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Cibertúlia

Dúvidas, inquietações, provocações, amores, afectos e risos.

Outubro 07, 2008

O plano Paulson: How much is $700bn?

Miguel Marujo

«The arguments for a bailout to avoid systemic collapse are of course genuine and persuasive, but so are the arguments for aid and against standing by and allowing a child to die every 3 seconds, or a woman to die in childbirth every minute. To put the proposed Wall Street bailout into perspective. $700bn:

· Would clear the accumulated debt of the 49 poorest countries in the world ($375bn) twice over
· Is almost 5 times the annual amount of extra aid needed to achieve all the Millennium Development Goals on poverty, health, education etc ($150bn a year)
· Is about 7 years of current global aid levels ($104bn in 2007)
· Is enough to eradicate all world poverty for over two years (UNDP  calculates it would take $300bn to get the entire world population over the $1 a day poverty line).

On the other hand it’s
· only a quarter of the cost of the Iraq war ($3 trillion on Joseph Stiglitz’ calculation )
· a half of annual global military spending ($1339 bn)

Priorities, priorities»

 

Duncan Green

Head of Research for Oxfam GB and author of 'From Poverty to Power'

Outubro 06, 2008

Combustão

Miguel Marujo

O ACP descobriu aquilo que todos os portugueses automobilistas sabem: há concertação entre as petrolíferas, no preço dos combustíveis. A Autoridade da Concorrência tinha dito há uns tempos que não. Os portugueses de futuro pedirão estudos sobre electricidade, comunicações e outros alegados sectores livres ao ACP.

Outubro 05, 2008

Qual era mesmo o défice do Governo 2002-04? (ou não olhem para o que faço, mas só para o que digo)

Miguel Marujo

«O presidente da Comissão Europeia alertou hoje que a crise financeira não deve ser pretexto para que os Estados-membros da UE ultrapassem o limite de 3 por cento do PIB em matéria de défice orçamental. "A aplicação do Pacto de Estabilidade deve reflectir as circunstâncias excepcionais em que nos encontramos, como prevê aliás o próprio pacto. Mas isso não deve ser um pretexto ou uma desculpa geral para ultrapassar o limite de 3% do PIB em matéria de défice orçamental", afirmou José Manuel Barroso ao jornal francês Le Parisien.» [da Lusa]
 

Outubro 04, 2008

Santana

Miguel Marujo

O eventual sim de Santana a Ferreira Leite a Lisboa diz mais desta do que daquele. Ele nunca percebeu porque o escorraçámos nas eleições (e não Sampaio, como ele lacrimeja). Ela enche a boca com ética e fazer diferente, quando faz a velha política de sempre.

Outubro 03, 2008

Despojos

Miguel Marujo

 

foto MM, Set/08

 

 

A História está cheia de lições que os homens esquecem. Entra-se no War Remnants Museum - em vietnamita o Bảo tàng chứng tích chiến tranh - e somos provocados pela memória visual e de fragmentos de uma guerra aprendida no cinema. Há a declaração constitucional americana, à entrada da exposição, a lembrar que todos devem ser tratados de forma justa e como iguais, e o desenrolar de fotos e histórias e rostos e corpos que contam o contrário. Há um canto de horrores, mortos ou vivos, filhos de um agente laranja que ainda hoje marca ou mata. Uma máquina de propaganda, dirão os guerreiros mccains-pallianianos deste mundo, como se a guerra não falasse por si. Uma democracia é derrotada nesse instante: quando a ditadura eficazmente a ataca, pelos desmandos de uma guerra injustificada. Cá fora, nas ruas de Ho Chi Minh, Saigon que resiste na memória de tantos locais, os deficientes dessa guerra polvilham as ruas de mão estendida ao turista. A propaganda esquece-os. São os despojos.

Outubro 03, 2008

Não há jornalismo

Miguel Marujo

O nazi Mário Machado fala livremente (coisa que ele não aprecia que outros o possam fazer) aos jornalistas de micro estendido que não lhe perguntam o óbvio: ele não é condenado porque os pretos andam aos tiros, como afirma, ele é condenado porque violou as leis deste país, certo? Certo. Crimes graves. Ponto final.

Outubro 03, 2008

Há Justiça

Miguel Marujo

Por vezes, algumas vezes, a Justiça faz-nos acreditar: o nazi Mário Machado foi condenado por crimes vários (e não por alegadas ideias idiotas, velhas, ultrapassadas, como tantas vezes nos quis fazer crer). Quatro anos e dez meses. Muito bem.

Outubro 02, 2008

Gestor Pangloss

Miguel Marujo

22.09.2008, Rui Tavares

 

