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Cibertúlia

Dúvidas, inquietações, provocações, amores, afectos e risos.

Dezembro 05, 2007

Cá da casa

Miguel Marujo

O bairro quadriculado, de ruas e ruelas, que as há, de muitos carros e mais peões, do jardim e da sueca no jardim, das lojas e lojinhas, dos barbeiros e dos sapateiros, das livrarias e das papelarias, do melhor bolo de chocolate do mundo e da escola de condução, da Ferreira Borges e da Saraiva de Carvalho, dos tecidos e dos painéis do Almada, dos Prazeres e do seu eléctrico, do cemitério e das suas vistas e campas, deste cantinho que se disfarça como sendo do bairro, dos outros cantinhos todos que merecem cada pedra da calçada... Tudo isto mora aqui, também.

Dezembro 04, 2007

Descontente

Miguel Marujo

Lê-se na Lusa: «Sessenta e um processos de despedimento colectivo foram iniciados no terceiro trimestre do ano, abrangendo um total de 968 trabalhadores, de acordo com o Boletim Estatístico de Outubro, hoje divulgado.» Quase mil trabalhadores despedidos por uma lei que facilita o despedimento, este tipo de despedimento. Invocam-se motivos falaciosos. Inventam-se desculpas esfarrapadas. Nunca se aponta o dedo às administrações, os trabalhadores é que não aceitam as mudanças. Mas ninguém quer saber dos elevados custos sociais para o país destes despedimentos. São números para as estatísticas, inevitabilidades do mercado. No final, ouviremos sempre o mesmo: bagões e ministros a dizerem que tem de ser. Não tem, dizemos nós. E Sócrates não pode estar contente.

Dezembro 04, 2007

Solene

Miguel Marujo

Haja solenidade, ou não estivéssemos em Coimbra. Na Sala dos Capelos, os reis e rainhas olham do alto, como o júri, para a candidata ao doutoramento. Os bancos do público são de desconforto, mas o consolo chega com o final. Ao que recebe a nota máxima, o júri manda chamar. Ao que se aprova sem essa nota, o júri desce para se anunciar. Ali não vimos o júri, a tradição soube melhor.

Dezembro 01, 2007

Baixa-Chiado

Miguel Marujo

Há vendedores de rua, uma tuna, pedintes, meninas a fazer tranças, iluminações de Natal, gente com sacos, sacos de gente, a subir e a descer, a entrar e a sair, lojas, cafés, livrarias, esplanadas, os armazéns. O Chiado e a Baixa fervilham, a céu aberto. Quem é que precisa de se enfiar num shopping?!

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