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Cibertúlia

Dúvidas, inquietações, provocações, amores, afectos e risos.

Dezembro 10, 2006

Urtigas

Miguel Marujo

[do Lat. urtica
s. f. Bot., género de plantas da família das urticáceas cuja haste e folhas, por estarem revestidas de pêlos que contêm um líquido cáustico, produzem sobre a pele um prurido ou ardor peculiar.]

Esta noite, ouço D. Jorge Ortiga (no programa Diga Lá Excelência, que se pode ler no Público de amanhã), e pergunto-me como pode a Igreja insistir no diálogo se há bispos que não sabem conversar ou dialogar com o mundo. Misturar preservativo com sexo livre, não perceber que a pena de morte é moralmente inaceitável e escusar-se a comentar questões sociais porque "não sabe bem" mas continua a debitar sentenças sobre a cama dos outros... Os exemplos são muitos, mas o prurido peculiar que tenho impede-me de continuar.

Dezembro 10, 2006

Silêncios

Miguel Marujo

A SIC passa uma reportagem sobre os que se alimentam do lixo dos hipermercados. As duas velhinhas que todas as noites rondam o Pingo Doce em Campo de Ourique são outros rostos desta cidade silenciosa.

Dezembro 10, 2006

Morto sem arrependimento

Miguel Marujo

O execrável ditador Augusto Pinochet, responsável por mais de três mil mortos, muitos desaparecidos e milhares de torturados, morreu hoje. Na hora da morte, um único lamento: o de nunca ter sido julgado e condenado pelos crimes. Mas a memória não prescreve.

Dezembro 08, 2006

Metro a público

Miguel Marujo

«O monstro não era o presidente do conselho de administração, era triste, mas não era ele, apercebeu-se ela, naquele instante: ele despedira 55 colegas da sindicalista deslumbrante desde Janeiro, ela não sabia e tentava adivinhar como é que ele dormia com isso, mas naquele dia, mais três pessoas tinham assinado um papel que resumia o seu percurso dos últimos dezoito anos de vida em troca de um cheque, e, nos corredores, os outros, os que ficaram, os eleitos, exigiam pré-avisos de greve apenas porque lhes iam retirar a merda dos pagamento dos feriados a dobrar.» [Diana Ralha]

«Pinga quem está nas margens, quem critica, quem quer ser quem é, quem quer afirmar e dizer sem ter que o fazer no círculo dos eleitos. Agora, depois de anos a enxugar as pessoas que não interessam, as que têm a memória do que foi fundado e de como foi fundado, das raízes, dos pilares, passou-se a uma segunda fase. Agora, é preciso que ninguém se sinta seguro, que todos temam pelo seu lugar de trabalho, que percam todo e qualquer laço de solidariedade entre si que não seja o de obediência ao líder supremo. Nesta fase, já não há solidariedade, já não há ajudas.» [Nuno Ferreira, em comentário ao post da Diana Ralha]

Porque é que eu me revejo nestes dois textos? O caso no jornal Metro só não foi público. E não envolveu 55 pessoas. Um apenas serviu de exemplo.