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Cibertúlia

Dúvidas, inquietações, provocações, amores, afectos e risos.

Janeiro 19, 2007

Os criminosos

Miguel Marujo


Fixem bem estas caras. Os dois senhores de cima custaram-nos 1,6 milhões de euros em Setembro de 2004, por terem estado meia dúzia de anos na Caixa Geral de Depósitos. Falta-me tempo para ver exactamente quanto tempo. A equipa sucessora (cinco membros) foi indemnizada com 2,6 milhões de euros e só o presidente, Vítor Martins, levou para casa 800 mil euros. Mais uma cara a fixar. António de Sousa, Mira Amaral e Martins foram chicos-espertos. Mesmo que todos os dias gritem contra o Estado despesista (e fazem-no amiúde), trataram de despir o Estado na hora da sua saída. Qualquer trabalhador se trabalhar meia dúzia de meses ou anos numa empresa, sai com uma indemnização pequenina. Estes senhores, não. Mas à chico-espertice deles, devem apontar-se outros nomes: os dos ministros que os contrataram e assinaram estes contratos ruinosos para o Estado. Estes senhores devem ser chamados à responsabilidade e deviam pagar eles do seu bolso. Talvez assim Bagão Félix (um dos ministros responsáveis) encontrasse alguma sustentabilidade na Segurança Social.

[Actualizado: só hoje li no DN de ontem, que Mira Amaral e António de Sousa afirmam não ter recebido o dinheiro porque saíram por iniciativa deles da Caixa, não foram postos a andar; não os iliba de o seu contrato prever que seriam demasiado bem ressarcidos se tivessem sido convidados a sair; ressalvas: os administradores que saíram ganharam 4,2 milhões de euros, os ministros assinam contratos ruinosos, sem serem responsabilizados por isso.]

Janeiro 18, 2007

Fosse o Sócrates... (II)

Miguel Marujo

«A visita do presidente da República, Cavaco Silva, à Índia deverá ficar registada como a primeira em que um titular daquele cargo quis ‘dar conta‘ do que foi fazendo sem a intermediação dos jornalistas. [...] O que a Presidência da República fez no seu site foi apropriar-se de linguagens do jornalismo em favor de uma estratégia não jornalística. O que a Presidência da República fez foi reclamar também para si espaço no novo ambiente de comunicação em que a auto-edição ganha prevalência. [...]» Luís Santos, no renovado (e sempre imprescindível) Jornalismo e Comunicação.

[título, que remete para post anterior, e sublinhados da nossa responsabilidade]

Janeiro 18, 2007

Astros

Miguel Marujo


Se eu acreditasse na astrologia, acharia da mais inestimável importância que Scarlett chegue hoje às salas de cinema com um Scoop! (na imagem), um dia depois do meu aniversário, quando também vem aí Jennifer Connelly a elucidar-nos sobre os diamantes de sangue. Ou acasos afortunados que bem podem alegrar a espuma dos dias, com Joana Amaral Dias editar o seu dia às quartas, ontem 17, no caso. Como não acredito nos astros, percebo que são apenas prendas inesperadas.

[Ontem, o Erradio também fez um ano, mais uma coincidência a assinalar. E cumpre-me agradecer os parabéns nas caixas de comentários e noutros blogues. E estas convergências de interesses, mesmo sem saber.]

Janeiro 17, 2007

17 de Janeiro

Miguel Marujo

Eis um dia que pode ser recordado por muitos motivos.

Escuso de vos impingir a lista completa, que podem sempre consultar na Wikipédia, mas é sempre bom saber que neste dia, em 1462, foi descoberta a ilha de Santo Antão, em Cabo Verde, ou que, em 1562, Francisco I assinou um édito que terminou com a perseguição religiosa e reconheceu o direito civil dos protestantes franceses. Ainda nas coisas boas, lembre-se o primeiro livro da Penguin, lançado em Inglaterra, em 1935, e que, um ano depois, se publicou a primeira tira da BD "Fantasma", pela pena de Lee Falk.

Neste dia, em 1975, coincidência interessante nestes tempos, entra em vigor em França a lei de despenalização do aborto elaborada pela ministra da Saúde Simone Veil.

Já bem próximo de nós, em 1991, uma grande coligação liderada pelos Estados Unidos inicia o bombardeamento maciço do Iraque, para obrigar o regime de Saddam à retirada do Kuwait. As guerras marcam, aliás, este dia: em 1945, também os nazis começaram a evacuar Auschwitz, numa tentativa de encobrir os crimes contra a humanidade que ali se cometiam.

Neste dia, ainda, morreram algumas pessoas que fizeram os nossos dias e as nossas histórias, só para citar anos mais recentes: Miguel Torga, em 1995, Camilo José Cela, em 2002, Bezerra da Silva (cantor e compositor brasileiro), em 2005, no mesmo dia em que morreram ainda o político chinês Zhao Ziyang e a actriz americana Virginia Mayo. Para compensar, nasceram Benjamin Franklin (1706), Al Capone (1899), Muhammad Ali (1942), Jim Carrey (1962 ), Andy Rourke, o baixista dos Smiths (1964). Para adoçar, neste dia, em 1982, também nasceu Mel Lisboa.

Este é o dia do Tribunal de Contas da União Europeia, vá lá saber-se porquê, e de Santo Antão, que morreu nesta data em 356.

Curiosamente, segundo a Wikipédia, nada de relevante aconteceu a 17 de Janeiro de 1972 (nem eventos históricos, nem nascimentos ou mortes relevantes), naquele que é o 17º dia do ano no calendário gregoriano. Que sabe a Wikipédia?! Pelos vistos, ignora que dois marujos nasceram neste dia, tal como o Popeye muitos anos antes.