro, ou sequer concordar com 100% do que ele diz, mas por ter todas as condições de carácter para, em cada momento, poder decidir da melhor maneira. Que ele seja negro e se chame Barack Hussein Obama apenas demonstra que o sonho americano continua vivo. E só quem tiver perdido toda a esperança pode não encontrar aí algum conforto.»

 

João Miguel Tavares, DN