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Cibertúlia

Dúvidas, inquietações, provocações, amores, afectos e risos.

Novembro 26, 2008

Onde é que assino?

Miguel Marujo

«Sempre que se fala de “falências” e “insolvências”, eu imagino donos de empresas, accionistas, gestores, a devolverem os carros de serviço, a fazerem contas à vida, a venderem as casa da Comporta e do Algarve, e a reunirem a família para repensar o orçamento e fazer face à crise. Ou seja, nas minhas reminiscências esquerdelhas, eu imagino que, uma vez falhado o modelo de negócio, o patrão desça ao patamar do operário. E chego a sentir aquele aperto ligeiro no coração.

... Mas depois acordo e vejo o ex-gestor, o ex-presidente, o ex-qualquer coisa, conduzindo o seu Mercedes a caminho do restaurante à beira-rio onde decidirá de que forma vai recomeçar a partir do ponto onde antes encerrou – ou seja, bem acima do zero -, ou o que poderá fazer pelo Partido que no passado o apoiou. Penalização? Nenhuma. Carreira? Sempre a subir.

E então dou razão ao Pedro Mexia: “Achei que o mundo era complexo e afinal é bastante simples. Há instintos, interesses, desejos e lógicas de classe. Não há mais nada”.

E não havendo mais nada, tudo o resto é imaginação. E injustiça.» [Pedro Rolo Duarte]

Novembro 26, 2008

Pub

Miguel Marujo

Há na cidade pubs e bares enfiados em prédios discretos, antigos, quase decadentes, em bairros residenciais onde o barulho não faz mossa nem agenda política, que nunca estão na moda nem passam de moda. Ontem à noite, ali na Rua de Santo António à Estrela, passei pelo Bombshelter, da minha infância lisboeta, onde acabávamos as noites a comer umas boas tostas. Não terá mudado, no interior decadente e antigo, nas vozes dos mesmos clientes de sempre, porque não estão na moda nem passam de moda. Só não ponho as mãos no fogo pelas tostas.