Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Cibertúlia

Dúvidas, inquietações, provocações, amores, afectos e risos.

Dezembro 29, 2007

De quem se olha ao espelho

Miguel Marujo

Escreve Pacheco Pereira, hoje no Público, sobre «A cultura de blogue nacional», para concluir que é um «mostruário da nossa pobreza, da nossa rudeza, da falta de independência que caracterizam o nosso "Portugalinho"».

Vejamos o blogue de Pacheco: Coisas da Sábado (os textos que publica nessa revista); o texto semanal de opinião do Público; «early morning blogs» (poemas ou textos de outros autores postados de manhã); «Momentos em tempo real: exteriores» (fotos manhosas ou bonitas dos leitores); «o Abrupto feito pelos seus leitores» (e-mails e comentários dos leitores com comentários a posts ou a temas). Tudo somado, há pouco de Pacheco Pereira-blogger neste seu blogue. Deve ser o retrato «da nossa pobreza, da nossa rudeza, da falta de independência que caracterizam o nosso "Portugalinho"».

[Nota: o Abrupto já teve uma média de 4 mil e tal visitas no sitemeter, hoje queda-se pelos dois mil e muito, que ainda é muito mas reflecte a significativa perda de importância do Pacheco de hoje na blogosfera nacional. Talvez por isso o texto de hoje no Público, que será publicado no seu blogue.]

Dezembro 29, 2007

Chiado, crise

Miguel Marujo

Desce-se o Chiado entre tropeções, carros a mais, sacos de compras. Volta-se a subir, mais sacos, gente que se desvia ou nem por isso. O discurso de todos parece resumir-se ao défice, mas parece que o défice já desceu também nas carteiras.

Dezembro 28, 2007

As religiões matam

Miguel Marujo

A violência das religiões dá pano para mangas. A morte de Benazir Bhutto é mais um pretexto para o discurso de agora que as religiões só matam. Em Itália, li ecos de um texto de Salman Rushdie que acusa as religiões de todos os males do mundo. Não sei que reacções mereceu por cá o texto, se é que foi lido e conhecido. Lá li algumas bem interessantes... Em todo o caso, o discurso de Rushdie não é de agora e tem uma marca pessoal indelével. Há outros autores, nomeadamente americanos, que têm insistido nesta tese para concluir que Deus não existe. Esta lógica argumentativa (a de Rushdie e a de outros) é o reverso da frase do cardeal-patriarca que anunciou que o maior drama da humanidade é o ateísmo. Todos esquecem, no equívoco destas suas posições, que uns e outros fazem o mundo avançar nas coisas boas. É verdade que os do costume falam-me da Inquisição, do Pio XII (deturpando aqui grosseiramente a História), da Al-Qaeda ou do fundamentalismo bombista na Irlanda; como os crentes atiram com o nazismo e o comunismo, tragédias maiores que a Inquisição.
Deus não se escreve nestes atentados, já o repeti, e mantenho. Quem se diz de Deus, está longe dEle quando mata assim. Como estava longe de Deus, nas fogueiras ou nas torturas das prisões chilenas ou nos campos de extermínio de Auschwitz ou dos gulags. As religiões que matam não são religiões. Como as ideologias que mataram já não eram ideologias.

Dezembro 27, 2007

Ateísmos, conversões

Miguel Marujo

Deus anda na boca de toda a gente, com predilecção para ateus. Tony Blair converteu-se e logo todos se apressaram a comentar (no Renas e Veados, acha-se que o facto de Blair ter uma determinada opinião sobre aborto e orientação sexual é dissonante com a sua conversão e até se preocupam com os números dos que participam nas missas, ámen), Rui Tavares comenta hoje no Público a frase (tonta) do cardeal-patriarca que diz que o ateísmo é o maior drama da humanidade, para explicar que esta europeização do pensamento policarpiano pode levar ainda mais crentes europeus a afastarem-se da Igreja. Duvido disto tudo. Duvido que os católicos se tenham entusiasmado com Blair convertido, assunto que entreteve mais blogues e jornais que paróquias e crentes. Duvido que a frase (tonta) de Policarpo ecoe no coração dos crentes periclitantes para eles se afastarem de vez. O que me espanta sempre é esta preocupação com as coisas de Deus, de quem se diz longe dEle. Apetece brincar, que os caminhos do Senhor são insondáveis. Ou... o Menino travesso tem mil e uma formas de se manifestar.

Dezembro 25, 2007

[Natal]

Miguel Marujo

Uma pequenina luz bruxuleante
não na distância brilhando no extremo da estrada
aqui no meio de nós e a multidão em volta (...).
Uma pequenina luz bruxuleante e muda
como a exactidão como a firmeza
como a justiça.
Apenas como elas.
Mas brilha.
Não na distância. Aqui
no meio de nós.
Brilha.

(Jorge de Sena)

Pág. 1/3