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Façam favor

por Miguel Marujo, em 22.12.06
Hoje é dia de ter um orgasmo. Pena que o horário seja tão laboral...

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A interrupção voluntária do diálogo

por Miguel Marujo, em 21.12.06
[Hoje, o Público trouxe um texto assinado por Ana Berta Sousa, José Manuel Pureza, Marta Parada, Miguel Marujo e Paula Abreu, sobre o referendo sobre a despenalização do aborto. Reproduzo-o na íntegra, por os artigos de opinião do jornal não estarem acessíveis sem assinatura.]


Somos católicos e assistimos, inquietos e perplexos, à reiteração de uma lógica de confronto crispado por parte de sectores da Igreja Católica – incluindo os nossos bispos – no debate suscitado pelo referendo sobre a despenalização do aborto. Frustrando as melhores expectativas criadas pelas declarações equilibradas de D. José Policarpo, a interrupção voluntária do diálogo volta a ser a linha oficial. E o radicalismo vai ao ponto de interrogar a legitimidade ao Estado democrático para legislar nesta matéria. É um mau serviço que se presta à causa de uma Igreja aberta ao mundo.

A verdade é que a despenalização do aborto não opõe crentes a não crentes. Nem adeptos da vida a adeptos da morte. Não é contraditório afirmarmo-nos convictamente «pela vida» e sermos simultaneamente favoráveis à despenalização do aborto. Porque sendo um mal, não desejável por ninguém, o recurso ao aborto não pode também ser encarado como algo simplesmente leviano e fácil. As situações em que essa alternativa se coloca são sempre dilemáticas, com um confronto intensíssimo entre valores, direitos, impossibilidades e constrangimentos, vários e poderosos, especialmente para as mulheres. Ora, mesmo quando, para quem é crente, a resposta concreta a um tal dilema possa ser tida como um pecado, manda a estima pelo pluralismo que se repudie por inteiro qualquer tutela criminal sobre juízos morais particulares, por ser contrária ao que há de mais essencial numa sociedade democrática.

Por isso, não nos revemos no carácter categórico e absoluto com que alguns defendem a vida nesta questão, dela desdenhando em situações concretas de todos os dias: a pobreza extrema é tolerada como “inevitável”, a pena de morte “eventualmente aceitável”, o racismo e a xenofobia é discurso vertido até nos altares. A Igreja Católica insiste em dar razões para ser vista como bem mais afirmativa “nesta” defesa da vida do que nos combates por outras políticas da vida como as do emprego, do ambiente, da habitação ou da segurança social. Além de que, no caso do aborto, a defesa da vida deve sempre ser formulada no plural. Estão em questão as vidas de pelo menos três pessoas e não apenas a de uma. Por isso, quando procuramos – como recomenda um raciocínio moral coerente mas simultaneamente atento à vida concreta das pessoas – estabelecer uma hierarquia de valores e de princípios, ela nem sempre é fácil ou mesmo clara e não será, seguramente, única e universal. Nem o argumento de que a vida do feto é a mais vulnerável e indefesa das que se jogam na possibilidade de uma interrupção voluntária da gravidez pode ser invocado de forma categórica e sem quaisquer dúvidas.

É de mulheres e de homens que se trata neste debate. E também aqui, o esvaziamento do discursos de muitos católicos e sectores da Igreja relativamente aos sujeitos envolvidos nos dilemas de uma gravidez omite a recorrente posição de isolamento, fragilidade ou subalternização das mulheres, para quem o problema poderá ser absoluto e incontornável, e reproduz a distância que sustenta a sobranceria e condescendência moral de muitos homens (mesmo que pais). A invocação do direito da mulher a decidir sobre o seu corpo é um argumento que, bramido isoladamente, corre o risco de reproduzir de uma outra forma a tradicional atitude de desresponsabilização de grande parte dos homens perante as dificuldades com que se confrontam as mulheres na maternidade e no cuidado de uma nova vida. A defesa da autonomia da mulher, da sua plena liberdade e adultez é indiscutível e será sempre tanto mais legítima e forte quanto reconhecer e atribuir ao homem os deveres e os direitos que ele tem na paternidade. Ignorá-lo é mais uma vez descarregar apenas sobre os ombros das mulheres a dramática responsabilidade de decidir sobre o que é verdadeiramente difícil. A Igreja tem, neste aspecto particular, uma responsabilidade maior. A suas preocupações fundamentais com a família exigem uma reflexão igualmente apurada sobre as responsabilidades conjuntas de mulheres e homens na concepção e cuidado da vida.