«Enganados de novo. Andámos durante estes anos a aturar os consultores da Merryl Linch, os gestores da Lehman Brothers, os génios financeiros da Goldman Sachs - para vermos, numa só semana, que nem da casa deles sabem cuidar. Quantas vezes os ouvimos dizer que tínhamos de "desregular", ou que havia controlos demasiado "rígidos" sobre o mercado, ou que não tínhamos dinheiro para pagar saúde aos cidadãos, ou a universidade aos estudantes, ou que os privados fariam melhor com as nossas pensões de reforma? Pois bem, o contribuinte americano deve estar bem lixado, neste momento, ao ver que o dinheiro que não havia para reparar pontes e diques já terá que aparecer para safar todo o sistema financeiro desregulado. E no entanto há sempre crentes. Tal como havia membros do Politburo que se felicitavam pela robustez da RDA enquanto o Muro de Berlim caía. Alberto Gonçalves, no DN, supõe que as "falências sejam sintoma do perfeito funcionamento" do sistema. António Borges continua a defender a privatização da Segurança Social, alegando que as pensões privadas nos EUA não entraram em colapso, só perderam grande parte do seu valor. E o programa de John McCain diz que o sistema de saúde deve ficar mais parecido com o sistema financeiro. A ideia é que as falências sucessivas são uma purga "natural" e que a seguir à desregulação temos de desregular mais ainda. Esta gente era capaz de viver na Idade Média e não só dizer que a peste negra era uma coisa óptima como defender que a cura era esfregar os abcessos bubónicos uns nos outros. No século XVIII, Voltaire criou o Professor Pangloss, personagem que representava o filósofo dogmático que, por mais desgraças que visse - massacres, estupros, escravidão -, dizia sempre que "tudo vai pelo melhor no melhor dos mundos possíveis". Não seria difícil recriar, hoje em dia, a personagem do gestor Pangloss ou do político Pangloss. A tua empresa faliu e foste despedido? Isso é estupendo, porque o mercado se liberta espontaneamente das ineficiências. Os bancos deram cabo do jogo? É a purga necessária após um período de exuberância. Houve gente que perdeu casas, seguros de saúde, pensões de reforma? Wunderbar! Tudo vai pelo melhor no melhor dos mundos possíveis. Estás a morrer de uma infecção generalizada? Sim, mas repara que as bactérias gozam de excelente saúde. Esta gente fala em desregulação e liberdade mas não percebe que viver sob o jugo destas empresas de sucesso é levar uma vida de regras leoninas, em letra miudinha, em que não resta liberdade alguma para o cliente, o empregado que lhes deu o tempo da sua vida ou o contribuinte que vai ter de lhes salvar o couro. Se há azar, chama--se-lhe ajustamento e espera-se que todos fiquemos saciados com a explicação. Pela mesma lógica, também o terramoto de 1755 foi só um ajustamento das placas tectónicas. Aos sofistas de mercado falta-lhes entender o que dizia Protágoras: "o Homem é a medida de todas as coisas" - para si mesmo, naturalmente. Mas é de nós mesmos que estamos a falar. O maravilhoso funcionamento da teoria fez vítimas na prática. Esta é a medida última: não o mercado, não as empresas, não o sistema financeiro - mas as pessoas.»

 

(eu sei, já tem uns dias, mas só agora cheguei à sua leitura - obrigado, Zé Filipe! - e permanece actual. e merece ser reproduzido, no dia em que o Parlamento discute a xenofobia travestida do CDS sobre a segurança, o mesmo CDS que esquece a criminalidade bem mais gravosa para o País dos Jacintos Capelos Regos desta terra...)

Outubro 01, 2008

Sem estado

Miguel Marujo

Ontem de manhã, ainda atordoado por 28 horas de viagem, ouço na rádio a crise a bater-nos estrondosamente. Um baralho de cartas a ruir. E quem chama à antena o jornalista? Nogueira Leite, economista de profissão, um dos que anda há anos nisto: a anunciarem-nos o fim do Estado social, mas a criticar agora quem não quis o Estado a ajudar Wall Street. Estes senhores têm a lição estudada: o bolso deles merece Estado, o dos pobres do rendimento mínimo, penas mais duras.

Outubro 01, 2008

Os novos navegadores (notas de viagem)

Miguel Marujo

Ok, há Ronaldo, depois Luís Figo, Rui Costa, Fernando Couto, Vitor Baía, Nuno Gomes. Assim, sem vacilar. E Deco, my favourite. O bagageiro deste hotel de Ho Chi Minh faz mais por Portugal que qualquer campanha institucional. E diz o óbvio: Deco é português, my favourite. Só os nacionalistas é que ainda não perceberam.

 

 

[Por estes dias vou contando em breves pinceladas os caminhos do Oriente por onde andei. Em palavras ou imagens. Meros apontamentos, eventuais divertimentos.]

Outubro 01, 2008

Obama, católicos, aborto

Miguel Marujo

«I believe that abortion is an unspeakable evil, yet I support Sen. Barack Obama, who is pro-choice. I do not support him because he is pro-choice, but in spite of it. Is that a proper moral choice for a committed Catholic?

As one of the inaugural members of the U.S. bishops' National Review Board on clergy sexual abuse, and as a canon lawyer, I answer with a resounding yes. [...]»

(Nicholas P. Cafardi, National Catholic Reporter)

 

- um ponto de vista interessante...

Outubro 01, 2008

Assim se vê a incoerência do PC

Miguel Marujo

Leio no projecto de teses ao Congresso do PCP: "Importante realidade do quadro internacional, nomeadamente pelo seu papel de resistência à «nova ordem» imperialista, são os países que definem como orientação e objectivo a construção duma sociedade socialista – Cuba, China, Vietname, Laos e R.D.P. da Coreia." (sublinhados meus). Acabado de chegar do Vietname, pasmo com esta afirmação do PCP. Ao pé do Governo de Hanoi, José Sócrates é um aprendiz das políticas de direita. Sem surpresa (basta olhar para a China), o Vietname acabou com um serviço educativo e um serviço de saúde gratuitos. De socialista (estragando o uso da palavra), apenas se mantém a ditadura de partido único. Os senhores das teses do PCP bem podiam estudar melhor...

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