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Cibertúlia

Dúvidas, inquietações, provocações, amores, afectos e risos.

Agosto 10, 2006

Pecar por omissão (um comentário)

Miguel Marujo

[Respigo da caixa de comentários, estas observações de Isabela, sobre o caso Gisberta, para não se perderem.]

«Os miúdos já não são bem miúdos. Estes miúdos já deixaram de o ser, como a Gisberta provavelmente deixou de ser, muito cedo. Este é um caso muito triste. Porque nos choca que os meninos matem. Mas somos nós que construímos este lugar onde os meninos aprendem a matar. Penso que os miúdos deviam ter sido culpados, obviamente culpados, porque o são, está aos olhos de toda a gente, não há defesa possível.
O problema é que eu, sendo uma idealista, gostaria de ter uma esperança de que estes rapazes pudessem mudar, ser gente, não assassinos, criminosos, para o resto da vida. E então, como se fôssemos pais, e eu, com desgosto meu, não sou, penso que poderíamos castigá-los como merecem castigo os culpados, mas ao mesmo tempo dar-lhes uma oportunidade de se reconstruírem. Numa instituição especial para estes casos. Não sei se existe em Portugal. O que eu queria é que, cometido horror, não voltassem a fazê-lo. Mas sou sonhadora de mais, não é?»

Agosto 10, 2006

Calcanhares (II)

Miguel Marujo

O golo de calcanhar de Nuno Gomes (à Madjer - sim, naquela noite de 87, saltei tanto na sala que quase partia o candeeiro) não foi lembrado aqui a propósito de Jacobus. Há paralelismos que nos recusamos a fazer. E prognósticos, já se sabe, só no fim do campeonato.

Agosto 09, 2006

Calcanhares

Miguel Marujo

Jacobus. "O nome Jacó ou Jacob deriva do latim Iacobus, que por sua vez é uma latinização do nome hebreu Ya'akov (יעקב), que significa literalmente calcanhar." Descubro no comunicado do FC Porto sobre a saída de Co Adriaanse que o agora ex-treinador se chama afinal Jacobus. Um verdadeiro calcanhar de Aquiles.

Agosto 09, 2006

Por estes dias (II)

Miguel Marujo


... é preciso meter o pauzinho na engrenagem — ou a revolução feita de flores em todo o mundo*.



[a foto é do Bruno, que ma ofertou, *da sua viagem a Marrocos, num restaurante em Marraquexe.]

Agosto 09, 2006

Por estes dias

Miguel Marujo

Há interditos e silêncios. Momentos que não se dizem, coisas que se escondem. Agosto não é a silly season, já devia saber o jornalista que colecciona manchetes como por exemplo a invasão do Kuwait pelo Iraque de Saddam (em tempos, o Público respigava essas manchetes para dizer que havia mais a mexer neste mês do que se pensa). Agora que as histórias pessoais se misturam com manchetes impublicáveis, mais vale seguir à bolina, assim como marujos de boas memórias e melhores aventuras. Apetece partir, mesmo.

Agosto 08, 2006

Indicadores económicos

Miguel Marujo

No fim-de-semana, a RTP descobriu um novo indicador económico: as famílias portuguesas estão em crise porque levam farnel para a praia, para poupar dinheiro. No domingo, numa praia fluvial do concelho de Marvão largas dezenas de espanhóis poupavam muito dinheiro com os seus farnéis. Logo, segundo os economistas da RTP, Espanha atravessa uma grave crise económica.

Agosto 07, 2006

Silêncios

Miguel Marujo

Dois dias na quietude do Alentejo — no sopé de Marvão, o castelo e as muralhas lá em cima a recortarem o horizonte, a definirem uma linha entre o céu azul e o dourado da terra iluminada pelo sol quente. Dois dias na quietude, para esquecer tumultos.

Agosto 04, 2006

Massacrados

Miguel Marujo

Eu sabia: hoje José Manuel Fernandes no Público defende que afinal só morreram uns 28 gatos pingados em Qana. E que a comunicação social enganou-nos a todos ao falar em massacre! 28 mortos, na minha contabilidade, é um massacre. Na de JMF, não. Pois: ele não chorou nenhum filho, dos 28 ou 50 ou 3 ou 10 mortos, dos ataques de Israel e do Hezbollah.

Agosto 03, 2006

[Mais um amigo do Hezbollah]

Miguel Marujo


"Invito tutti, infine, a continuare a pregare per la cara e martoriata regione del Medio Oriente. I nostri occhi sono pieni delle agghiaccianti immagini dei corpi straziati di tante persone, soprattutto di bambini – penso, in particolare a Cana, in Libano. Desidero ripetere che nulla può giustificare lo spargimento di sangue innocente, da qualunque parte esso venga! Con il cuore colmo di afflizione, rinnovo ancora una volta un pressante appello all’immediata cessazione di tutte le ostilità e di tutte le violenze, mentre esorto la comunità internazionale e quanti sono coinvolti più direttamente in questa tragedia a porre al più presto le condizioni per una definitiva soluzione politica della crisi, capace di consegnare un avvenire più sereno e sicuro alle generazioni che verranno." [Papa Bento XVI, ontem, na audiência geral, sublinhados nossos]

Agosto 03, 2006

Antes que...

Miguel Marujo

Afinal, em Qana (Caná) morreram 28 pessoas. Tenho a certeza que as habituais vozes dirão que já se sabia que não seriam tantos, blá-blá-blá... Antes que digam isso, reitero o óbvio: uma morte que seja, numa guerra absurda, é sempre uma morte que se chora. E que se devia ter evitado.

Agosto 02, 2006

Pecar por omissão

Miguel Marujo



Este rosto tem um nome: Gisberta. Foi assassinada, no Porto. Não por irresponsáveis, como decidiu preconceituosamente o tribunal (transexual, brasileira, sem-abrigo: tanto anátema numa mulher só), mas por quem quis fazer o mal. Neste caso, a Igreja Católica pecou por omissão: bispos, padres, leigos (eu incluído), ninguém (poucos) veio (vieram) acusar o horror do crime, a leviandade do castigo e a absolvição dos menores. Como sempre, há cristãos que são menos peremptórios na defesa de certas vidas.

Agosto 02, 2006

De um filme da minha vida

Miguel Marujo


Irène Jacob, em "La Double Vie de Véronique"


«Weronika est une jeune chanteuse habitant en Pologne. Elle aime marcher pieds nus, regarder le monde à travers une boule de verre et a une malformation cardiaque. Un jour, à Cracovie, une jeune touriste qui lui ressemble la prend en photo. Weronika meurt peu après lors d’un concert. A Paris, Véronique est musicienne et possède les mêmes caractéristiques que Weronika : la voix sublime, le corps, la défaillance cardiaque. [...
A descoberta de um blogue (que merece duplas visitas e está quase a fazer um ano) é pretexto para lembrar um filme da minha vida: «La Double Vie de Véronique». E um realizador a pedir urgência na (re)descoberta: Kieslowski.

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