Infelizmente, pelas piores razões, o discurso oficial da Igreja está muito fragilizado para a defesa de abordagens à vida sexual e familiar que acautelem o recurso ao aborto. A moral sexual oficial da Igreja – e, em concreto, em matéria de contracepção – fecha todas as alternativas salvo a da castidade sacrificial. É um discurso que não contribui, de modo algum, para a defesa de uma intervenção prioritariamente preventiva, em que ao Estado fosse exigível um sistemático e eficaz serviço de aconselhamento e assistência no domínio do planeamento familiar e da vida sexual. Pelo contrário, o fechamento dos mais altos responsáveis da Igreja a uma discussão mais séria e aberta sobre a vivência concreta da sexualidade denuncia um persistente autismo, que ignora a sensibilidade, a experiência, o pensamento e a vida das mulheres e dos homens de hoje.

Em síntese, o recurso ao aborto é sempre, em última análise, motivo de um grave dilema moral. E é nessas circunstâncias de extrema dificuldade que achamos ter mais sentido a confiança dos cristãos na capacidade de discernimento de todos os seres humanos, em consciência, sobre os caminhos da vida em abundância querida por Deus para todos e para todas. Optar por uma reiteração de princípios universais, como o do respeito fundamental pela vida, confundindo-os com normas e regras de ordenação concreta das vidas é, além do mais, optar por uma posição paternalista, de imposição e vigilância normativas, e suspeitar de uma postura fraternal, de confiança e solidariedade, com os que, de forma autónoma, procuram discernir as opções mais justas. Partir para este debate com a certeza de que a despenalização do aborto é porta aberta para a sua banalização é abdicar de acreditar nas pessoas, em todas as pessoas, e na sua capacidade de fazer juízos morais difíceis. Não é essa abdicação que se espera de homens e mulheres de fé.

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Da pulhice

por Miguel Marujo, em 21.12.06
A General Motors fechou hoje as portas da fábrica da Azambuja. A administração deu uma prenda de Natal aos funcionários, vê-se um na reportagem, "para os meus filhos". Da pulhice, em forma de embrulho, tenta encher-se o bodo de quem vai para o desemprego.

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A interrupção voluntária do diálogo

por Miguel Marujo, em 21.12.06
«A Igreja Católica insiste em dar razões para ser vista como bem mais afirmativa "nesta" defesa da vida do que nos combates por outras políticas da vida como as do emprego, do ambiente, da habitação ou da Segurança Social. Além de que, no caso do aborto, a defesa da vida deve sempre ser formulada no plural. Estão em questão as vidas de pelo menos três pessoas e não apenas a de uma.»

Hoje, no Público, nas páginas de opinião (contéudos fechados), um texto de Ana Berta Sousa, José Manuel Pureza, Marta Parada, Miguel Marujo e Paula Abreu.

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Juro

por Miguel Marujo, em 21.12.06
Li algures que uma tal Associação de Telespectadores tinha escolhido o argumento da novela Jura como a melhor coisa da SIC. Juro pela minha saúde que, em 30 zappings, de três minutos cada, devo ter apanhado umas 30 cenas de cama. Devo ser criterioso, já se vê.

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Ideias

por Miguel Marujo, em 21.12.06
Até ver, ainda ninguém se lembrou de distribuir as habituais prendas por políticos e famosos.

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Na hora da morte

por Miguel Marujo, em 20.12.06
A morte de uma celebridade pode resumir-se a 20 linhas ou duas páginas. Aqui, às claras, o processo de decisão editorial sobre a morte de Joseph Barbera. "Qui?"

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Mais pés de microfone

por Miguel Marujo, em 20.12.06
Hoje todos os jornais insistem nos números de armas ilegais, dados pela polícia ao início da tarde de ontem, como sendo «as armas recolhidas até terça-feira». «Mais de 1100», dizem. Não eram, eram 1296. Bastava ter combinado com a PSP ou o MAI para confirmar números mais para o fim do dia. Ou então citar um blogue com a notícia. Mas fazê-lo, sem que seja o do Pacheco ou uma coisa qualquer anónima a denunciar falsos plágios, parece chatear mais.

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Estive em oração

por Miguel Marujo, em 20.12.06

[Lost in Translation, acabadinho de dar na SIC]

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Extra! Extra! Extra!

por Miguel Marujo, em 19.12.06
O LxRepórter apresenta uma notícia que os jornais têm esquecido: quantas armas ilegais foram entregues na campanha que termina amanhã? A resposta aqui.

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Câmara clara

por Miguel Marujo, em 19.12.06
O Filipe é um amigo de quem, mesmo na ausência, nos sentimos sempre próximos. Agora, descobri-o às claras, na sua câmara. E também de volta de outras infâncias. A ler e a ver.

