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Cibertúlia

Dúvidas, inquietações, provocações, amores, afectos e risos.

Outubro 15, 2006

Lembrar o essencial

Miguel Marujo

«[Para] o criador do Sistema Nacional de Saúde (SNS), António Arnaut [...], “embora cinco euros não sejam uma quantia muito elevada”, a taxa é “inconstitucional” e “uma pedra no orçamento de muitas pessoas que não estarão isentas”. O advogado lembra que a gratuitidade do SNS passou a ser tendencial na segunda revisão constitucional para permitir a introdução de taxas moderadoras apenas como forma de evitar abusos no acesso aos cuidados de saúde.
Antigo ministro dos Assuntos Sociais, Arnaut salienta que a futura taxa de utilização (também aplicável à cirurgia em ambulatório, com um valor ainda desconhecido) “é, na verdade, um co-financiamento do utente que vai contra a Constituição e ofende o princípio da solidariedade”. E diz ainda estar “chocado” com o facto de ser “um ministro do PS a atacar esse princípio e a transformar uma lei de inspiração socialista numa aberração lógica”.
Segundo o ex-governante – que afirma estar convencido de que o primeiro-ministro, José Sócrates, não deixará que Correia de Campos “continue por muito mais tempo à vara larga” – o SNS “não pode distinguir entre pobres, ricos e remediados”. “Isso faz-se no sistema fiscal”, sustenta.
O “pai” do Serviço Nacional de Saúde vai ainda mais longe, ao considerar que o ministro da Saúde “é um tecnocrata e político de direita sem sensibilidade social”, que “está a alterar o paradigma do SNS e a criar um outro tipo de sociedade”.
“É preciso cortar nos excessos e não nas carências. Pode-se desengordurar em muitos sítios, mas nunca indo ao cerne do drama humano”, remata.» [in Expresso]

Outubro 14, 2006

Vai buscar!

Miguel Marujo

1. A PT não me informou da suspensão imediata do tarifário gratuito, a que aderi anteontem.
2. A PT não me informou que me aumentava a assinatura, ao contrário do anunciado.
3. A PT mantém no ar a sua campanha publicitária extremamente divertida e enganadora.
Definitivamente, quem vai buscar sou eu. Outra operadora. De vez.

[actualizado: a PT informa-me por e-mail do seu serviço de apoio que aderi antes da decisão da Anacom, por isso não serei prejudicado; que a minha assinatura não sofrerá qualquer agravamento; estarei atento às próximas facturas.]

Outubro 13, 2006

Frases comentadas (II),ou o Pulo do Lobo

Miguel Marujo

«Eu não quero com os meus roteiros criar problemas. Não tenho vocação para força de bloqueio.» [Cavaco Silva, 10 de Outubro de 2006]

«[...] tem a ver com a permanência nos valores mentais, nos hábitos da nossa democracia, dos quadros do Portugal de Salazar. Valores como o "respeitinho", a hipocrisia pública, a retórica antipolítica, a tentação de considerar que o suprapartidário é bom, a obsessão pelo "consenso", o medo da controvérsia, a cunha e a clientela, mesmo a corrupção pequena, a falta de espírito crítico desde as artes e letras até à imprensa e Igreja, tudo vem do quadro do salazarismo e reprodu-lo. O medo do conflito, essa tenebrosa herança de 48 anos de censura, permanece embrenhado na vida política da democracia e isso dá vida à nostalgia da pasmaceira vigiada de Salazar.» [Pacheco Pereira, 12 de Outubro de 2006]

Outubro 13, 2006

As pessoas, claro

Miguel Marujo


Nem de propósito! O Prémio Nobel da Paz a Muhammad Yunus e ao seu Grameen Bank, que tornou possível o microcrédito, é a prova que a paz também se faz combatendo a pobreza. Este também seria um óptimo Nobel da Economia, que mostraria que a economia se faz de pessoas, só de pessoas, não de números dispensáveis.

Outubro 13, 2006

Dêem-lhes outra carreira

Miguel Marujo

Quem se manifesta nas ruas fá-lo em seu nome, do emprego certo, das horas certas, não dos desempregados. Podia ser de outra maneira, mas do outro lado da barricada, aos engravatados do Beato não preocupa a desfaçatez de dizer que há 200 mil dispensáveis, como se estes 200 mil não tivessem nome, família, contas para pagar. Porque eles, os do Beato, nunca estarão nesse lugar, de desempregados, antes saltitam das empresas públicas para as privadas e destas para as SA que são públicas, aplaudem qualquer liberalização ou flexibilização, porque as únicas que conhecem é dos horários de trabalho ou do número de assentos de conselhos de administração.

Como Medina Carreira que hoje citava Pulido Valente, no Público [que em dia de manifestação, parece uma bíblia neoliberal de opiniões, e talvez assim se explique também a malaise do jornal], depois do segundo ter citado o primeiro, e neste pinguepongue de salamaleques, debita a habitual pesporrência do perigo que aí vem no ano de 2015, que é a alegada falência da Segurança Social, certinha para os nossos filhos e que temos de cortar a eito nas despesas sociais.

O mais engraçado é que estes senhores falam de barriga cheia, com uma reforma máxima garantida, sem preocupações na assistência de saúde (têm seguros, abusam de amigos médicos, não esperam horas nas bichas do centro de saúde ou nas urgências), não são desta terra estes senhores, vivem na lua, mas somos nós, os que queremos mudar o estado social sem o destruir os inconscientes e os aluados. Pois, pois, eles que vivam um ano inteirinho com o salário mínimo e o acesso normal ao serviço nacional de saúde, ou que esperem dois meses pelo subsídio de desemprego e, no fim, logo faremos contas das suas ideias.

Outubro 12, 2006

Cuidar de deus

Miguel Marujo

No Vaticano também se preocupam com as coisas de Deus. Só assim se vê que, da Biblioteca Apostolica Vaticana, tenham procurado informação no E Deus Criou a Mulher, nomeadamente no mês de Junho de 2005 [com algumas fotos a precisarem de serem actualizadas, é verdade...].
Depois partiram à descoberta de «algumas [que também] passam por aqui», a forma quase enigmática como se apresenta o Cinerama, imprescindível blogue sobre cinema (foi aliás a Rita que deu conta desta visita e me proporcionou este apontamento). O percurso terá começado aqui neste «paraíso de onde elas vêm», e passou depois pelo «elogio da Criação». Nada como o sitemeter para ver como são insondáveis os caminhos dos senhores vaticanos.