Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Cibertúlia

Dúvidas, inquietações, provocações, amores, afectos e risos.

Janeiro 16, 2007

Geração de 70

Miguel Marujo

A minha geração já se calou, já se perdeu, já amuou, já se cansou, desapareceu
ou então casou, ou então mudou, ou então morreu, já se acabou.

A minha geração de hedonistas e de ateus, de anti-clubistas,
de anarquistas, deprimidos e de artistas, e de autistas estatelou-se docemente contra o céu.

A minha geração ironizou o coração, alimentou a confusão,
brincou às mil revoluções amando gestos e protestos e canções,
pelo seu estilo controverso.

A minha geração só se comove com excessos, com hecatombes,
com acessos de bruta cólera, de mortes, de misérias, de mentiras,
de refelxos da sua funda castração.

A minha geração é a herdeira do silêncio,
dos grandes paizinhos do céu,
da indecência, do abuso,
e um belo dia esqueceu tudo e fez-se à vida
na cegueira do comércio.

A minha geração é toda a minha solidão, é flor de ausência, sonho vão,
aparição, presságio, fogo de artifício, toda vício, toda boca
e pouca coisa na mão.

Vai minha geração, ergue a cabeça e solta os teus filhos no esplendor
do lixo e do descuido, deixa-te ir enquanto o sabor acre da desistência vai
corroendo a doçura da sua infância.
Vai minha geração, reage, diz que não é nada assim,
que é um lamentável engano, erro tipográfico, estatística imprecisa, puro
preconceito, que o teu único defeito é ter demasiadas
qualidades e tropeçar nelas.
Vai minha geração, explica bem alto a toda a gente que és por demais
inteligente para sujar as mãos neste velho processo, triste traste de Deus,
de fingir que o nosso destino é ser um bocadinho melhores do que antes.
Vai minha geração, nasceste cansada, mimada, doente por tudo e por nada,
com medo de ser inventada, o que é que te falta agora que não te falta nada?
Poderá uma pobre canção contribuir para a tua regeneração
ou só te resta morrer desintegrada?

Mas, minha geração, valeu a trapaça, até teve graça,
tanta conversa, tanta utopia tonta, tanto copo,
e a comida estava óptima! O que vamos fazer?

JP Simões, «1970 (Retrato)».

Janeiro 16, 2007

Meti-me com os lobos

Miguel Marujo

Eu que já me tinha deliciado com o artigo (e o seu engenho) [do Rui Tavares, na Blitz, de Novembro], sem concordar com o remate natural para um ateu de que é melhor não existir vida eterna (sou católico, sim), apenas assinalo para debate que o ateu não terá “crença” nem “fé” na sua não-crença. Mas há ateísmos (os -ismos) que se publicam diariamente numa versão crente da sua única verdade, numa versão intolerante das fogueiras inquisitoriais, sem pingo de vontade em dialogar. A minha “falsa certeza”, como escreve o António Figueira [nos comentários a este texto], constrói-se, se calhar, mais de (ou, pelo menos, tantas) dúvidas permanentes que a sua certeza na permanente dúvida.

[comentário deixado ao post de Rui Tavares, que reproduz o seu artigo Na Cova dos Lobos, Blitz, Nov/06]

Janeiro 16, 2007

Do aborto, uma história exemplar

Miguel Marujo

«[...] Dizia o colega que esse tipo de utentes - as mulheres - seriam na sua grande maioria pessoas mal formadas de classes desafavorecidas ou adolescentes incautas. E que não seria possível, na era do preservativo e do não-tabu sexual, ser conivente com esse tipo de comportamento imprudente. Seria necessário educá-las, mas nunca à custa de uma morte. [...]» [in Coriscos]

Janeiro 16, 2007

Os globos

Miguel Marujo

Abigail Breslin, de Little Miss Sunshine, à chegada da cerimónia dos Globos de Ouro.

O que vem a seguir não causa bocejo, o que causa é a apresentação em português (inenarrável) do AXN. E a ausência do ano, a comparar com o ano que passou, foi esta.

[Ah: Babel foi o vencedor. Ainda não vi, vou gostar de ver.]

Janeiro 16, 2007

Globos de ouro (ao minuto): fomos ao tapete!

Miguel Marujo

id="BLOGGER_PHOTO_ID_5020467893568313026" /> id="BLOGGER_PHOTO_ID_5020467893568313010" /> id="BLOGGER_PHOTO_ID_5020475079048599250" />

[de cima para baixo, da esquerda para a direita:] Penélope Cruz, Naomi Watts, Rachel Weisz, Salma Hayek, Cate Blanchett, Jessica Biel, Sienna Miller, Kate Winslet, Evangeline Lilly, Teri Hatcher, Eva Longoria, Ali Larter, Emily Blunt, Courtney Cox, Ellen Pompeo, Jennifer Garner, Beyonce Knowles e Vanessa Williams.

Janeiro 15, 2007

Bimby, com muito gosto

Miguel Marujo

A senhora é um êxito, vive do passa palavra, faz desconfiar quem nunca a viu (e ouve as descrições a raiar o fundamentalismo de quem tem uma), mas tem muita utilidade. É a nova coqueluche de conversas de amigos, ultrapassando as banalizadas estantes Billy, do Ikea. O nome pode não ser o mais feliz, nem o preço, mas no fim de contas «a mais pequena cozinha do mundo», Bimby de seu nome, é de facto um objecto a cuidar com desvelo: «Pica, rala, corta, bate, amassa, mói, tritura, pesa, emulsiona e cozinha! E... até cozinha a vapor e lava-se sozinha.» Passe o entusiasmo publicitário. A senhora merece. Que mais podia reivindicar clubes só para si, como o português Clube Bimby. Vão por mim: daqui a uns tempos tudo o que é revista está a falar do robô.