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[à primeira vista]

por Miguel Marujo, em 18.12.06
«só que, de súbito, se sabe outra coisa: que mudou tudo, que o mundo passou a ser um lugar outra vez habitado pelo fulgor. que há outra vez alguém que nos salva pela vontade que descobrimos de salvar. outra vez.»

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História exemplar

por Miguel Marujo, em 18.12.06

[Nota bem (actualizado a 9/1/08): Como por vezes faço "link" para este "post", vale a pena lembrar que este texto já é de 18 de Dezembro de 2006 e que, em Maio de 2007, arranjei emprego. A queixa em tribunal ainda não foi julgada.]

Já aqui o disse: o jornal Metro despediu-me ilegalmente, invocando "período experimental" (por mudança de contrato, em Março de 2006), a alguém que trabalhava no jornal desde Janeiro de 2005 e que era seu chefe de redacção desde Agosto de 2005. Espantoso país, onde as empresas fazem o que querem. Desde então, o percurso dos corredores do Estado revelou-se ainda mais tortuoso, como aqui tenho contado (com a benevolência ou paciência de quem me lê). Julgava eu que o capítulo que agora se escrevia era o da paciência - de esperar pela decisão em tribunal, e de prosseguir a procura de um novo poiso, sem medíocres a comandar. Julgava mal.

Na sexta-feira, no Centro de Emprego, fiquei a saber que as regras vão mudar, incluindo o (surpresa minha!) gozo de férias. Se um desempregado quiser gozar férias terá de o fazer de seguida (um mês inteirinho, sem poder dividir) e comunicar ao director do centro que se ausenta. Digno do melhor suspeito com termo de identidade e residência. Igualdade perante a lei, diz a Constituição. Diz, pois diz.


Hoje, ao fim de duas horas e meia, fui atendido na Segurança Social, para me explicarem que valores eram aqueles que me tinham sido pagos como subsídio de desemprego, ao fim de dois meses e meio à espera, sem receber nada (havia um valor que não se percebia). E descubro, pela primeira vez, que a data que conta para as prestações do desemprego é a da inscrição na Segurança Social e não o dia em que a empresa me despede (ao contrário do que todos me diziam). Registe-se, para a história ser ainda mais exemplar, que a empresa que me despediu, obrigada por lei a entregar-me um modelo para a Segurança Social, só o fez sob pressão dos advogados que me acompanham, no fim de Setembro, um mês e meio depois de me ter despedido ilegalmente. Argumento invocado pelo director-geral da empresa para a demora na entrega do modelo: "a coisa agora é mais grave", eu tinha colocado a empresa em tribunal. Respondi-lhe que grave era o despedimento sem justa causa. E concluo que, mais uma vez, quem se lixa é o mexilhão. Desempregado, sem protecção.

Há dias, o ministro Vieira da Silva veio falar das fraudes entre desempregados. O senhor ministro, e a classe política sempre tão zelosa no ataque aos preguiçosos, podia começar por fazer uma cura de desintoxicação demagógica (ir àquelas reuniões dos centros sem comitiva e jornalistas, saber quanto tempo um desempregado espera pela prestação, comunicar ao superior quando se tiver de ausentar da cidade...), e, em vez disso, combater a sério as fraudes das empresas. A lei, dizem, protege muito os trabalhadores. Esta sim, é a maior fraude inventada que se repete à exaustão neste país miserável, entregue a medíocres.

[Nota: um amigo meu queixava-se há dias que a Cibertúlia andava demasiado amarga. Eu bem tento mudar-lhe o tom, mas não consigo. Eles fizeram os meus dias assim.]

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Estatuto editorial

por Miguel Marujo, em 18.12.06
Leia-se sobre o caso Apito Dourado nos jornais. Páginas de "Nacional" ou "Sociedade" ou coisa que o valha, sempre assinadas por jornalistas que não são de "Desporto". Se a notícia vai no "Desporto", os jornalistas que a escrevem também não são de "Desporto". Hoje, a cereja no bolo: Hermínio Loureiro, presidente da Liga de Clubes, é entrevistado pelo Público. Nas páginas de "Nacional". O "Desporto" é coisa intocável nos jornais deste país. Os outros é que lhe limpam a porcaria.

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Pés de microfones

por Miguel Marujo, em 18.12.06
Voltaram os directos à porta dos tribunais. Mas as notícias não são sobre o estado da Justiça. Nem sobre o estado das coisas ou o estado da literatura. São descrições de jogadas: chegou, entrou pela direita, passou sem falar e não abriu a boca.

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