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Cibertúlia

Dúvidas, inquietações, provocações, amores, afectos e risos.

Outubro 26, 2007

Blimunda

Miguel Marujo

Uma longa mesa para negociações entre a UE e a Rússia, em Mafra. Na imagem consegui distinguir duas mulheres, no meio de fatos-e-gravatas. Talvez cirandassem por lá mais umas assistentes.

Outubro 26, 2007

Boarding

Miguel Marujo

Diz-nos a CIP que um aeroporto em Alcochete custará menos três mil milhões de euros. É dinheiro. Mas este coelho da cartola, tirado de repente e logo incensado numa quase unanimidade, continua a merecer-me reparos: quem o financia?, que interesses se escondem?, a Lusoponte é uma das suas financiadoras?
No dia em que a CIP (confederação de industriais, note-se) divulgar tudinho, aí sim pode comparar-se.

[Da Ota, não sei se é melhor ou pior. E os interesses da Ota, já atravessaram governos PSD - que deu luz verde à coisa, note-se - e PS.]

Outubro 25, 2007

Credo pessoal

Miguel Marujo

«Sou como um amigo meu que foi visitar a catedral de Chartres e começou a levitar diante de um dos vitrais, até se lembrar de que não era místico e voltar para o chão.»

[Luís Fernando Verissimo, Borges e os Orangotangos Eternos, ed. Asa]

Outubro 25, 2007

Morrer devagar

Miguel Marujo

Este blogue é coisa de política, era assim que o apresentaria a amigos e desconhecidos há uns tempos largos. Hoje olho para a política e é coisa que quase me deixa indiferente. Uns arremedos de piadas ou umas boutades indignadas, é como despacho esse mundo daqui. Há um governo que gosta disto - gosta de nós assim parados, mas o desgoverno pega-se, quando oposição e sindicatos trauteiam os seus pequenos interesses, nada que ver com a vida de todos nós. Há dias alguém (não me lembro quem) contava o espanto do professor Charrua, tornado paladino da liberdade, que se dava conta de como os miúdos eram diferentes nas escolas de hoje, ele que há 20 anos estava num gabinete a pensar as políticas para esses miúdos, que ele reconhece não conhecer nem compreender. Morre-se devagar neste país, diz-nos uma cantiguinha de Lobo Antunes. Pois. O pior é que a coisa pega-se: morre devagar este país.

Outubro 23, 2007

Allgarve

Miguel Marujo

Quatro turistas morreram na praia do Tonel, no Algarve, três deles britânicos. Depois de Maddie, o Allgarve anda com azar... A pivô da Sky News estava impressionada, esta manhã: havia gente na água, dizia ela (eram surfistas), e porque é que, com um tempo tão warm, não se prolongava a época balnear?! É verdade que os ingleses não percebem que não estamos nos trópicos e até para nós este tempo é fora de época, mas por via das dúvidas as autoridades para a próxima que quiserem promover Portugal devem começar a olhar para a meteorologia.

Outubro 23, 2007

Razões

Miguel Marujo

Diz o ministro Mário Lino que a greve dos pilotos é «inoportuna» e tem «motivações políticas». Julgo (independentemente de concordar ou não) que é por isso que se fazem greves: por serem inoportunas e terem motivações políticas (que não se confundem com partidárias).

Outubro 23, 2007

Há idiotas que não entendem nada (e são acolitados na sua imensa ignorância): sendo o bordel e a Igr

Miguel Marujo

- Gostava de viver uma igreja sem celibato.
- Gostava de viver uma igreja com as mulheres também no altar a celebrar como presbíteras.
- Gostava de viver uma igreja em que o sexo não é crime ou pecado.
- Gostava de viver uma igreja em que a secularização não é inimiga.
- Gostava de viver uma igreja em que todos são iguais perante Deus, independentemente de género, raça ou orientação sexual.
- Gostava de viver uma igreja que pega no megafone para protestar contra salários de miséria ou a pobreza das arcadas e que não abra a boca só porque um crucifixo caiu da parede ou a barriga é de todos.
- Gostava de viver uma igreja que rejeita o abuso sexual de menores, mas não tem medo de entregar os que prevaricam ou pecam, sem confundir com a homossexualidade, que é de outro reino.
- Gostava de viver uma igreja que é deste mundo, sem medo de se parecer demasiado com este mundo.
- Gostava de viver uma igreja que é de homens e mulheres.
- Gostava de viver uma igreja que não expulsa os que rezam de modo diferente ou que afasta quem não caminha na procissão das velas.
- Gostava de viver uma igreja que fosse Igreja.

[Texto publicado originalmente na Terra da Alegria, há dois anos.]