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Cibertúlia

Dúvidas, inquietações, provocações, amores, afectos e risos.

Novembro 09, 2006

Prova de vida

Miguel Marujo

A partir de Janeiro, as regras do desemprego vão mudar, anuncia-se em tom sério. Os desempregados terão de comparecer de 15 em 15 dias e fazer prova de que andam activamente à procura de emprego. Já é assim: um desempregado tem de se apresentar mês a mês (ok, reduzem o tempo, não vá o malandro fugir) e mostrar que anda à "procura de". Nas entrelinhas, estas notícias fazem passar a ideia que o desempregado é-o porque quer, ou porque quer enganar o Estado. Um indigente, é o que ele é, parece soltar-se na voz do pivô.

Ainda estou para saber como faço "prova de" ou mostro que estou à procura. Enquanto espero dois meses para que chegue pela primeira vez o subsídio, posso ir mostrando a factura detalhada das chamadas telefónicas, os recibos dos selos, os e-mails ou os faxes enviados, para provar que estou vivo. Que me mexo, mas que o mercado (ainda) não quer nada comigo. Não sei se chega.

Gosto da obrigatoriedade de comparecer no centro de emprego: desempregado que se preze (pensa o Estado) tem todo o tempo do mundo para ele, por isso, pode despender umas horas sentado numa sala encafuada, com mais umas duas dezenas de pessoas, enquanto espreita o quadro de ofertas de empregos: cozinheiros ou serventes, técnicos de informática ou contabilista. Acho que devo aceitar, se não o pivô do telejornal ainda me lembra com a voz acusadora que «um em cada nove dos desempregados recusa uma oferta».

[Não se arranja por aí um subsídio ao subsídio de desemprego, não?!]

Novembro 08, 2006

Houston, we have a problem

Miguel Marujo


Vasco Pulido Valente na sua habitual crónica irreal do Público, no fim-de-semana passado, dizia que Bush ia perder pela "esquerda", por defender questões "à esquerda", o que irritaria os conservadores que o elegeram. E acrescentava: o Iraque não interessava nada aos americanos, à classe média americana. A ideia absolutamente hilariante e anedótica, dita com a habitual displicência dos irresponsáveis, é negada pelos próprios americanos, como o confirma uma sondagem da CNN. O que motiva o "castigo" a Bush e aos seus republicanos é, por esta ordem: corrupção, 40%; terrorismo, 39%; corrupção e ética (42%), terrorismo (40%), economia (39%), Iraque (37%), valores (36%) e imigração ilegal (29%).

Há um ano, quando estive nos EUA, já a classe média queria saber e muito do Iraque, e a mortandade ainda não tinha atingido os números de hoje. E republicanos ou democratas apontavam o dedo a Bush. Mas Pulido garante que não (no próximo fim-de-semana teremos mais iluminação sobre as nossas cabeças de como perdeu Bush, vão ver...).

E para a nossa direita blogosférica, a derrota explica-se por questões miudinhas e locais (mas os americanos preocuparam-se mais com temas nacionais - 62% -, e não locais - 33%), subvertendo a leitura da sondagem. Pulidos menores. So typical.

[actualização: leia-se também esta aspirina]